domingo, 28 de junho de 2026

DEPOIS DE MUITA BRIGA, O CASAMENTO ACABOU!


A teologia não deveria ter se afastado das descobertas científicas, e a ciência nunca deveria ter virado as costas para a teologia, até mesmo porque os motivos do afastamento foram mais econômicos, políticos e ideológicos do que propriamente fundamentados em afirmações de ambas as partes. O divórcio entre a religião e a ciência não foi motivado por brigas intelectuais. O rompimento do casamento aconteceu quando surgiu na sociedade uma nova ordem de pensamento.

Quando o capitalismo se estabeleceu como nova definição de ordem social, o casamento da ciência com a religião se tornou insustentável. Afinal, o novo homem, moderno e capitalista precisava de liberdade para lucrar, precisava de liberdade para comprar e vender, liberdade para criar novas leis que beneficiassem o crescimento financeiro.

No novo paradigma de sociedade, as questões de natureza ética e moral atrapalhavam o sucesso dos negócios. A solução mais eficiente seria destronar a religião e reinventar a explicação para os fenômenos naturais.

Antes da ascensão da burguesia ao poder, a religião era a principal influência das convenções sociais. A partir dela, a sociedade passou a ser orientada pela ciência e pela razão.

Afundados na profundidade do Lago passaram explicar a realidade sem a interferência dos lampejos de luz espiritual mística.

O Evangelho de Jesus sempre atrapalhou o sucesso dos negócios, isso porque a fé transfere para Deus a explicação dos fenômenos. Pelo menos, deveria ser assim!

Mas também não era!

A igreja do mundo não se comportava como igreja de Deus.

Diante de uma nova ordem cultural e científica, o deus da igreja não era suficientemente interessante para o homem. Pelo contrário, o deus da igreja tinha se tornado capitalista antes do homem, e explorava o homem antes do homem explorar o seu semelhante. Um deus de mentira, feito à imagem e semelhança de seu criador.

O homem estava cansado de uma igreja que era apenas a expressão grotesca de si mesmo e do objetivo de seus líderes. Não havia nada de Deus na igreja; havia apenas intenção de ganhar mais dinheiro para sustentar seus líderes de luxo e preguiça.

Cansado de uma religião sem Deus, a partir do século vinte o homem quer ganhar dinheiro enquanto exclui Deus de suas equações existenciais. O divórcio foi inadiável. Hoje ambos tentam uma reconciliação, e esse livro é uma carta de pedido de perdão escrita para ambos os lados.

Um dia certamente se reencontrarão; isso é inevitável, afinal os dois falam da mesma coisa.

Essa história de desentendimento é bem antiga! O casal já estava brigando a mais de mil anos!

É uma história bem mais antiga que o evento de virada de mesa com advento do Capitalismo. Tudo começou quando a Igreja resolveu enjaular a liberdade do pensamento humano.

Durante centenas de anos a igreja perseguiu cientistas, alquimistas e pessoas dotadas de pensamento livre.

Nesse tempo de ‘trevas culturais’, toda vez que a igreja se deparava com uma descoberta científica que tinha o poder ‘subversivo’ de ‘contaminar’ a fé dos seus ‘lucrativos’ fiéis, a atitude do clero sempre era a de perseguir, torturar, prender e até mesmo eliminar o propagador das heresias.

A humanidade viveu uma inquisição em nome da proteção ‘da honra de Deus’. Mas, o que os perseguidores queriam não tinha nada de Deus. Eles queriam apenas perpetuar o controle sobre os amedrontados religiosos que nunca diziam não à ‘boca do gazofilácio’.

A história se repete mas o interesse do homem permanece o mesmo. Em um momento da história a igreja perseguiu os cientistas e naquele momento eram motivados por uma razão financeira.

Em outro momento da história a comunidade cientifica passou a ignorar os postulados da fé.

Todos os grupos eram motivados pelo mesmo falso deus. Pastores e padres lutando contra biólogos e astrofísicos, e todos curvados diante de Mamon.

Na Idade Média o Cristianismo era a religião dominante do mundo europeu, mas a cosmologia aceita pela igreja não era bíblica.

Naquele tempo o Papado impôs como conceito dominante o geocentrismo de Ptolomeu e Aristóteles, que definia uma ciência na contramão dos escritos de Moisés. Contrário aos relatos do Genesis, e naturalmente em função da origem romana da Igreja, a astronomia grega foi adotada como correta.

A cosmogonia da grécia clássica era a evolução de cosmogonias mais antigas, e levava em conta inclusive as noções da gênese bíblica. As tradições antigas estão entrelaçadas e a própria cosmogonia do Genesis levava em conta elementos que já existiam em conceitos egípcios e babilônios, que eram mais antigos que os conceitos que Moisés deixou no Pentateuco.

É certo que Moisés e os escribas que vieram depois dele conheciam o panteão dos escritos egípcios e babilônios. Com certeza eles perceberam que se os conceitos politeístas fossem substituídos pela figura central de Um Único Deus Invisível, não haveria muita diferença entre a cosmogonia judaica das demais cosmogonias do mundo.

Quando Deus entregou a revelação da Torá a Moisés, o mundo estava permeado de conhecimento sobre a forma como os deuses haviam criado o mundo.

Moisés ao escrever a Torá, inevitavelmente percebeu que as outras religiões de seu tempo possuíam ‘pedaços’ da verdade e que de forma distorcida todos os povos anteriores aos seus escritos acreditavam em algo muito parecido com aquilo que ele estava escrevendo.


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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