“E porei inimizade entre ti e a
mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu
lhe ferirás o calcanhar” (Gn
3:15). Da boca do próprio Deus partiu a proclamação do início da guerra. Era o
próprio Criador quem ordenava o conflito: “e
porei...”.
Para muito além de nossas preferências teológicas e dogmáticas, o que
vamos relatar é a visão do Gênesis bíblico que conta a história a partir da
intimidade do Criador.
A mulher iria ter uma descendência e por sua vez a Serpente também teria
sua descendência. A guerra de sementes é o nome do conflito que nunca acabou.
Os descendentes da serpente lutariam contra os descendentes da mulher até
eliminá-los por completo.
Os relatos da criação são distorcidos em função do estabelecimento dos
reinos mais primitivos desse planeta. Do lado Sumério, a distorção era o
esperado, afinal aquele povo não era descendente da raça adâmica pura. Eles foram os primeiros proclamadores da
Religião da Serpente e se tornaram o exército físico das legiões das trevas, do
mundo espiritual.
Enquanto a geração da serpente evoluía e construíam cidades, a geração
de Seth permanecia afastada da evolução, habitando regiões modestas e bem longe
das metrópoles.
Buscando a proteção que existe nas distâncias geográficas, os
descendentes de Seth não construíram povoações urbanas, optando por viverem
longe do movimento das grandes cidades-estado da época.
O capítulo 6 de Gênesis nos apresenta um bom motivo para que os filhos
da descendência de Seth vivessem ocultos da civilização: a terra estava
habitada por gigantes e seres valentes, que perseguiam a raça pura de Adão.
No calor da aguerrida peleja os descendentes da mulher estavam em
desvantagem. A semente da mulher era ferozmente perseguida pela semente da
serpente, que buscava a destruição do povo eleito de Deus (Gn 3.15).
As inscrições e desenhos sumérios encontrados em tábuas de argila e
paredes de seus templos e zigurates são provas arqueológicas que confirmam a
existência de seres com formas e tamanhos incríveis, verdadeiros gigantes que
andaram pela terra.
O dilúvio, no tempo de Noé foi um cataclismo que buscava eliminação da
numerosa população da descendência da serpente. A serpente, usando o exército
físico de sua geração, sempre buscou eliminação do povo que trazia sobre os
lombos a semente do Messias.
Conforme mencionado pelo próprio Deus, no apogeu dos tempos o Messias
destruiria definitivamente a serpente, a sua descendência e limparia todo mal
da face do planeta. Motivado por isso, Lúcifer, usando o codinome de deuses de
aparências esquisitas, usava seus súditos terrenos para perseguir, atacar e
eliminar o povo que iria trazer o Messias a esse mundo.
Do lado da descendência de Seth, vez por outra, ao longo de sua
história, levantava-se uma personalidade de fé para manter acesa a divina
chama. Enos (Gn 4.26) foi um desses homens, Enoque (Gn 5.24) foi outro. Mais
adiante temos Noé, através do qual o mundo passou por uma drástica
transformação.
O dilúvio não tinha caráter definitivo.
Ele era uma intervenção de Deus que objetivava salvar da morte iminente
a família de Noé, que naquele momento da história era a única família
sobrevivente dos descendentes de Seth.
Dentre outras finalidades, o dilúvio foi uma forma usada por Deus para
vencer a guerra por Noé.
Devido o dilúvio não ter funcionado com um caráter definitivo, esses
gigantes reaparecem, sendo mencionados novamente na história, nos dias de
Moisés (Nm 13.33; Dt 9.2), e até nos dias de Davi (2 Sm 21.22).
Do lado da ordem messiânica existiram homens piedosos que atuaram como
verdadeiros oráculos. Eles mantiveram acesa a divina chama e velaram pela
pureza dos relatos mais primitivos, ouvidos diretamente da boca de Adão, que
viveu o contato direto com Deus, do lado de fora e posteriormente, do lado de
dentro do Jardim do Éden.
Não há nada de espantoso quando os relatos da Torá se tornam parecidos
com o relato do Enuma Elish, afinal, ambos são o mesmo relato.
Os dois relatos são a mesma história, com uma sutil diferença que muda
absolutamente tudo! A Torá é o relato da Religião de Deus, ditado pela boca de
Deus; o Enuma Elish é o relato da Religião da Serpente, escrito segundo a
vaidade de seus protagonistas.
Como perito em enganação e fazendo o que faz de melhor, o Diabo
falsificou o relato da criação adaptando a verdadeira história do Gênesis. O
serviço era fazer com que o Enuma Elish ficasse o mais parecido possível com o
relato de Deus no Gênesis.
Estudar o relato babilônio é importante no sentido de nos mostrar que
até os mais antigos relatos, ao citarem a criação, concordam com os principais
elementos primordiais. Isso nos mostra que as descobertas arqueológicas estão
em sintonia com as reflexões que apresentamos nesse livro. Todos os relatos
mais antigos citam os mesmos eventos essenciais e todos concordam que a matéria
prima elementar usada para formar o universo, em todas as principais
cosmogonias foi sempre a mesma.
Em todas as Cosmogonias a ‘Água’ desempenha sempre o mesmo papel essencial. É sempre a água a base e a fonte ‘geradora’
de toda existência material.
É na água que tudo começa. E essa não é a constatação isolada das
cosmogonias.
A ciência moderna também afirma que o Universo começou como um líquido;
uma sopa de quark-glúons a partir de onde tudo veio à existência.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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