quinta-feira, 4 de junho de 2026

COSMOGONIA GREGA - PARTE 1

 


A fantástica luta dos deuses babilônicos nos remete aos elementos que são similares na cosmogonia grega. Entenda que a essência das histórias sempre se repete, revelando que todos beberam da mesma fonte.

Assim como os homens, a religião dos homens tem origem em um lugar comum.

Os mitos vão se repetir trocando o cenário, o figurino, o nome dos personagens e até mesmo o relato das histórias, todavia o sentido sempre é o mesmo pendendo elogios ao bem ou ao mal.

O que hoje tomamos por mito, dentro de algum limite ainda não demarcado pela história, um dia foi fato.

Pelo peso das pegadas, podemos constatar que alguém passou por aquele lugar. Uma pegada profunda carimbada na superfície de uma rocha encontrada por um arqueólogo, nos leva a concluir que aquela marca não se formou espontaneamente. Sabemos pelo tamanho da pegada que o ser que passou por ali possui tamanho e peso de realidade suficiente para registar na tela do tempo a sua existência real naquele momento da história.

Figuras fantásticas, gigantes, monstros incríveis e civilizações de alta tecnologia realmente existiram, caso contrário não haveriam tantas pegadas carimbadas no tecido do tempo.

Os gregos, postulado que são os pais da filosofia ocidental, se tornaram peritos na arte de produzir conhecimento. Dado ao colossal catálogo de produção erudita, eles elaboraram uma linguagem própria, através da criação de novas palavras que exprimissem o sentido mais depurado do que se queria dizer.

Por isso há no idioma grego múltiplas palavras para designar o sentido e a razão do conhecimento. São vocábulos de caráter específicos que atuam como uma sintonia fina, depurando o significado.

É natural que as histórias do panteão se alinhem com as ciências da Grécia clássica.

Os deuses significavam e geravam significado em todas as direções da produção acadêmica. E a produção do conhecimento passava pelo panteão que de forma sinérgica, por sua vez, passava pela filosofia.

O conhecimento entendido como filho da crença ou opinião pessoal era denominado de ‘doxa’, de onde surgem as palavras: ‘doxologia’, ‘ortodoxo’, ‘heterodoxo’, ‘paradoxo’, entre outras. O conhecimento entendido como resultado do aperfeiçoamento do trabalho físico-intelectual era denominado ‘techné’. Enquanto ‘techné’ é o aperfeiçoamento das artes e ofícios manifestos no mundo visível, ‘epistéme’ era uma definição vinculada ao mundo das ideias, pois buscava as causas e explicação imaterial dos efeitos visíveis na natureza.

Ainda uma última palavra era usada para definir um conhecimento que laborava para além da mente humana, um estado de consciência que dá à experiência a sutil propriedade de reconhecer a verdade através da viagem ao interior do interior, estabelecendo relação com o âmago do ser.

Esse tipo de conhecimento foi chamado pelos gregos de ‘gnosis’, e sem alteração cultural, o tempo preservou essa definição.

‘Gnosis’ é a sabedoria gerada pela iluminação do espírito, lugar onde acontece os fenômenos de relacionamento com o divino e as inspirações do mundo das ideias.

Na senda da ‘Gnosis’ deve-se dar o primeiro passo, que é a busca pela santidade, no sentido de se separar ou se afastar dos prazeres que prendem o homem à matéria. É a radical mudança da ênfase da vida mundana para o aperfeiçoamento do mundo interior, do cosmos exterior para o microcosmo.

É a fuga consciente das correntes que te prendem ao mundo devastado, para o reino da paz, lugar interior que os cabalistas chamam de ‘ponto no coração’ e os cristãos chamam de “a paz que excede todo entendimento” (Fl 4.7).

...Continuação em breve...


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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