O Enûma Eliš é o relato da criação conforme acreditavam os povos da Babilônia.
Quando a tradição oral daquele povo foi reunida na forma de sete tábuas
de argila, ela traduzia apenas a essência daquilo que eles acreditavam.
A maioria dos estudiosos datam o Enuma Elish para o ano de 1.110 a.C.,
mas todos concordam que a fé babilônica é mais antiga que o próprio povo
babilônio.
Os babilônios são descendentes de uma das raças mais antigas desse
planeta, o povo Sumério. Entre outras coisas, os babilônios herdaram
principalmente a cultura e a religião da Suméria.
De forma muito parecida com o surgimento do povo de Israel, o povo
babilônico também surgiu a partir de sua fé. É impossível estudar a história
desses povos sem que de antemão se conheça a religião deles.
A Babilônia é muito mais antiga que Israel, tanto que o Pai da nação
israelita, Abraão, quando foi chamado por Deus, era um morador de Ur, uma
cidade-estado que ficava na antiga Suméria e que posteriormente passou a
pertencer à Babilônia.
O nome ‘Babilônia’ provém da língua acadiana e significa ‘Porta dos Deuses’,
demonstrando o caráter politeísta de suas crenças, fortalecendo a constatação
de que a fé era a marca mais importante daquele povo.
Ao estudar a crença dos babilônios, rapidamente detectamos pontos em
comum com os relatos do Gênesis bíblico. À primeira vista essas semelhanças nos
parecem espantosas, e por causa delas durante muito tempo persistiu uma
discussão no meio acadêmico para eleger quem veio primeiro, se a descrição do
Gênesis ou o relato do Enuma Elish.
Embora o texto da Torá tenha sido escrito primeiro (aproximadamente
1.500 aC), que o Enuma Elish (aproximadamente 1.100 aC), a tradição oral dos
Babilônios, herdada do povo Sumério é tão antiga quanto a tradição oral dos
descendentes de Seth, filho de Adão.
Alguns estudiosos afirmam que ao escrever a Torá, o texto de Moisés foi
influenciado pela tradição oral dos babilônios, alegando que, sendo Moisés
príncipe do Egito, ele teve acesso às melhores escolas egípcias e estudou todas
as tradições religiosas do mundo.
Não cremos que a tradição oral da babilônia tenha exercido influência
direta sobre o trabalho de Moisés quando ele escreveu a Torá. Acreditamos sim,
que Moisés reconheceu os traços de similaridade entre as duas tradições,
afinal, o Príncipe do Egito era extremamente culto e versado em ciência da
religião.
Naturalmente, conforme o relato das Escrituras, entendemos que no Monte
Sinai, o próprio Deus ditou a versão correta a Moisés. Imediatamente ele notou
semelhanças com as cosmogonias existentes, mas naquele momento de sua vida, em
função de suas dolorosas experiências pessoais, que o amadureceram
sobremaneira, Moisés estava pronto para se calar e escrever, enquanto ouvia a
versão diretamente da boca do Criador.
Ainda mais antigo que o texto escrito da Torá, existia uma tradição oral
que perpetuava as histórias da criação. Essa tradição foi iniciada com o
primeiro homem que contou a seu filho, que por sua vez contou ao neto. Dessa
forma o relato se perpetuou sofrendo alterações em função da vaidade dos reinos
humanos.
Cada um foi acrescentando dados e novos relatos às histórias com a
finalidade de asseverar o poderio de seu respectivo governante. Afinal era
muito comum aos povos antigos misturar a vida de seus imperadores às histórias
dos deuses, criando uma mitologia que endeusava dinastias, reis, imperadores,
faraós e heróis de guerra.
A semelhança do Enuma Elish com o relato do Gênesis pode ser entendido a
partir do estudo da aurora das civilizações. A Suméria é tão antiga quanto a
Torre de Babel e sua cultura se formou junto com o surgimento dos primeiros
homens. O povo Sumério e o povo judeu vieram da mesma raiz. Todos eram
descendentes de Adão e certamente beberam da mesma fonte das tradições que eram
passadas de pai para filho.
Acontece que os descentes de Adão seguiram por caminhos diferentes. A
genealogia de Adão mostra que Caim (Gn 4.16), seguiu pelo caminho da
desobediência, enquanto Seth continuou junto com seu Pai. As escolhas desses
homens fizeram com que eles se afastassem geograficamente uns dos outros. Caim
se estabeleceu na terra de Node, que naquele tempo já era habitada e estava em
pleno desenvolvimento.
Na terra de Node, Caim construiu sua própria cidade e a chamou de
Enoque, conforme o nome do seu filho (Gn 4.17).
Todos esses homens, os bons e os maus, ouviram de seus ancestrais as
histórias que contavam como o Criador havia formado todas as coisas. Essas
histórias se popularizaram e com o passar do tempo foram sendo distorcidas ao
bel prazer de seus soberanos.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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