A fantástica luta dos deuses babilônicos nos remete aos elementos que
são similares na cosmogonia grega. Entenda que a essência das histórias sempre
se repete, revelando que todos beberam da mesma fonte.
Assim como os homens, a religião dos homens tem origem em um lugar
comum.
Os mitos vão se repetir trocando o cenário, o figurino, o nome dos
personagens e até mesmo o relato das histórias, todavia o sentido sempre é o
mesmo pendendo elogios ao bem ou ao mal.
O que hoje tomamos por mito, dentro de algum limite ainda não demarcado
pela história, um dia foi fato.
Pelo peso das pegadas, podemos constatar que alguém passou por aquele
lugar. Uma pegada profunda carimbada na superfície de uma rocha encontrada por
um arqueólogo, nos leva a concluir que aquela marca não se formou
espontaneamente. Sabemos pelo tamanho da pegada que o ser que passou por ali
possui tamanho e peso de realidade suficiente para registar na tela do tempo a
sua existência real naquele momento da história.
Figuras fantásticas, gigantes, monstros incríveis e civilizações de alta
tecnologia realmente existiram, caso contrário não haveriam tantas pegadas
carimbadas no tecido do tempo.
Os gregos, postulado que são os pais da filosofia ocidental, se tornaram
peritos na arte de produzir conhecimento. Dado ao colossal catálogo de produção
erudita, eles elaboraram uma linguagem própria, através da criação de novas
palavras que exprimissem o sentido mais depurado do que se queria dizer.
Por isso há no idioma grego múltiplas palavras para designar o sentido e
a razão do conhecimento. São vocábulos de caráter específicos que atuam como
uma sintonia fina, depurando o significado.
É natural que as histórias do panteão se alinhem com as ciências da
Grécia clássica.
Os deuses significavam e geravam significado em todas as direções da
produção acadêmica. E a produção do conhecimento passava pelo panteão que de
forma sinérgica, por sua vez, passava pela filosofia.
O conhecimento entendido como filho da crença ou opinião pessoal era
denominado de ‘doxa’, de onde surgem
as palavras: ‘doxologia’, ‘ortodoxo’, ‘heterodoxo’, ‘paradoxo’, entre outras. O
conhecimento entendido como resultado do aperfeiçoamento do trabalho
físico-intelectual era denominado ‘techné’.
Enquanto ‘techné’ é o aperfeiçoamento
das artes e ofícios manifestos no mundo visível, ‘epistéme’ era uma definição vinculada ao mundo das ideias, pois
buscava as causas e explicação imaterial dos efeitos visíveis na natureza.
Ainda uma última palavra era usada para definir um conhecimento que
laborava para além da mente humana, um estado de consciência que dá à
experiência a sutil propriedade de reconhecer a verdade através da viagem ao
interior do interior, estabelecendo relação com o âmago do ser.
Esse tipo de conhecimento foi chamado pelos gregos de ‘gnosis’, e sem alteração cultural, o
tempo preservou essa definição.
‘Gnosis’ é a sabedoria gerada pela iluminação do espírito, lugar onde
acontece os fenômenos de relacionamento com o divino e as inspirações do mundo
das ideias.
Na senda da ‘Gnosis’ deve-se dar o primeiro passo, que é a busca pela
santidade, no sentido de se separar ou se afastar dos prazeres que prendem o
homem à matéria. É a radical mudança da ênfase da vida mundana para o
aperfeiçoamento do mundo interior, do cosmos exterior para o microcosmo.
É a fuga consciente das correntes que te prendem ao mundo devastado,
para o reino da paz, lugar interior que os cabalistas chamam de ‘ponto no coração’ e os cristãos chamam
de “a paz que excede todo entendimento” (Fl
4.7).
...Continuação em breve...
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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