domingo, 4 de janeiro de 2026

EX NIHILO NIHIL FIT


Os especialistas apontam que a palavra hebraica ‘BARA’ significa ‘criar sem o auxílio de material preexistente’; mas será que essa definição sugere que Deus criou tudo a partir do nada? Se a palavra ‘nada’ significar ‘ausência de matéria preexistente’, a expressão está biblicamente correta, significando que para criar a matéria, Deus não usou matéria preexistente.

Por outro lado, a expressão latina “Ex nihilo nihil fit”, atribuída ao filósofo grego Parmênides, parece não dialogar positivamente com a exegese do texto bíblico. Essa máxima científica significa literalmente: “nada surge do nada” e indica um princípio metafísico segundo o qual o ser não pode começar a existir a partir do nada. Tudo tem que ter um começo, tudo tem que possuir um princípio material antecedente.

Parece que as Escrituras estão caminhando em direção oposta à da ciência, afinal, Parmênides diz que nada surge do nada, fazendo referência à existência de uma matéria pré-existente, a partir da qual o universo veio a existir.

Sabendo que a palavra ‘BARA’ afirma que Deus não usou nenhuma matéria pré-existente para criar o universo, como fazer o postulado de Parmênides dialogar com o Gênesis, chegando a um ponto comum?

Segundo as Escrituras, a criação de todas as coisas não necessitou de nenhuma forma de matéria que precedesse o Big Bang! Entretanto, Deus não criou o tudo a partir do nada!

Deus criou o tudo a partir do Tudo.

Ele criou todas as coisas a partir de Si mesmo.

Deus é a Absoluta Fonte de Energia Vital, atuando como Aquele que sustenta a vida de todas as coisas, cedendo a elas a energia que compõe cada átomo da matéria.

Realmente não havia matéria pré-existente. O que havia era energia pré-existente.

Toda vida se origina em Deus. Tudo que existe se fez a partir Dele. Tudo que existe procede Dele e subsiste por Ele.

Deus transformou energia em matéria, pois “Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste” (Cl 1.17).

A equivalência entre massa e energia, postulado pela equação de Einstein vaticina que Energia é equivalente à massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado: E = MC². O contrário também se equivale, quando a massa se multiplica pela velocidade da luz ao quadrado, o resultado é a produção de energia: MC² = E.

A mais fantástica previsão da equação de Einstein é que Luz (energia) pode se transformar em matéria: M = E/C².

Perceba as variáveis da equação e veja que matéria e energia são variações da mesma coisa. Tudo é feito de átomos, e como sabemos, átomo é pura energia. Átomo é por definição um ‘sistema energético estável, eletricamente neutro, que consiste em um núcleo denso, positivamente carregado, envolvido por elétrons’.

Pela equivalência definida pela equação de Einstein, matéria e energia são lados opostos da mesma moeda. Matéria pode se converter em energia e energia pode se converter em matéria.

Em nossos dias, transformar matéria em energia já é uma atividade bem comum. Esse processo é o acontece o tempo todo nos reatores das usinas nucleares. Todavia, transformar luz em massa é um processo possível que ainda não foi totalmente dominado pela tecnologia atual.

De acordo com Einstein e concordando com a primeira Lei da Termodinâmica, existe no Universo uma quantidade fixa de energia e matéria.

A quantidade de energia existente no primeiro milésimo do Big Bang continua a mesma até hoje e continuará assim para sempre.

É notório que o Big Bang foi uma esplendida explosão de energia! Aquela energia pulsante passou por um processo de resfriamento, se convertendo em matéria há aproximadamente 13,7 bilhões de anos. Nesse remotíssimo passado, toda a matéria que podemos hoje observar, estava contida em forma de energia, extraordinariamente concentrada em um único ponto.

100 bilhões de galáxias cabiam com folga na ponta de um alfinete.

Naquele indescritível momento, o universo era absurdamente quente, atingindo a fantástica temperatura de mais de um bilhão de bilhão de bilhão de vezes a temperatura média do nosso Sol.

Hoje em dia, em laboratório, para manipular a fabricação de matéria, respeitando a primeira lei da termodinâmica, os cientistas estão trabalhando pesado no desenvolvimento de equipamentos capazes de realizar essa façanha.

O ato de criar matéria a partir da luz se realiza a partir de uma reação denominada ‘Produção em Par’. Essa reação converte um fóton em um par de partículas, sendo uma de matéria e uma de antimatéria.

O Laboratório Nacional Brookhaven, a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN) e o Fermilab são grandes laboratórios de pesquisas que andam na vanguarda de todos os avanços da física.

Esses laboratórios provaram que Einstein estava certo quando realizaram uma reação que consistiu em disparar um fóton dentro de um núcleo atômico pesado. Nessa experiência foi verificado que o núcleo compartilha a energia e permite que o fóton se desintegre em elétron e pósitron, e o pósitron volta a ser fóton quando acontece a colisão com um elétron.

Essa é a receita para se produzir matéria a partir da energia.

Os seres humanos estão prestes a transformar luz em partículas subatômicas. Todavia após dominarem essa etapa do processo, a tecnologia ainda terá que percorrer outro longo caminho. Um caminho muito mais longo e certamente muito mais complexo.

De posse de ‘um montão’ de partículas subatômicas, vem a questão: ‘- e agora (?), o que fazer como elas? Como lhes conferir organização? Como formar pedaços de bronze, ou pepitas de ouro, ou tecido de pele humana?’

Uma caneta, em sua estrutura, aprisiona energia estática. A energia existente na massa da caneta está ligada à natureza química de sua composição. Einstein revelou que massa e energia são equivalentes.  Perceba que a equação ‘E = MC²’ afirma que a energia (‘E’) liberada pelo esmagamento atômico de uma massa (‘M’) é igual a ‘M’ vezes a velocidade da luz (‘C’) ao quadrado (C²).

Sabendo que a luz se desloca a 300 milhões de metros por segundo, a destruição de uns poucos átomos libera uma enorme porção de energia. É dessa maneira que a energia é produzida no interior do nosso Sol.

Concluindo: se a fissão atômica da massa produz energia, o contrário também é possível: a fusão atômica produz massa.

Se poucos átomos liberam muita energia, realmente precisa-se de muita energia para se produzir uns poucos átomos.

Para você imaginar o tamanho do poder utilizado na criação do universo, saiba que no corpo humano existem mais átomos do que estrelas no universo.

É isso que o Criador fez para trazer a matéria à existência.

Para criar o universo Deus liberou uma faísca de sua energia. A partir de então, a energia produziu massa. E tudo que existe é oriundo dessa emanação de Deus.


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com


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