O mais aclamado cientista do século vinte é Albert Einstein (1879-1955).
Judeu de nascimento e naturalizado alemão, ele nasceu no berço de uma família
não praticante da religião de seus ancestrais.
Por um curto período de sua pré-adolescência Einstein viveu uma fase
marcada por um intenso fervor religioso. Todavia aos doze anos, desenvolvendo
sua paixão pela leitura, Einstein se deparou com a literatura de divulgação
científica.
Diante das novidades científicas daquele tempo, rapidamente se convenceu
de que algumas histórias da Bíblia não passavam de antigas lendas. A partir de
então, Einstein encerrou definitivamente a sua curta experiência religiosa.
A mais completa biografia de Albert Einstein é o recente livro de Walter
Isaacson (Einstein: His life and universe, 2007, traduzida ao português pela
Companhia das Letras com o título: Einstein - sua vida, seu universo. São
Paulo, 2007). Nesse monumental trabalho, o escritor dedica um capítulo inteiro
à religiosidade e à espiritualidade do cientista.
No capítulo ‘O Deus de Einstein’, Isaacson reúne várias afirmações que
nos leva a constatar que o cientista era um homem de uma profunda
espiritualidade. Era firme com suas convicções e na sua maturidade nunca perdeu
uma chance para defender uma fé racional.
Einstein vivia uma religiosidade muito acima da mediocridade. Sua crença
era baseada na existência de um poder racional superior; era uma forma evoluída
de fé cósmica direcionada a um Ser que controlava as leis do universo e nele se
revelava. “Tente penetrar, com nossos
limitados meios, nos segredos da natureza, e descobrirá que por trás de todas
as leis e conexões discerníveis, permanece algo sutil, intangível e
inexplicável. A veneração por essa força além de qualquer coisa que podemos
compreender é a minha religião. Nesse sentido eu sou, de fato, religioso”.
Einstein considerava Deus um ser incompreensível, mas nunca parou de
tentar compreendê-lo. Era como se por detrás da sua
motivação para entender as leis que governavam o Cosmos, em reverente silêncio,
ele buscasse (principalmente) a essência do pensamento do próprio Deus.
Suas declarações pouco sutis a respeito da religião, evidenciava que vivia
distante das confissões religiosas do judaísmo e do cristianismo, até mesmo
porque o seu Deus não era definido pelas doutrinas e dogmas dessas religiões.
Ele dizia: “Sou um não-crente
profundamente religioso”.
Sua ciência era a forma que ele usava para buscar a divindade que o
transcendia. “Eu não sou ateu. O problema
aí envolvido é demasiado vasto para nossas mentes limitadas. Estamos na mesma
situação de uma criancinha que entra numa biblioteca repleta de livros em
muitas línguas. A criança sabe que alguém deve ter escrito esses livros. Ela
não sabe de que maneira nem compreende os idiomas em que foram escritos. A
criança tem uma forte suspeita de que há uma ordem misteriosa na organização
dos livros, mas não sabe qual é essa ordem. É essa, parece-me, a atitude do ser
humano, mesmo do mais inteligente, em relação a Deus. Vemos um universo
maravilhosamente organizado e que obedece a certas leis; mas compreendemos
essas leis apenas muito vagamente”.
Muitos defensores do ateísmo moderno, inclusive o principal produtor de
literatura ateísta Richard Dawkins, tentam pegar carona na falácia de que
Einstein era ateu. Todavia, acerca disso, ele mesmo se encarregou de deixar uma
resposta clara: “O que me separa da
maioria dos chamados ateus é um sentimento de total humildade com os segredos
inatingíveis da harmonia do cosmos (...)
Você
pode me chamar de agnóstico, mas eu não compartilho daquele espírito de cruzada
do ateu profissional, cujo fervor se deve mais a um doloroso ato de libertação
dos grilhões da doutrinação religiosa recebida na juventude”.
Einstein não reconheceu o Deus de Jesus na religião, muito embora
declarasse ser “fascinado pela luminosa
figura do Nazareno”, conforme cita seu biógrafo Walter Isaacson. Todavia
não podemos negar que de alguma forma Einstein encontrou o Criador enquanto
procurava compreender sua criação. Enquanto buscava variáveis para suas
equações, inconscientemente, o que de fato ele buscava era compreender a mente
de Deus e o sentido da vida. É provável que ele não orasse para esse Deus,
afinal, ele não acreditava na possibilidade de uma relação pessoal com a
divindade.
Mas enfim, o que é a oração?
Oração é bem mais do que palavras de louvor e petição dirigidas a um
deus, que na maioria das vezes fica calado diante da atitude do penitente.
Estamos certos de que a verdadeira oração transcende as palavras de petição e
louvor.
Oração é principalmente uma postura deslumbrada diante do macrocosmo
simultaneamente associada a uma postura quebrantada diante do microcosmo.
Oração é uma atitude viva, que se processa pela vida e se estabelece para muito
além das palavras.
Oração de verdade só serve se for vivida da forma que o Apóstolo Paulo
ensinou: “Orai sem cessar” (1Ts
5:17).
Entenda que a única maneira de orar sem cessar é fazer com que a oração
seja um estilo de vida.
É bem mais que um momento contido na atitude de dobrar os joelhos.
Oração deve ser um constante deslumbrar-se e quebrantar-se.
Mesmo que Einstein não fosse um cristão ou um judeu praticante, sua
perseguição pelos objetivos da ciência fazia dele uma pessoa que orava sem
cessar.
Na introspectividade de suas descobertas, enquanto decifrava o código de
Deus, o cientista era bem mais que um físico. O cientista era um penitente, um
adorador do Deus Altíssimo e fazia isso enquanto elaborava suas equações
matemáticas.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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