domingo, 7 de junho de 2026

COSMOGONIA GREGA - PARTE II

 


... O homem capitalista e pós-moderno, supostamente culto e arrogante em sua definição de si mesmo certamente percebe os deuses gregos e suas histórias, apenas como matéria prima de roteiro de filmes ou de enredo dos quadrinhos da Marvel ou da DC Comics. Lotam cinemas a procura de mirabolantes cenas de ação, sem constatar no roteiro, nenhum conhecimento transcendente a ser absorvido. Se bem que, quem entende a filosofia aplicada nos filmes e absorve a essência dos gibis o faz porque em certo nível de inteligência conhece e aprecia a aventura fabulosa dos soberanos do panteão.

"Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Tudo isso é posto em sua mão como sua herança, para que você a receba, honre, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos” (Albert Einstein).

Passemos à forma como os gregos descrevem a criação, a partir da dança sangrenta dos deuses.

Para os gregos, no início tudo estava imerso na escuridão e nada existia; havia apenas o Caos. Segundo Hesíodo, no princípio surgiu o Vazio e do Caos nasceram Gaia, Tártaro (o abismo), Eros (o amor), Érebo (as trevas) e Nix (a noite).

Note que todos os elementos contidos na criação segundo o relato de Gênesis capítulo 1 estão também presentes no relato grego. E não somente nos relatos da cultura clássica; cosmogonias do oriente também revelam similaridades com os elementos fundamentais do surgimento do universo.

O caos inicial se organizou na linha do tempo, revelando assim os primeiros deuses e deusas.

Gaia criou o Mundo. A Mãe-Terra teve um filho, a quem chamou de Urano, que era o céu. Urano se uniu à sua mãe, gerando doze filhos, com formas humanas, mas gigantes em estatura.

Foram seis titãs e seis titânides.

A descrição desses titãs nos faz lembrar o Gênesis: “Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama” (Gn 6:4).

Enquanto os filhos dos deuses se uniam a seus pares gerando os valentes do passado, a natureza continuava sua lenta evolução. Com a chuva nasceram as plantas e os animais. Não somente o reino animal e vegetal se desenvolveu; das águas primordiais surgiram diversos monstros e seres fabulosos, de todos os tamanhos e formas.

Na cosmogonia grega, as águas de Gaia estão no centro da criação, produzindo vida animal e vegetal, muito similar à forma como é pontuado pela Bíblia.

Conforme relatado pela Torá, a produção de vida marinha é uma ordem de serviço delegada por Deus às águas do grande oceano (Gn 1.20,21).

Entre os seres fantásticos produzidos pelas águas, havia três gigantes imortais com um só olho no meio da testa. Os Ciclopes: Arges, Brontes e Estéropes, ao nascerem foram trancados no submundo.

Por causa dos enormes poderes dos Ciclopes, Urano, senhor dos céus, contrariando a vontade de Gaia, foi muito mal para eles. A Mãe-Terra não gostou disso e produziu no seu íntimo um profundo rancor pela atitude de Urano.

Cronos é o mais jovem dos titãs, filho de Urano, com Gaia, a Mãe-Terra. Muito tempo depois, motivado pela ambição, o jovem titã derrotou o próprio pai se tornando o maioral entre os deuses. Para essa façanha, Cronos contou com ajuda de sua mãe.

A Mãe-Terra amava os Ciclopes e por isso nunca perdoou a Urano pelo que ele fez a eles. Motivada por vingança, Gaia encorajou os Titãs, liderados por Cronos a se revoltarem contra o Pai. Houve uma sangrenta batalha onde os Titãs foram os vencedores.

No calor da batalha caíram três gotas do sangue de Urano sobre a terra. O sangue de Urano em contato com Gaia trouxe vida às Eríneas, que eram espíritos de vingança, com cabeça de cão e asas de morcego. Esses espíritos perseguiam assassinos, principalmente aqueles que matavam os próprios familiares.

O sangue de Urano também caiu no mar e assim nasceu Afrodite, que segundo a mitologia é a deusa do amor, da beleza e da sexualidade. Na versão contada por Hesíodo, Cronos cortou os órgãos genitais de seu pai e arremessou-os no mar. Da espuma formada no mar, Afrodite se ergueu sobre as águas. Saiu do caos para a claridade da luz.

Cronos se tornou o rei dos titãs e o grande deus do tempo, sobretudo quando o tempo é visto regendo os destinos de forma inexpugnável.

Cronos é sempre reconhecido por seu aspecto destrutivo, pois o tempo a tudo devora, levando a vida, os sonhos e as esperanças de todos.

O senhor do tempo se casou com sua irmã Rhea e dessa união lhes nasceram seis filhos. Cronos, sendo avisado por um oráculo de que um de seus filhos o mataria, resolveu agir ‘preventivamente’ matando a todos os seus filhos assim que nasciam.

De maneira muito peculiar, Chronos engolia seus filhos assim que saiam para o mundo. Com o intuito de salvar o seu sexto filho, Rhea ludibriou Cronos, dando a ele uma pedra enrolada em roupa de bebê.

A criança sobrevivente era Zeus.


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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