quinta-feira, 25 de junho de 2026

COSMOGONIA BABILÔNICA


O Enûma Eliš é o relato da criação conforme acreditavam os povos da Babilônia.

Quando a tradição oral daquele povo foi reunida na forma de sete tábuas de argila, ela traduzia apenas a essência daquilo que eles acreditavam.

A maioria dos estudiosos datam o Enuma Elish para o ano de 1.110 a.C., mas todos concordam que a fé babilônica é mais antiga que o próprio povo babilônio.

Os babilônios são descendentes de uma das raças mais antigas desse planeta, o povo Sumério. Entre outras coisas, os babilônios herdaram principalmente a cultura e a religião da Suméria.

De forma muito parecida com o surgimento do povo de Israel, o povo babilônico também surgiu a partir de sua fé. É impossível estudar a história desses povos sem que de antemão se conheça a religião deles.

A Babilônia é muito mais antiga que Israel, tanto que o Pai da nação israelita, Abraão, quando foi chamado por Deus, era um morador de Ur, uma cidade-estado que ficava na antiga Suméria e que posteriormente passou a pertencer à Babilônia.

O nome ‘Babilônia’ provém da língua acadiana e significa ‘Porta dos Deuses’, demonstrando o caráter politeísta de suas crenças, fortalecendo a constatação de que a fé era a marca mais importante daquele povo.

Ao estudar a crença dos babilônios, rapidamente detectamos pontos em comum com os relatos do Gênesis bíblico. À primeira vista essas semelhanças nos parecem espantosas, e por causa delas durante muito tempo persistiu uma discussão no meio acadêmico para eleger quem veio primeiro, se a descrição do Gênesis ou o relato do Enuma Elish.

Embora o texto da Torá tenha sido escrito primeiro (aproximadamente 1.500 aC), que o Enuma Elish (aproximadamente 1.100 aC), a tradição oral dos Babilônios, herdada do povo Sumério é tão antiga quanto a tradição oral dos descendentes de Seth, filho de Adão.

Alguns estudiosos afirmam que ao escrever a Torá, o texto de Moisés foi influenciado pela tradição oral dos babilônios, alegando que, sendo Moisés príncipe do Egito, ele teve acesso às melhores escolas egípcias e estudou todas as tradições religiosas do mundo.

Não cremos que a tradição oral da babilônia tenha exercido influência direta sobre o trabalho de Moisés quando ele escreveu a Torá. Acreditamos sim, que Moisés reconheceu os traços de similaridade entre as duas tradições, afinal, o Príncipe do Egito era extremamente culto e versado em ciência da religião.

Naturalmente, conforme o relato das Escrituras, entendemos que no Monte Sinai, o próprio Deus ditou a versão correta a Moisés. Imediatamente ele notou semelhanças com as cosmogonias existentes, mas naquele momento de sua vida, em função de suas dolorosas experiências pessoais, que o amadureceram sobremaneira, Moisés estava pronto para se calar e escrever, enquanto ouvia a versão diretamente da boca do Criador.

Ainda mais antigo que o texto escrito da Torá, existia uma tradição oral que perpetuava as histórias da criação. Essa tradição foi iniciada com o primeiro homem que contou a seu filho, que por sua vez contou ao neto. Dessa forma o relato se perpetuou sofrendo alterações em função da vaidade dos reinos humanos.

Cada um foi acrescentando dados e novos relatos às histórias com a finalidade de asseverar o poderio de seu respectivo governante. Afinal era muito comum aos povos antigos misturar a vida de seus imperadores às histórias dos deuses, criando uma mitologia que endeusava dinastias, reis, imperadores, faraós e heróis de guerra.

A semelhança do Enuma Elish com o relato do Gênesis pode ser entendido a partir do estudo da aurora das civilizações. A Suméria é tão antiga quanto a Torre de Babel e sua cultura se formou junto com o surgimento dos primeiros homens. O povo Sumério e o povo judeu vieram da mesma raiz. Todos eram descendentes de Adão e certamente beberam da mesma fonte das tradições que eram passadas de pai para filho.

Acontece que os descentes de Adão seguiram por caminhos diferentes. A genealogia de Adão mostra que Caim (Gn 4.16), seguiu pelo caminho da desobediência, enquanto Seth continuou junto com seu Pai. As escolhas desses homens fizeram com que eles se afastassem geograficamente uns dos outros. Caim se estabeleceu na terra de Node, que naquele tempo já era habitada e estava em pleno desenvolvimento.

Na terra de Node, Caim construiu sua própria cidade e a chamou de Enoque, conforme o nome do seu filho (Gn 4.17).

Todos esses homens, os bons e os maus, ouviram de seus ancestrais as histórias que contavam como o Criador havia formado todas as coisas. Essas histórias se popularizaram e com o passar do tempo foram sendo distorcidas ao bel prazer de seus soberanos.

 

Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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