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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O BOM SAMARITANO

Lucas 10:25-37
E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

1-    A atitude do Doutor da Lei.

a-    “Levantou-se’’
Essa é uma cortesia social e uma saudação de respeito

b-   “Para testa-lo’’
Um engano interior que provém de um coração corrompido. Hipocrisia.

c-    Chama Jesus de ‘Mestre’.
O uso deste título é uma afirmação de que Jesus é no mínimo igual a ele.


2-    A pergunta do Doutor da Lei.

“O que farei para herdar a vida eterna?”
Olhando superficialmente podemos julgar que a pergunta é sem sentido. Todavia os judeus se julgavam herdeiros da vida eterna por serem descendentes de Abraão.
A obediência à Lei Deus era na maioria dos casos apenas ornamental.

3-    Jesus fala:

“O que está escrito na lei. Como o lês?”
Jesus sugere que o Doutor da Lei cite as escrituras de forma fiel e não apenas faça uma explanação.

“Respondeste bem. Faze isto e viverás.”
a-    Jesus o louva pelo seu bom conhecimento e recitação. Mas será que ele está disposto a agir conforme o que conhece?
O desempenho intelectual é excelente, mas a vida real ainda é uma dúvida.

b-    Jesus devolve a pergunta, e incita o Doutor da Lei responder a si mesmo.
As respostas que recebemos de Deus acerca das nossas perguntas a Ele, sempre estão dentro de nossa gama de conhecimento.
Por isso a necessidade de se conhecer as Escrituras.
Deus vai usar a palavra Dele que está instalada dentro de nós para nos responder. Sempre!

c-    O Doutor da Lei faz uma pergunta a respeito da vida eterna.
Jesus amplia a discussão para a vida toda. 
“Viverás” fala do futuro imediato com continuidade para a vida seguinte.
Ou seja: nossa vida na terra emenda com nossa vida após a morte.
Vida eterna é a partir de já. Sem interrupção.

d-   “Faze”.

É presente do imperativo, significando: continua fazendo.
Não é uma ordenança que cumprimos e recebemos uma premiação por ela. É um estilo de vida. Amor ilimitado a Deus e ao próximo.

A Lei é um padrão que se o homem obedecer continuamente, sem falhar em nada, torna o homem merecedor do céu. Jesus concorda com isso!
Todavia, a Lei que o Doutor da Lei cita estabelece um padrão que ninguém pode alcançar completamente.
O homem sempre vai falhar em algum ponto. E quando o homem falha no menor ponto que seja, todo o castelo construído se desmorona.

4-    “Quem é o meu próximo?”

A Lei esclarece essa pergunta em

Lv 19:17-18
Não odiarás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado.
Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

Gentios não pertencem a esse grupo.
A intenção da pergunta era que Jesus usasse o conhecimento das Escrituras
para lhe responder: “são os seus parentes e pessoas da nação de Israel”.
Recebendo essa resposta, o Doutor da Lei responderia: “eu tenho feito isso. Tenho amado plenamente a essas pessoas”.
Na sua mente hipócrita, o Doutor imagina Jesus respondendo:
“Verdadeiramente cumpriste a Lei”.
Com essa resposta ele voltaria pra casa pavoneando-se diante das pessoas no louvor de suas boas obras.

5-    Jesus vai proferir a parábola. Sua intenção é mostrar:

a-    Amor não vem com endereço. Deus não rotula as pessoas que devemos amar.

b-    A mensagem do Evangelho nos nivela. Somos iguais. Deus não tem filhos prediletos.

c-    O cerne do Evangelho não está entre fazer o certo e o errado. O cerne do Evangelho está entre fazer o certo e fazer o bem.

d-    Lei e Justiça são coisas diferentes. Nem tudo que é legal é justo.
Amor e Justiça são atributos de Deus, legalidade não.
Nós podemos desobedecer uma lei humana, quando o bem do meu próximo está em jogo? A parábola vem nos ensinar que sim!

e-    5 pessoas caminhavam pelo mesmo caminho (sacerdote, levita, samaritano, salteador e o caído). Cada uma fez um caminho diferente.
É CAMINHANDO QUE SE FAZ O CAMINHO. EVANGELHO É VIDA!


UMA OBRA EM 7 ATOS


Ato 1: Os Salteadores

A distancia de Jerusalém a Jericó é 27 km, descendo pelo deserto.
Famosa por milênios de história, nessa estrada sempre houve muitos ladrões.
Existem referencias históricas da época dos cruzados e até de 1857.
A referência ‘quase morto’ é para caracterizar o necessitado como alguém que estava inconsciente, portanto não podia se identificar.
As duas maneiras de identificar alguém na Palestina do século 1, é pela língua falada ou pela forma de se vestir.
O caído está inconsciente e despojado. Sem poder se identificar ou mesmo ser identificado, o homem tinha sido reduzido a apenas um mero ser humano em estado de necessidade.
Naquele estado ele não pertencia a nenhuma classe social ou mesmo a nenhuma classe religiosa.
“QUEM SE DESVIARÁ DE SEU CAMINHO PARA PRESTAR AJUDA?’’


Ato 2: O Sacerdote

O pressuposto natural da parábola é que o Sacerdote vinha a cavalo.
Ele pertencia à mais elevada classe social daquela época e não fazia sentido estar a pé.
Pobres andam a pé. Uma viagem de 27 km feita por um ilustre só poderia ser feita a cavalo.
Certamente o Sacerdote mora em Jericó e serve ao templo em Jerusalem.
No caso, ele havia ministrado seu trabalho no templo e estava voltando para casa. Muitos sacerdotes serviam no templo por 2 semanas e moravam em Jericó.
O mundo em que o Sacerdote vivia é bem explicado por um texto do Eclesiástico (apócrifo da bíblia católica): “porque acharás dobrado mal por todos os bens que lhe fizeres (aos gentios)”.
Desta forma uma ajuda dada a um gentio poderia ser interpretada como uma afronta ao próprio Deus.
O Sacerdote é um prisioneiro do seu sistema legal-religioso-teológico.
a-    Ele não foi testemunha ocular do crime. Como saberia que aquele caído era seu próximo?

b-    Ele serve no templo. E se aquele homem estivesse morto?
No templo, o Sacerdote recebe e distribui dízimos. Se ele se contaminar,
ele não poderá fazer nenhuma dessas coisas. Seus servos e sua família
sofrerão as consequências dos seus atos.

c-    A lei previa 5 níveis de contaminação. O contato com um cadáver estava no topo da lista. Logo abaixo vinha um contato com um não judeu.
Ou seja as duas primeiras opções que estavam no topo da lista estavam provavelmente ali, diante dele.

d-    Estando impuro, o sacerdote tinha que apresentar ao Sumo Sacerdote.
Este o colocava de pé na Porta Oriental e contava a todos o seu pecado.
Uma grande vergonha.

e-    O processo de restauração da pureza ritual era caro e consumia tempo.
Incluia a busca, a compra e a queima de uma novilha vermelha, até tornar-se cinzas. Isso demorava uma semana inteira.
Esses motivos justificam a atitude do Sacerdote.

O Sacerdote luta contra sua tendência de ser um homem bom.

Ele procura evitar o pecado e alcançar a santidade. Seus colegas teriam aplaudido de pé a sua atitude.
Ele tinha a obrigação de passar longe do ferido, afinal o mandamento de não se contaminar era incondicional.
O Sacerdote era vítima de um sistema ético religioso que era um livro de regras. A vida dele era um sistema codificado de “faça” e “não faça”.
Até os dias de hoje essa mentalidade persiste, alegando oferecer segurança de ter respostas rápidas para todos os problemas e interrogações da vida.
As repostas alcançadas nesse sistema dão ao devoto a pseudo segurança de se estar agindo corretamente.
Isso funciona bem até que a pessoa se depara com um homem inconsciente na beira da estrada.
Quando somos impactados por uma situação que coloca em cheque nossas convicções ético religiosas, temos que decidir entre nossa posição no seio da comunidade ou estender a mão livremente ao necessitado.

A escolha do Evangelho não está entre o que é certo e o que é errado.
O Evangelho é aquilo que me habilita a escolher entre o que é certo e o fazer o bem.

O IMPORTANTE NÃO É SER MELHOR DO QUE OS OUTROS.
O IMPORTANTE É SER MELHOR PARA OS OUTROS.

O Sacerdote escolheu o lado da Religião. Que lado nós vamos escolher?


Ato 3: O Levita

O Levita também servia no templo em Jerusalém e morava em Jericó.
Portanto ele, na mesma condição do Sacerdote, estava voltando do culto.

O QUE EU FAÇO COM AQUILO QUE APRENDI NO CULTO?

A atitude do Levita e do Sacerdote mostra que o que eles aprendiam no templo não valia nada quando iam viver a vida real.
A mensagem não tinha vida e não era acoplada à vida. Pertencia ao teatro do templo. E no templo se usava as máscaras da piedade. Na vida real tudo era diferente.
Pra que serve na vida o que eu ensino no templo?
Pra que serve na vida o que eu aprendo no templo?
O Levita não está tão sujeito às leis rituais quanto o Sacerdote. Ao levita era requerido apenas pureza ritual no decurso de suas atividades litúrgicas.
Ele poderia livremente ter ajudado ao necessitado. O homem poderia ser um não judeu ou mesmo poderia morrer em seus braços. Para o Levita esse fato nãos seria tão sério quanto para o Sacerdote.
A negligencia do Levita, quanto a do Sacerdote é responsável para o aumento do estado de piora do caído.
A estrada que ligava Jerusalém a Jericó era uma descida vertiginosa. Não havia vegetação nos acostamentos. Era um caminho estreito. Pessoas num nível mais alto da estrada vêem claramente o que está acontecendo na estrada à sua frente.
A forma como Jesus conta a parábola e a maneira simultânea como os fatos se desenrolam, deixa sub-entendido que o Levita assistiu a atitude do Sacerdote em relação ao homem caído.
O Levita vive seu momento de tensão emocional mas resolve apoiar sua decisão no exemplo do Sacerdote.
Pessoas que se apoiam no legalismo para justificar sua atitudes e pessoas que apoiam suas atitudes, no “bom” exemplo dos chamados santarrões da igreja moderna.
O Sacerdote se apoiou na lei e o levita se apoiou na ignorância de seguir o homem e não a misericórdia. Preferiu copiar do que ser maduro o suficiente para tomar suas próprias decisões.


Ato 4: O Samaritano

Depois de apresentar um Sacerdote e um Levita, o auditório, naturalmente espera um leigo judeu, alguém de uma outra tribo que não fosse a de Levi. Alguem da tribo de Ruben, Gade ou Simeão.
A sequencia é interrompida e Jesus apresenta um odiado Samaritano. Isso foi devastador!
Os Samaritanos são considerados hereges pelos judeus.
E os hereges são mais odiados do que os gentios.
Samaritanos obedecem à Torá. Não são gentios. São consanguíneos dos judeus. Mas interpretam a religião de forma diferente dos judeus.
Flávio Josefo conta que na época de Jesus, os Samaritanos durante a celebração da páscoa, contaminaram o templo espalhando ossos humanos pelo pátio.
Samaritanos eram publicamente amaldiçoados nas sinagogas e os judeus oravam publicamente pedindo a Deus que os Samaritanos não fossem incluídos na vida eterna.
Jesus poderia ter contado a história de um Judeu nobre ajudando a um Samaritano em necessidade, mas uma história onde as classes mais altas da sociedade judaica são execradas e um Samaritano é posto como herói. Isso é de uma coragem que somente nosso Mestre tem.
Seria equivalente um americano contar para o pai de uma pessoa que morreu na tragédia do Word Trade Center, uma história a respeito de um ato de nobreza realizado por Osama Bin Laden.
Jesus atinge um dos sentimentos mais profundos de ódio do auditório, e os expõe.
“A pedagogia de Deus trabalha dessa forma. Situações extremas são os métodos que Deus usa para nos aperfeiçoar. Nossos sentimentos são expostos. Nossas atitudes são confrontadas.”
O Samaritano se arrisca, afinal os ladrões ainda estão por perto.
Os ladrões poderiam poupar um Sacerdote ou um Levita. Mas não hesitariam em assaltar um odiado Samaritano. Todavia é o Samaritano que pula os muros da lei e se move de compaixão. Essa compaixão é imediatamente traduzida em atos concretos.
“AMOR NÃO É SENTIMENTO. AMOR É ATITUDE!”


Ato 5: Os Primeiros Socorros

O óleo e o vinho não são remédios comumente usados para prestar primeiros socorros. O óleo e o vinho eram elementos sacrificiais usados na adoração no templo. E o verbo derramar também vem da linguagem litúrgica.

Salmo 51:16,17
Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos.
Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.

Durante séculos, salmistas e profetas soaram um clamor para que o povo fosse além dos rituais e reagissem adequadamente a tudo o que Deus havia feito por eles. Deus não quer uma adoração mecânica. Que funciona muito bem na igreja, mas não tem conecção com a vida.
Ao abençoar o SEU PRÓXIMO, é o Samaritano quem derrama a verdadeira oferta a Deus.
Mesmo desobedecendo toda a lei. Se o necessitado fosse um judeu, após sua cura o judeu iria responder com ódio e total ingratidão ao Samaritano.
Era uma desonra um judeu ser auxiliado por um samaritano. O Samaritano tem consciência disso, todavia ele não se importa com a reação do ajudado. O amor do Samaritano é desinteressado e não quer nada em troca.
‘O QUE RENDE JUROS É DINHEIRO. O AMOR É DE GRAÇA!’


Ato 6: Transporte para a Estalagem

No Brasil não somos divididos em etnias ou mesmo temos rivalidades civis dentro do território da nação.
Todos já assistimos filmes de faroeste: imagine um índio americano entrando em Dodgie City com um cowboy escalpelado na garupa do cavalo, procurando um hotelzinho e passando a noite a cuidar dele. Ninguem do lugar veria esse ato como algo positivo. Provavelmente o índio não sairia vivo do local, mesmo que tivesse salvado a vida do cowboy.
O mais prudente ao Samaritano era deixar o ferido na estalagem e sair correndo da cidade.
A coragem do Samaritano:
a-    Quando para no deserto e fica a mercê dos ladrões

b-    Ele está disposto a pagar um alto preço pela restauração do ferido.
Primeiro com dinheiro, depois com a própria vida.

c-    Ele continua a pagar o preço na cena final.


Ato 7: O Pagamento Final

A historia poderia ter acabado com o Samaritano levando o ferido para a estalagem e deixando o homem em lugar seguro.
Mas não: O Samaritano compensa as falhas do Sacerdote, do Levita e finalmente faz compensação pelas falhas dos ladrões.

OS ASSALTANTES
O SAMARITANO
Roubaram-no
Paga por ele
Deixaram-no moribundo
Deixa-o sob cuidados
Abandonaram-no
Promete voltar

A cena do Samaritano voltando para terminar o pagamento pelas despesas do necessitado não é apenas decorativa. O ferido não tinha dinheiro. Se ele não pudesse pagar pela estalagem ele poderia ser preso.

SEGUNDO TEMPO


O Doutor da Lei é racionalmente obrigado a responder que o Samaritano é o herói da história.
O que Jesus propõe nessa parábola é que o padrão de obediência é superior ao descrito na lei, e que mesmo que eu nunca o alcance, o padrão continua sendo válido.
Mas o que eu farei para alcançar a vida eterna se não consigo atingir o padrão proposto? O padrão é elevado demais.
A parábola estabelece um padrão ético pelo qual se deve lutar, mesmo que não seja alcançado plenamente. A vida eterna não é merecida. Ela é doada de forma gratuita. A obediência à lei é uma forma de agradecermos a Deus por aquilo que ele nos fez em Cristo.
Jonh Milton era um traficante de escravos que se converteu em meio a uma tempestade em alto mar e se transformou em um pastor no século 17.
Ele conta em seu testemunho que mesmo após muitos anos ainda fechava os olhos e ouvia os gemidos das pessoas que ele traficou e que morreram como escravos.
As pessoas que se perderam por causa da sua ganancia e maldade.
Ele é o compositor do mais famoso hino de todos os tempos: Amazing Grace. –‘ Oh graça maravilhosa que me salvou!’

Quando olho para meu presente eu vejo que não sou quem eu deveria ser. Mas quando olho para o meu passado eu vejo que não sou mais como era antes.
Gradualmente o Evangelho vai me transformando em uma pessoa melhor. A mensagem definitiva da parábola do Bom Samaritano é essa:

PELA GRAÇA DE DEUS EU SOU O QUE SOU.
E SOMENTE POR ELE POSSO TER A VIDA ETERNA.

Finalmente concluímos: A vítima, o sacerdote e o levita estavam voltando do culto.
O que faço na vida com aquilo que aprendi no culto (no templo)?
O levita já deveria ter dirigido o louvor e feito a moçada suar a camisa na aeróbica religiosa.
O sacerdote já tinha pregado o sermão do dia. Mas na rua, onde a vida acontece, isso não serviu para nada, não era uma matéria acoplada à vida, não tinha vida e não tinha nada a ver com a vida.
Era matéria de templo, para uso exclusivo no gueto da igreja.
A lição da parábola passa por aí: o que eu faço na vida, com aquilo que eu apendo no templo, ou para que serve na vida, o ensino do templo.
É nesse hiato entre o religioso e o salvo pela cruz que reside a alma da igreja de Jesus.
O religioso cuida de coisas. O salvo cuida de pessoas. A religião tende a coisificar pessoas e personificar coisas.
O cristão entende que o ser humano está acima do ritual, e que entre fazer o que é certo e fazer o bem, Jesus orienta a fazer o bem.
Que vantagem pode existir em saber coisas que não são vividas.
O significado da existência reside muito mais no que eu vivo do que naquilo que eu sei.
A verdadeira sabedoria se estabelece em função de experiências pessoais nos mais profundos níveis da vida.
Essa jornada conduz o homem a profundas descobertas interiores e espirituais, uma viagem mais importante e mais essencial que a jornada do homem à lua.

De nada adianta viajar até a lua se não conseguimos cruzar o abismo que nos separa do nosso próximo e por conseguinte, de nos mesmos.

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M. e. César de Aguiar

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A PARÁBOLA DOS TRES PÃES



Lucas 11:5-8

5 Disse-lhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,

6 Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;

7 Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar;

8 Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.


Essa parábola que vamos estudar foi contada para uma platéia que a entendeu provavelmente de duas formas diferentes.

A primeira forma: É UMA PARÁBOLA SOBRE A ORAÇÃO.
A segunda forma: É UMA PARÁBOLA SOBRE O PLANO DA SALVAÇÃO.

Hoje trataremos da segunda forma!
OS SERES HUMANOS NÃO GOSTAM DE ADMITIR QUE ESTÃO DESESPERADOS.

ESTA PARÁBOLA NOS ENSINA QUE QUANDO ADMITIMOS NOSSO DESESPERO, O REINO DO CEU SE APROXIMA.



Personagem 1 – O VIAJANTE

O viajante seguia pela noite fria para escapar do calor do dia. Chegou noite alta e ele ainda não havia chegado ao seu destino. 
O relógio marcou meia noite e ele avistou um vilarejo onde ele conhecia uma pessoa que ali morava. O viajante estava com fome, com frio e muito cansado.

Esse homem está no caminho certo, mas ao mesmo tempo está perdido. 
Embora esteja na estrada certa, a falta de ajuda naquela noite pode ser o fim da viagem inteira.

Esse viajante à meia noite é um símbolo de todos nós. 
Estamos, cansados e com fome.

Se não obtivermos ajuda, estaremos perdidos!

O homem mesmo com toda a tecnologia está mercê da destruição total e tem feito isso enquanto destrói a natureza e financia guerras.

Ele chegou na casa dessa pessoa e pediu local para ficar. Ele foi atendido por esse conhecido 
que cheio de boa vontade foi avisando: eu não tenho nada que lhe oferecer. 

Estamos à meia noite. O mundo está fervilhando de destruição. Ebola na África. Guerra na Síria. Crise econômica no mundo inteiro. Fome e guerra civil em vários países do mundo.
Não vai surgir nenhuma mente brilhante com a solução. É meia noite. E nada vai melhorar. 
Vai ficar pior. Até a volta de Jesus tudo vai ficar cada vez pior.A única salvação do mundo não é a ONU ou qualquer político mundial. É Jesus!
E quando Ele voltar, não será como a primeira vez, que Ele veio como cordeiro manso.
Ele virá como Leão da Tribo de Judá, coroado como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Para dizer: - BASTA!



Personagem 2 – O HOSPEDEIRO

Ao ver a hora avançada em que o viajante chegou, o seu amigo percebeu o problema. 
No fim do dia, após todos os de sua casa se alimentarem, não havia mais pão, e agora todos já descansavam. Na manhã seguinte eles assariam mais pão para o consumo de mais um dia. 
A falta de pão para um visitante era uma censura insuportável para um oriental.
E, não ter nada a oferecer é uma vergonha muito grande para o palestino do século 1.
Que situação! 
Se recusasse alimentar seu amigo viajante, faltaria com as normas do bom receber. 
Se fosse procurar o vizinho, certamente o incomodaria.
Á meia-noite ele foi chamar à porta de seu vizinho, exatamente como o viajante chamara na sua.
O viajante chega e diz: “- é meia-noite, me ajude!’’
O amigo hospedeiro diz: ‘’- entre, mas é meia-noite e não tenho nada para dar!”



Personagem 3 – O AMIGO INDISPONÍVEL

O hospedeiro vai até a casa do vizinho, que também é seu amigo. 
Mas a porta está fechada.
As casas de Israel eram muito pequenas, especialmente nas áreas rurais.
Na maioria das vezes consistiam de apenas um cômodo usado como sala de jantar e dormitório. As casas tinham apenas uma porta que ficava aberta durante todo o dia, 
mas quando chegava a noite, o chefe da família corria várias trancas na porta para se proteger de ladrões e intrusos.
Esteiras eram espalhadas pelo chão e eram usadas como camas. 
Toda a família dormia. Tinha que se levantar, acordar os filhos, ascender a lamparina, achar o pão, retirar todas as travas da porta. Seria muito mais fácil que o vizinho desaparecesse na escuridão.
Ele chama o vizinho de amigo, provavelmente para desencorajar qualquer resposta zangada.
Não era comum, vizinhos chamarem o outro no meio da noite.
- AMIGO, EMPRESTA-ME TRES PÃES!
Tres pães eram refeição suficiente para uma pessoa.
Do lado de fora, o vizinho explica toda a história ao amigo, na tentativa de sensibiliza-lo.
O problema não era a quantidade de pães pedida. Era o horário!
O amigo não pode abrir a porta. O vizinho mostrou má vontade, 
não falta de condições de atender o pedido.

“EU NÃO TENHO NADA PARA DAR”.

O pecado ofendeu a Deus e a justiça clamava por satisfação.A morte do pecador é a satisfação da ira de Deus. Jesus deixou a glória do céu e se humilhou, encarnando na figura de homem nascendo da virgem Maria. Mas nascer da virgem Maria não é o suficiente para nos salvar.
Jesus viveu uma vida sem pecado. E isso é maravilhoso demais até para nossa compreensão. Mas pureza de vida não é suficiente para nos salvar.
Jesus era Deus, mas nunca realizou curas e milagres como Deus, Ele nunca enfrentou o diabo como Deus. Ele fez tudo como homem.Ele era Deus mas enfrentou tudo como homem.
MAS ISSO NÃO SALVOU NENHUMA ALMA. NENHUMA.
Como profeta não podia salvar. Como sacerdote não podia salvar. Como rei não podia salvar.
PRECISAVA DE UM PERFEITO SACRIFÍCIO.
Um sacrifício que fosse compensação pelos pecados do homem. O que vai ser dito agora é chocante. Talvez uma das coisas mais chocantes que você já ouviu em sua vida.
O AMIGO SEM NADA PARA DAR ERA JESUS CRISTO.
- Mas Jesus era Deus! Porque Ele não podia fazer nada?
Sim! Mesmo sendo homem Jesus nunca deixou de ser Deus.
Jesus naquele momento era Deus. 
Mas Ele não podia simplesmente baixar um decreto 
e resolver os problemas da humanidade apenas com uma ordem sua.
Havia um problema legal a se resolver. 
SOMOS SALVOS DA IRA DE DEUS.
O sangue de Jesus é a única maneira do homem ser salvo.

A PORTA ESTAVA FECHADA POR 10 TRINCOS. As 10 barras da porta, chamada de 10 mandamentos... FECHADA, FECHADA... 
Mas a situação do homem é insistente além da conta. 
A palavra grega que descreve a atitude do vizinho pedinte é: ANAIDEIA, que significa FALTA DE VERGONHA.
O que esse vizinho faz, na porta da casa do outro é tão absurdo que a descrição de Jesus para ele era de FALTA DE VERGONHA mesmo.
Por nós, Jesus agiu de forma extrema. Com sua vida Jesus obedeceu toda a lei.
Cometeu a loucura de entregar-se por nós voluntariamente, mesmo sem merecermos!
Ele dá a sua própria vida. Oferece um sacrifício perfeito por mim e por você.
Judas não foi o primeiro traidor. Nem foi o último traidor.Judas é apenas o mais famoso.
O certo é que Ele enfrentou tudo sozinho. Por isso a porta é aberta - TOME TUDO O QUE PRECISA E LEVE AO SEU AMIGO.
Jesus tomou tudo em suas mãos: Redenção, Salvação, o Espírito Santo, os dons do Espírito, a experiência do novo nascimento e trouxe ao seu amigo.
Quando uma pessoa trazia sua oferta pelo pecado, o sacerdote não olhava para a pessoa.
O sacerdote olhava para o cordeiro. No caso do cordeiro ser perfeito, esse era sacrificado e a pessoa ofertante era perdoada.
Aproximar de Jesus produz, inicialmente uma grande convicção de pecado. 
É como estar totalmente sujo de carvão em um ambiente onde as paredes, o teto e o chão é totalmente branco.
Jesus sempre vai trazer à tona o pecado reprimido. 
Se você se aproximar dele com humildade, você não será condenado. 
Ele perdoa todo o pecado francamente reconhecido.

A disposição de Cristo indo para a cruz por causa de você é maior do que a sua disposição de ir ao trono da graça de Deus.
Ele teve mais disposição em providenciar a salvação do que você tem para ser salvo.

ISSO É O EVANGELHO!

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M.e. César de Aguiar

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A PARÁBOLA DA SEMENTE DE MOSTARDA






Lucas 13:18-19
18 E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei?
19 É semelhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.



Chamamos de evangélico uma pessoa que conhece e vive o Evangelho.
Mas será que a maioria das pessoas que são chamadas de evangélicos realmente
conhecem e vivem o verdadeiro Evangelho?
Acredito que não!
Porque os evangélicos atuais estão se sentindo tão impactados pela mensagem do Evangelho?
Porque quando a mensagem viva é pregada, muitos crentes ficam impactados e grande parte deles se sentem até mesmo ofendidos?

Na Parábola dos Dois Filhos, o Filho Mau (muito conhecido pelo apelido de Filho Pródigo), fez uma jornada do chiqueiro até a casa do Pai.
Na casa do Pai, o Filho Mau participa do banquete, mas o Filho Mais Velho, o Filho Bom não acompanha Pai e Filho na festa que comemorava a volta do Irmão que estava Perdido.

Nessa Parábola, vemos que o amante das meretrizes é redimido, mas o Filho Bonzinho,
o homem de retidão moral e princípios éticos elevados continuou perdido.
Os Fariseus e Mestres da Lei do tempo de Jesus entendiam a relação com Jesus apenas através das lentes do mérito e demérito.
Eles anunciavam que se uma pessoa fosse muito boazinha e cumprisse todas as normas da igreja, essa pessoa seria salva.
Mas se a pessoa fosse uma pecadora e não obedecesse a lei de Moisés, essa pessoa estava perdida.
O que Jesus afirmava ser o Evangelho era algo assustadoramente diferente do que a religião pregava.

A religião dizia: Se você for muito obediente, e se você freqüentar os cultos, e se você honrar o templo com suas ofertas, e dar dízimos e primícias e ser um bom discípulo do seu Mestre, você está dentro.

Mas se você não seguir a visão do líder da sua igreja, se você ficar faltando nos cultos
e se você não for um bom ofertante, primiciante e dizimista, você está fora.

Todavia o Evangelho que Jesus pregava era diferente: Se você for um pecador perdido
Que se arrepende dos seus maus caminhos, você está dentro.
Se você reconhece que por suas próprias obras jamais poderá alcançar a graça de Deus, você está dentro.

Mas se você, ao fazer tudo certinho, se sentir orgulhoso e se posicionar de forma superior ao seu próximo, você está fora.

O Evangelho diz: os humildes estão dentro e os orgulhosos estão fora.

Em muitas comunidades cristãs o conceito da meritocracia ainda não foi abolido.
Para estabelecimento de um sistema que faça sentido lógico, quase matemático,
muitas comunidades cristãs interpretam o Evangelho pela mesma lente que os fariseus interpretavam a lei.
As comunidades cristãs modernas estão muito competentes em formarem fariseus orgulhosos e não publicanos arrependidos.
As comunidades cristãs atuais se especializaram em formar uma membresia que se orgulha das obras que pratica. E que toca trombeta para todas elas.
E isso é facilmente explicado, quando vemos que dentro de cada um de nós existe um deus cujo nome é o nosso próprio nome.
Quando nós mesmos nos assentamos no trono da nossa própria vida, passamos a ficar satisfeitos com honra, louvor e reconhecimento.
Por isso que muitas comunidades cristãs atuais, para se manterem vivas na sociedade contemporânea estão tendo que aderirem às aspirações vaidosas do homem.

É A PRÁTICA DO MERCADO.

A igreja está se tornando experimentável. Cultura de entretenimento dominical.
SERÁ QUE SOMOS CRISTÃOS VERDADEIROS?
OU SERÁ QUE O ÚNICO CRISTÃO VERDADEIRO MORREU NA CRUZ?
MAS SERÁ QUE JESUS ERA CRISTÃO?

O reino que Jesus pregava não levava o homem a um trono, mas a uma cruz.

Quando seus seguidores perceberam isso, eles ficaram chocados. E cada um deles o abandonou e se esgueiraram nas trevas.


O QUE É O REINO DE DEUS?

Lucas 13:18 – “E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei?”

Essa era a curiosidade dos discípulos.
Você também tem essa curiosidade?
Você sabe o que é o reino de Deus?
Essa é uma das Parábolas que denominamos como Parábolas do Reino.
O objetivo das Parábolas do Reino é esclarecer o que é o Reino de Deus.
Existem pessoas que pensam que o Reino de Deus é o mesmo que a Igreja, mas esse pensamento está errado.
A Igreja está inserida no Reino de Deus, todavia o Reino de Deus é bem mais abrangente.
É como se a igreja fosse um pequeno peixe, e o Reino fosse o imenso mar.
Jesus nos conta uma história sobre a dimensão de Malkut.


 O GRÃO DE HORTALIÇA QUE VIRA ÁRVORE

Lucas 13:19 – “É semelhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu”.

Mostarda é uma hortaliça. É uma espécie absolutamente diferente de árvore.
Alguém pode dizer: “mas é tudo planta!”
Isso não justifica a menção do texto pois é equivalente a dizer que girafa é igual a hipopótamo, dizendo que é tudo bicho.
Hortaliças e árvores são espécies totalmente diferentes.Trata-se de uma aberração, pois a Bíblia diz
Genesis 1.11 - “E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi”.
“segundo a sua espécie”
Fora disso é aberração.


 A SEMEADURA – TRABALHO NO CAMPO

“um homem, tomando-o, lançou na sua horta”

O campo é onde a semente é semeada. A horta dos mundos é o nosso mundo.
É essa dimensão onde você vive. Aqui é a horta que produzirá a hortaliça que chegará a Malkut – o Reino.
Nessa dimensão onde vivemos, sofremos oposição do mundo, a carne e do diabo.
Essa gang do mal se uniu para se opor a tudo que é proveniente de Deus.
O mundo não é um solo adequado para lançar sementes e promover o crescimento do Cristianismo.
O MUNDO É UM LUGAR INÓSPITO.

A maioria das sementes se perdem. Solos pedregosos matam a semente. Aves do céu roubam a semente. Espinhos ao longo do terreno sufocam a semente.
Todavia é no limbo do mundo que a semente foi lançada.
Ao longo da história, a Igreja começou a se organizar em denominações, e a partir de então ela parou de se comportar como igreja e começou a se portar como organização.
Mudou a ênfase que deveria ser A SEMENTE SEMEADA, para a ÁRVORE QUE CRESCE.
Ao invés de se preocupar com o lançamento da semente, a ORGANIZAÇÃO passou a se preocupar com crescimento numérico custe o que custar.
Parece que o mais importante é a organização de grandes denominações, imensos ajuntamentos de pessoas, criação de instituições e levantamento de placas.
A pregação tem deixado de ser cristocêntrica e se tornado antropocêntrica.

A IGREJA TEM A OBRIGAÇÃO DE APRESENTAR AO PECADOR UMA VISÃO REAL DE QUEM É DEUS.
QUEM SE CONVERTE, CONVENCIDO POR MENTIRAS, NÃO SE CONVERTE A JESUS, MAS A UMA ILUSÃO.


O RESULTADO DO CRESCIMENTO

Mt 13.32: “e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.”
 “se aninham nos seus ramos.”

Ramo é subdivisão de galho. O Evangelho é simples – pequeno como a semente de mostarda.A semente de mostarda eclode e produz um resultado muito rápido.
Mas existe algo errado! O que era pra ser hortaliça, se parece com árvore.
Existe a essência e a aparência. A essência é o que deve ser o resultado da semente do grão de mostarda, todavia a aparência é uma aberração.
Nesse sentido, essa parábola possui elementos proféticos.Jesus está se referindo ao sincretismo religioso que invadiria a igreja.
Existe o que o Evangelho É! E existe o que a religião faz o Evangelho se parecer.
Quem pensa que o Reino de Deus é a expansão da religião, acredita numa aberração e não no Evangelho.
A igreja contaminada pela falsa pregação admite a presença de criaturas estranhas que se aproveitam da sombra e do conforto que ela produz.


OS PÁSSAROS.

"vêm os pássaros do céu, e se aninham nos seus ramos.”

pássaro não é árvore.
PÁSSARO É APROVEITADOR DE ÁRVORES.
Em toda a Bíblia, aves do céu simbolizam satanás e aqueles que estão sob seu poderio.
Os pássaros são usados na parábola do semeador para designar a ação do diabo sobre a semente lançada.
Na parábola do semeador o diabo devora a semente. Nessa parábola o diabo produz uma mutação genética na semente.
A árvore cresceu porque as aves fizeram ninhos? - Claro que não! Pássaros fazem ninhos porque a árvore cresceu.

A história eclesiástica nos mostra que o crescimento externo da igreja sempre abrigou o mal. Foi assim no início da historia da igreja: A igreja primitiva era perseguida e se manteve santa enquanto durou a perseguição.
Quando um imperador romano chamado Constantino resolveu parar de perseguir a igreja e a tornou objeto de sua proteção, a igreja foi vítima de todo tipo de influência pagã e todo tipo de acréscimo de heresias em sua dogmática.
Foi nesse tempo que surgiu a partir da IGREJA, um paralelo da igreja verdadeira.
Historicamente a mutação genética aconteceu ali.
Nesse momento histórico surgiu A ORGANIZAÇÃO.

ORGANIZAÇÃO NÃO É ORGANISMO.
CRISTIANISMO É ORGANISMO.

Organização não tem vida própria... é uma empresa.
Organismo é vida... é um corpo.
A IGREJA É O CORPO DE CRISTO.
O CORPO DE CRISTO NÃO É UMA ORGANIZAÇÃO.
O CORPO DE CRISTO É UM ORGANISMO VIVO.

Quem está no organismo, deveria sim frequentar a organização e obedecer a sua denominação nos limites da Palavra de Deus.
Mas não se trata de obediência cega! Quem está na essência do Reino, não aceita passivamente tudo que é dito.
O ORGANISMO – A IGREJA VERDADEIRA – busca a vontade de Deus expressa em sua Palavra.
ORGANIZAÇÃO é um sistema invisível que objetiva fazer a vontade do homem, buscando nas Escrituras, brechas que fazem parecer que aquilo que o homem quer, Deus também quer.

CONCLUSÃO

É isso que o diabo faz: procura um ramo e nele faz ninho.
O diabo quer habitar na igreja. E ele não faz isso de forma descarada e escandalosa.
Ele procura um ramo e se aninha nele.


O diabo quer dominar a sua mente no vazio deixado pela falta do conhecimento das Escrituras. Quer aproveitar o vazio da sua mente para colocar nela todo sistema de pensamentos, que se parece com o Evangelho. Mas que não é o Evangelho! Ele quer habitar a igreja através do que você tem na cabeça.

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