domingo, 21 de junho de 2026

GUERRA DE SEMENTES

 



“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3:15). Da boca do próprio Deus partiu a proclamação do início da guerra. Era o próprio Criador quem ordenava o conflito: “e porei...”.

Para muito além de nossas preferências teológicas e dogmáticas, o que vamos relatar é a visão do Gênesis bíblico que conta a história a partir da intimidade do Criador.

A mulher iria ter uma descendência e por sua vez a Serpente também teria sua descendência. A guerra de sementes é o nome do conflito que nunca acabou. Os descendentes da serpente lutariam contra os descendentes da mulher até eliminá-los por completo.

Os relatos da criação são distorcidos em função do estabelecimento dos reinos mais primitivos desse planeta. Do lado Sumério, a distorção era o esperado, afinal aquele povo não era descendente da raça adâmica pura.  Eles foram os primeiros proclamadores da Religião da Serpente e se tornaram o exército físico das legiões das trevas, do mundo espiritual.

Enquanto a geração da serpente evoluía e construíam cidades, a geração de Seth permanecia afastada da evolução, habitando regiões modestas e bem longe das metrópoles.

Buscando a proteção que existe nas distâncias geográficas, os descendentes de Seth não construíram povoações urbanas, optando por viverem longe do movimento das grandes cidades-estado da época.

O capítulo 6 de Gênesis nos apresenta um bom motivo para que os filhos da descendência de Seth vivessem ocultos da civilização: a terra estava habitada por gigantes e seres valentes, que perseguiam a raça pura de Adão.

No calor da aguerrida peleja os descendentes da mulher estavam em desvantagem. A semente da mulher era ferozmente perseguida pela semente da serpente, que buscava a destruição do povo eleito de Deus (Gn 3.15).

As inscrições e desenhos sumérios encontrados em tábuas de argila e paredes de seus templos e zigurates são provas arqueológicas que confirmam a existência de seres com formas e tamanhos incríveis, verdadeiros gigantes que andaram pela terra.

O dilúvio, no tempo de Noé foi um cataclismo que buscava eliminação da numerosa população da descendência da serpente. A serpente, usando o exército físico de sua geração, sempre buscou eliminação do povo que trazia sobre os lombos a semente do Messias.

Conforme mencionado pelo próprio Deus, no apogeu dos tempos o Messias destruiria definitivamente a serpente, a sua descendência e limparia todo mal da face do planeta. Motivado por isso, Lúcifer, usando o codinome de deuses de aparências esquisitas, usava seus súditos terrenos para perseguir, atacar e eliminar o povo que iria trazer o Messias a esse mundo.

Do lado da descendência de Seth, vez por outra, ao longo de sua história, levantava-se uma personalidade de fé para manter acesa a divina chama. Enos (Gn 4.26) foi um desses homens, Enoque (Gn 5.24) foi outro. Mais adiante temos Noé, através do qual o mundo passou por uma drástica transformação.

O dilúvio não tinha caráter definitivo.

Ele era uma intervenção de Deus que objetivava salvar da morte iminente a família de Noé, que naquele momento da história era a única família sobrevivente dos descendentes de Seth.

Dentre outras finalidades, o dilúvio foi uma forma usada por Deus para vencer a guerra por Noé.

Devido o dilúvio não ter funcionado com um caráter definitivo, esses gigantes reaparecem, sendo mencionados novamente na história, nos dias de Moisés (Nm 13.33; Dt 9.2), e até nos dias de Davi (2 Sm 21.22).

Do lado da ordem messiânica existiram homens piedosos que atuaram como verdadeiros oráculos. Eles mantiveram acesa a divina chama e velaram pela pureza dos relatos mais primitivos, ouvidos diretamente da boca de Adão, que viveu o contato direto com Deus, do lado de fora e posteriormente, do lado de dentro do Jardim do Éden.

Não há nada de espantoso quando os relatos da Torá se tornam parecidos com o relato do Enuma Elish, afinal, ambos são o mesmo relato.

Os dois relatos são a mesma história, com uma sutil diferença que muda absolutamente tudo! A Torá é o relato da Religião de Deus, ditado pela boca de Deus; o Enuma Elish é o relato da Religião da Serpente, escrito segundo a vaidade de seus protagonistas.

Como perito em enganação e fazendo o que faz de melhor, o Diabo falsificou o relato da criação adaptando a verdadeira história do Gênesis. O serviço era fazer com que o Enuma Elish ficasse o mais parecido possível com o relato de Deus no Gênesis.

Estudar o relato babilônio é importante no sentido de nos mostrar que até os mais antigos relatos, ao citarem a criação, concordam com os principais elementos primordiais. Isso nos mostra que as descobertas arqueológicas estão em sintonia com as reflexões que apresentamos nesse livro. Todos os relatos mais antigos citam os mesmos eventos essenciais e todos concordam que a matéria prima elementar usada para formar o universo, em todas as principais cosmogonias foi sempre a mesma.

Em todas as Cosmogonias a ‘Água’ desempenha sempre o mesmo papel essencial.  É sempre a água a base e a fonte ‘geradora’ de toda existência material.

É na água que tudo começa. E essa não é a constatação isolada das cosmogonias.

A ciência moderna também afirma que o Universo começou como um líquido; uma sopa de quark-glúons a partir de onde tudo veio à existência.

 

Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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