segunda-feira, 8 de junho de 2026
ANDANDO NU E DESCALÇO
As 4 Marias presentes na crucificação
Maria, mãe de Tiago
domingo, 7 de junho de 2026
COSMOGONIA GREGA - PARTE II
... O homem capitalista e pós-moderno, supostamente culto e arrogante em sua
definição de si mesmo certamente percebe os deuses gregos e suas histórias,
apenas como matéria prima de roteiro de filmes ou de enredo dos quadrinhos da
Marvel ou da DC Comics. Lotam cinemas a procura de mirabolantes cenas de ação,
sem constatar no roteiro, nenhum conhecimento transcendente a ser absorvido. Se
bem que, quem entende a filosofia aplicada nos filmes e absorve a essência dos
gibis o faz porque em certo nível de inteligência conhece e aprecia a aventura
fabulosa dos soberanos do panteão.
"Tenha em mente que tudo que
você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Tudo isso é posto em sua
mão como sua herança, para que você a receba, honre, acrescente a ela e, um
dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos” (Albert Einstein).
Passemos à forma como os gregos descrevem a criação, a partir da dança
sangrenta dos deuses.
Para os gregos, no início tudo estava imerso na escuridão e nada
existia; havia apenas o Caos. Segundo Hesíodo, no princípio surgiu o Vazio e do
Caos nasceram Gaia, Tártaro (o abismo), Eros (o amor), Érebo (as trevas) e Nix
(a noite).
Note que todos os elementos contidos na criação segundo o relato de
Gênesis capítulo 1 estão também presentes no relato grego. E não somente nos
relatos da cultura clássica; cosmogonias do oriente também revelam
similaridades com os elementos fundamentais do surgimento do universo.
O caos inicial se organizou na linha do tempo, revelando assim os
primeiros deuses e deusas.
Gaia criou o Mundo. A Mãe-Terra teve um filho, a quem chamou de Urano,
que era o céu. Urano se uniu à sua mãe, gerando doze filhos, com formas
humanas, mas gigantes em estatura.
Foram seis titãs e seis titânides.
A descrição desses titãs nos faz lembrar o Gênesis: “Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os
filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram
os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama” (Gn 6:4).
Enquanto os filhos dos deuses se uniam a seus pares gerando os valentes
do passado, a natureza continuava sua lenta evolução. Com a chuva nasceram as
plantas e os animais. Não somente o reino animal e vegetal se desenvolveu; das
águas primordiais surgiram diversos monstros e seres fabulosos, de todos os
tamanhos e formas.
Na cosmogonia grega, as águas de Gaia estão no centro da criação,
produzindo vida animal e vegetal, muito similar à forma como é pontuado pela
Bíblia.
Conforme relatado pela Torá, a produção de vida marinha é uma ordem de
serviço delegada por Deus às águas do grande oceano (Gn 1.20,21).
Entre os seres fantásticos produzidos pelas águas, havia três gigantes
imortais com um só olho no meio da testa. Os Ciclopes: Arges, Brontes e
Estéropes, ao nascerem foram trancados no submundo.
Por causa dos enormes poderes dos Ciclopes, Urano, senhor dos céus, contrariando
a vontade de Gaia, foi muito mal para eles. A Mãe-Terra não gostou disso e
produziu no seu íntimo um profundo rancor pela atitude de Urano.
Cronos é o mais jovem dos titãs, filho de Urano, com Gaia, a Mãe-Terra. Muito
tempo depois, motivado pela ambição, o jovem titã derrotou o próprio pai se
tornando o maioral entre os deuses. Para essa façanha, Cronos contou com ajuda
de sua mãe.
A Mãe-Terra amava os Ciclopes e por isso nunca perdoou a Urano pelo que ele
fez a eles. Motivada por vingança, Gaia encorajou os Titãs, liderados por
Cronos a se revoltarem contra o Pai. Houve uma sangrenta batalha onde os Titãs
foram os vencedores.
No calor da batalha caíram três gotas do sangue de Urano sobre a terra.
O sangue de Urano em contato com Gaia trouxe vida às Eríneas, que eram
espíritos de vingança, com cabeça de cão e asas de morcego. Esses espíritos
perseguiam assassinos, principalmente aqueles que matavam os próprios
familiares.
O sangue de Urano também caiu no mar e assim nasceu Afrodite, que
segundo a mitologia é a deusa do amor, da beleza e da sexualidade. Na versão contada
por Hesíodo, Cronos cortou os órgãos genitais de seu pai e arremessou-os no mar.
Da espuma formada no mar, Afrodite se ergueu sobre as águas. Saiu do caos para
a claridade da luz.
Cronos se tornou o rei dos titãs e o grande deus do tempo, sobretudo
quando o tempo é visto regendo os destinos de forma inexpugnável.
Cronos é sempre reconhecido por seu aspecto destrutivo, pois o tempo a
tudo devora, levando a vida, os sonhos e as esperanças de todos.
O senhor do tempo se casou com sua irmã Rhea e dessa união lhes nasceram
seis filhos. Cronos, sendo avisado por um oráculo de que um de seus filhos o
mataria, resolveu agir ‘preventivamente’ matando a todos os seus filhos assim
que nasciam.
De maneira muito peculiar, Chronos engolia seus filhos assim que saiam
para o mundo. Com o intuito de salvar o seu sexto filho, Rhea ludibriou Cronos,
dando a ele uma pedra enrolada em roupa de bebê.
A criança sobrevivente era Zeus.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
Maria, mãe de João Marcos
sábado, 6 de junho de 2026
RECEITA PRA PROBLEMA CARDÍACO
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Corpus Christi
Ao longo da história da Igreja, os cristãos têm proclamado a obra redentora de Jesus Cristo. Ao contemplarmos o corpo de Cristo entregue na cruz, lembramos do sacrifício perfeito que reconciliou pecadores com um Deus santo.
Na perspectiva reformada, o centro da fé não está em objetos, símbolos ou manifestações exteriores, mas na pessoa e na obra de Cristo reveladas nas Escrituras. Ao olharmos para Cristo crucificado, vemos o cumprimento do plano eterno de Deus para a salvação. O Filho de Deus assumiu a natureza humana, viveu em perfeita obediência e ofereceu a si mesmo como sacrifício substitutivo pelos pecadores.
O corpo que foi ferido carregou a culpa que era nossa. As mãos que curaram enfermos foram pregadas à cruz. Aquele que não conheceu pecado tomou sobre si a condenação que merecíamos, para que recebêssemos perdão, justiça e vida eterna.
Ao instituir a Ceia do Senhor, Jesus ordenou que seus discípulos se lembrassem dele. O pão e o vinho não são fins em si mesmos, mas sinais visíveis que apontam para a suficiência da obra de Cristo. A Ceia não repete o sacrifício; ela anuncia e relembra o sacrifício único, completo e definitivo realizado no Calvário.
Contemplar o corpo de Cristo deve nos conduzir à gratidão, à adoração e à obediência. Na cruz, a justiça e a misericórdia se encontraram. Ali, o Cordeiro de Deus venceu o pecado e a morte.
Mas a morte não teve a palavra final. Cristo ressuscitou gloriosamente ao terceiro dia, confirmando a eficácia de sua obra e garantindo a esperança de todos os que nele creem.
A mensagem permanece a mesma através dos séculos: Cristo morreu por nossos pecados, ressuscitou para nossa justificação e reina soberanamente sobre todas as coisas.
Essa é a esperança da Igreja. Esse é o fundamento da fé. Esse é o Cristo que anunciamos até que Ele venha.
COSMOGONIA GREGA - PARTE 1
A fantástica luta dos deuses babilônicos nos remete aos elementos que
são similares na cosmogonia grega. Entenda que a essência das histórias sempre
se repete, revelando que todos beberam da mesma fonte.
Assim como os homens, a religião dos homens tem origem em um lugar
comum.
Os mitos vão se repetir trocando o cenário, o figurino, o nome dos
personagens e até mesmo o relato das histórias, todavia o sentido sempre é o
mesmo pendendo elogios ao bem ou ao mal.
O que hoje tomamos por mito, dentro de algum limite ainda não demarcado
pela história, um dia foi fato.
Pelo peso das pegadas, podemos constatar que alguém passou por aquele
lugar. Uma pegada profunda carimbada na superfície de uma rocha encontrada por
um arqueólogo, nos leva a concluir que aquela marca não se formou
espontaneamente. Sabemos pelo tamanho da pegada que o ser que passou por ali
possui tamanho e peso de realidade suficiente para registar na tela do tempo a
sua existência real naquele momento da história.
Figuras fantásticas, gigantes, monstros incríveis e civilizações de alta
tecnologia realmente existiram, caso contrário não haveriam tantas pegadas
carimbadas no tecido do tempo.
Os gregos, postulado que são os pais da filosofia ocidental, se tornaram
peritos na arte de produzir conhecimento. Dado ao colossal catálogo de produção
erudita, eles elaboraram uma linguagem própria, através da criação de novas
palavras que exprimissem o sentido mais depurado do que se queria dizer.
Por isso há no idioma grego múltiplas palavras para designar o sentido e
a razão do conhecimento. São vocábulos de caráter específicos que atuam como
uma sintonia fina, depurando o significado.
É natural que as histórias do panteão se alinhem com as ciências da
Grécia clássica.
Os deuses significavam e geravam significado em todas as direções da
produção acadêmica. E a produção do conhecimento passava pelo panteão que de
forma sinérgica, por sua vez, passava pela filosofia.
O conhecimento entendido como filho da crença ou opinião pessoal era
denominado de ‘doxa’, de onde surgem
as palavras: ‘doxologia’, ‘ortodoxo’, ‘heterodoxo’, ‘paradoxo’, entre outras. O
conhecimento entendido como resultado do aperfeiçoamento do trabalho
físico-intelectual era denominado ‘techné’.
Enquanto ‘techné’ é o aperfeiçoamento
das artes e ofícios manifestos no mundo visível, ‘epistéme’ era uma definição vinculada ao mundo das ideias, pois
buscava as causas e explicação imaterial dos efeitos visíveis na natureza.
Ainda uma última palavra era usada para definir um conhecimento que
laborava para além da mente humana, um estado de consciência que dá à
experiência a sutil propriedade de reconhecer a verdade através da viagem ao
interior do interior, estabelecendo relação com o âmago do ser.
Esse tipo de conhecimento foi chamado pelos gregos de ‘gnosis’, e sem alteração cultural, o
tempo preservou essa definição.
‘Gnosis’ é a sabedoria gerada pela iluminação do espírito, lugar onde
acontece os fenômenos de relacionamento com o divino e as inspirações do mundo
das ideias.
Na senda da ‘Gnosis’ deve-se dar o primeiro passo, que é a busca pela
santidade, no sentido de se separar ou se afastar dos prazeres que prendem o
homem à matéria. É a radical mudança da ênfase da vida mundana para o
aperfeiçoamento do mundo interior, do cosmos exterior para o microcosmo.
É a fuga consciente das correntes que te prendem ao mundo devastado,
para o reino da paz, lugar interior que os cabalistas chamam de ‘ponto no coração’ e os cristãos chamam
de “a paz que excede todo entendimento” (Fl
4.7).
...Continuação em breve...
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
quarta-feira, 3 de junho de 2026
OS ANJOS: O CORO MAIS PRÓXIMO DA HISTÓRIA HUMANA
terça-feira, 2 de junho de 2026
DOMINAÇÕES
segunda-feira, 1 de junho de 2026
POTESTADE
domingo, 31 de maio de 2026
ARCANJOS: OS MENSAGEIROS E GUERREIROS DAS GRANDES MISSÕES DIVINAS
Quando a Bíblia fala do mundo espiritual, ela revela que existem diferentes ordens angelicais, cada uma com funções específicas no governo de Deus sobre a criação.
Entre essas ordens, os arcanjos ocupam uma posição de destaque. O termo "arcanjo" significa literalmente "anjo principal" ou "anjo chefe", indicando autoridade e responsabilidade sobre missões de grande importância.
As Escrituras mencionam explicitamente o arcanjo . Em Daniel 10:13 ele é chamado de "um dos primeiros príncipes". Em Daniel 12:1 aparece como o grande defensor do povo de Deus. Já em Judas 1:9 é identificado como arcanjo ao disputar com o diabo acerca do corpo de Moisés.
Miguel representa a dimensão guerreira do serviço celestial. Sua atuação está associada à proteção, ao combate espiritual e à defesa dos propósitos divinos. Em 12:7-9, ele lidera os exércitos celestiais na batalha contra o dragão e seus anjos.
Outro mensageiro celestial de grande relevância é . Embora a Bíblia não o chame diretamente de arcanjo, a tradição cristã frequentemente o inclui nessa categoria devido à importância de suas missões. Foi Gabriel quem anunciou ao profeta revelações proféticas e também comunicou a o nascimento de Jesus.
Os arcanjos aparecem sempre em momentos decisivos da história da salvação. Eles não atuam em tarefas comuns, mas em acontecimentos que envolvem nações, profecias, batalhas espirituais e a execução de planos divinos que impactam gerações.
O apóstolo também menciona a "voz do arcanjo" associada ao retorno de Cristo, demonstrando a ligação dessa ordem angelical com eventos escatológicos de grande magnitude.
A tradição cristã ensina que os arcanjos são sinais da soberania de Deus sobre a história. Sua existência lembra que o universo não está entregue ao acaso. Por trás dos acontecimentos visíveis, Deus continua governando, protegendo e conduzindo seu propósito eterno.
Assim, os arcanjos simbolizam autoridade espiritual, serviço fiel, proteção divina e obediência absoluta ao Criador. Eles apontam para uma verdade fundamental das Escrituras: Deus permanece ativo na história humana, conduzindo todas as coisas segundo sua vontade perfeita.
III JOÃO
- Para quem foi escrito este livro? “Ao amado Gaio...” (vs. 1).
- Por quem foi escrito (autor)? João, o apóstolo.
- Em qual momento histórico? Por volta dos anos 80-90 d.C.
- Por que este livro foi escrito? Porque havia uma rivalidade mesquinha entre Diótrefes e os demais líderes daquela igreja sobre a hospitalidade que deveria ser demonstrada para com os missionários viajantes.
- Para quê este livro foi escrito? Para recomendar que a igreja recebesse com amor os missionários viajantes (inclusive Demétrio, que foi levar este carta àqueles cristãos); e, para repreender Diótrefes (por sua conduta em relação aos demais irmãos e aos missionários).
sexta-feira, 29 de maio de 2026
QUERUBIM
AS VIRTUDES: O CORO ATRAVÉS DO QUAL O PODER DE DEUS SE MANIFESTA
OS PRINCIPADOS: A ORDEM ESPIRITUAL LIGADA À HISTÓRIA DAS NAÇÕES
quinta-feira, 28 de maio de 2026
II JOÃO
- Para quem foi escrito este livro? “À senhora eleita e aos seus filhos...” (vs 1).
- Por quem foi escrito (autor)? João, o apóstolo.
- Em qual momento histórico? Por volta dos anos 90-100 d.C.
- Por que este livro foi escrito? Porque seus leitores estavam sendo ameaçados por um falso ensino que negava que Jesus Cristo havia se encarnado (4.2-3) (este falso ensino é chamado de Docetismo, uma variação do gnosticismo).
- Para quê este livro foi escrito? Para reafirmar a verdade aos seus leitores; para, ressaltar os ideais cristãos de pureza e amor; e, para ensinar como tratar os falsos mestres.
quarta-feira, 27 de maio de 2026
SERAFINS
Quando o profeta Isaías entrou no templo naquele dia, ele não imaginava que veria o céu aberto. Era um tempo de instabilidade em Israel. O rei Uzias havia morrido, e a nação sentia o peso da insegurança e da perda. Foi nesse cenário que Deus decidiu revelar algo maior que qualquer reino humano.
“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e as abas de suas vestes enchiam o templo.” — Is 6:1
O templo desapareceu diante da glória divina.
Isaías viu o Senhor exaltado em majestade, enquanto o ambiente ao redor tremia. As portas se abalavam ao som das vozes celestiais, e fumaça enchia todo o lugar.
Então ele os viu.
Acima do trono estavam os serafins — criaturas ardentes, seres consumidos pela intensidade da presença de Deus.
“Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam.” — Is 6:2
A palavra “serafim” vem do hebraico saraph, que significa “ardente” ou “aquele que queima”. Eles vivem diante da glória de Deus, mas mesmo tão próximos do trono cobrem o rosto em reverência.
Isso revela algo profundo: quanto mais perto alguém está de Deus, menos confiança tem em si mesmo.
Com duas asas cobriam os pés — um gesto de humildade diante do Santo. E com duas voavam, sempre prontos para servir.
Mas o mais impressionante não eram suas asas.
Era a mensagem que proclamavam.
Eles não falavam sobre poder. Não falavam sobre juízo. Não falavam sobre os mistérios do universo.
Clamavam apenas uma verdade:
“Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” — Is 6:3
A santidade de Deus era tão intensa que o templo inteiro estremecia.
“As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.” — Is 6:4
Foi então que Isaías percebeu sua própria condição.
Diante da santidade absoluta, ele não se sentiu digno. Não se sentiu forte. Não se sentiu preparado.
Sentiu-se perdido.
“Então disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” — Is 6:5
Porque quem contempla o trono começa imediatamente a enxergar a própria alma.
Mas naquele ambiente de santidade aconteceu algo extraordinário.
Um dos serafins saiu da presença do altar trazendo uma brasa viva.
“Então um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz.” — Is 6:6
A brasa tocou os lábios do profeta.
Não para destruí-lo. Mas para purificá-lo.
“Com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.” — Is 6:7
O fogo vindo do altar carregava purificação.
O mesmo fogo que consome o pecado purifica aquele que se aproxima de Deus com humildade.
E somente depois disso Isaías ouviu a voz do Senhor:
“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” — Is 6:8
Agora o profeta estava pronto.
Porque antes da missão veio o altar. Antes da voz profética veio o fogo.
Então Isaías respondeu:
“Eis-me aqui, envia-me a mim.” — Is 6:8
Talvez esse ainda seja o problema de muitos cristãos hoje.
Querem a missão sem o altar. Querem a voz sem purificação. Querem falar de Deus sem antes serem tocados pelo fogo.
Mas ninguém permanece frio depois de estar perto do trono.
Porque quem realmente contemplou a santidade de Deus carrega para sempre as marcas do fogo.
Cesar de Aguiar
TRONOS: A ORDEM DE SERES QUE SUSTENTA O GOVERNO DE DEUS
Quando a Bíblia fala sobre o mundo espiritual, ela não descreve um universo caótico.
Ela fala de ordem.
Paulo escreve que, por meio de Cristo, “foram criadas todas as coisas… tronos, dominações, principados e potestades” (Cl 1:16).
Aqui, “tronos” não se refere a cadeiras celestiais, mas a uma ordem espiritual ligada ao governo divino.
Entre todas as hierarquias angelicais mencionadas nas Escrituras, os Tronos permanecem como uma das mais misteriosas.
Na tradição judaica antiga, especialmente nas reflexões sobre a visão de Ezequiel, surge a ideia da Merkabah — o “Carro do Trono” de Deus (Ez 1).
Nessa visão, o profeta contempla criaturas espirituais cercando a glória divina, rodas cheias de olhos e um trono resplandecente acima de tudo.
A partir dessas imagens, intérpretes judeus passaram a associar certas ordens angelicais à sustentação do governo celestial.
Entre elas, os Tronos.
Eles seriam seres profundamente ligados à justiça de Deus, refletindo a estabilidade do Seu Reino sobre toda a criação.
Isso se conecta diretamente com a declaração dos Salmos:
“Justiça e juízo são o fundamento do teu trono” (Sl 89:14).
Essa afirmação revela algo poderoso:
o universo não é sustentado apenas por força, mas por justiça.
Mais tarde, teólogos cristãos entenderam os Tronos como seres que refletem perfeitamente o caráter justo de Deus, servindo à manifestação da Sua ordem no cosmos.
Eles não governam no lugar de Deus.
Eles existem para testemunhar Seu governo.
Pensar nos Tronos não é apenas estudar anjos.
É lembrar que, mesmo quando o mundo parece mergulhado em caos, injustiça e desordem, a Bíblia afirma que o governo divino continua firme.
Existe uma ordem invisível sustentando a realidade.
E essa ordem não está fundamentada no acaso, mas no caráter do Criador.
Os Tronos silenciosamente apontam para essa verdade:
o universo ainda está debaixo do governo de Deus.
— Cesar de Aguiar
domingo, 24 de maio de 2026
I JOÃO
- Para quem foi escrito este livro? Indeterminado.
- Por quem foi escrito (autor)? João, o apóstolo.
- Em qual momento histórico? Por volta dos anos 90-100 d.C.
- Por que este livro foi escrito? Porque seus leitores estavam sendo ameaçados por um falso ensino que negava que Jesus Cristo havia se encarnado (4.2-3) (este falso ensino é chamado de Docetismo, uma variação do gnosticismo).
- Para quê este livro foi escrito? Para reafirmar a verdade aos seus leitores; para, ressaltar os ideais cristãos de pureza e amor (pureza e amor são dons de Deus comunicados aos homens através da auto-revelação que Ele fez de si mesmo a nós – na encarnação de Cristo); e, para ensinar o que fazer com os falsos ensinamentos.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
ZEUS, LÚCIFER E ADÃO
Zeus foi o sexto filho de seus pais; um paralelo torto com o Adão
bíblico, que foi formado do barro, no sexto dia da criação.
O chamado Deus do Trovão foi criado na terra, longe do Olimpo, assim
como o Adão bíblico, criado fora do jardim, longe do Éden.
Nesse sentido, o Olimpo é o paralelo grego do Jardim do Éden.
Em similitude com a história de Adão, que após passar um tempo fora do
jardim, foi levado por Deus ao Éden, também Zeus, quando em estado de
consciência ‘adulta’ regressou ao céu para sua vitória e posterior
estabelecimento como soberano do Olimpo.
O relato grego conta que após muitos anos, tornando-se ‘homem feito’,
Zeus regressou disfarçado e colocou uma poção mágica na bebida de Cronos, o
levando à morte.
Ao traçarmos um paralelo entre a Bíblia e o relato grego percebemos que
a figura de Adão é misturada à figura de Lúcifer para formar o conceito da
personalidade do mito de Zeus; que Zeus é o resultado da combinação das
histórias de criação e evolução desses dois personagens.
No afã de se livrar do veneno dado por Zeus, Cronos cuspiu com vida as
crianças que haviam sido engolidas. Eram as deusas: Héstia, Demeter e Hera e os
irmãos Hades e Poseidon.
A história de Zeus é o relato às avessas da própria história de Lúcifer
temperada com a história do primeiro homem.
Após a morte de Cronos, Zeus libertou os Ciclopes. Esses, em forma de
agradecimento criaram para Zeus e seus irmãos, algumas armas de poder
ilimitado: Relâmpagos e Raios para Zeus arremessar, um Tridente para Poseidon
governar os mares e produzir terríveis tempestades, e finalmente o Elmo do
Terror, um capacete mágico que conferia a Hades o poder de ficar invisível.
Por não aceitarem o governo de Zeus, a maior parte dos Titãs e dos
Gigantes se posicionaram do lado do falecido Cronos. Houve terrível batalha
onde os deuses mais novos saíram vitoriosos sobre os deuses antigos.
Os Titãs foram banidos e castigados, sendo que um deles, chamado Atlas,
foi condenado a segurar eternamente os Céus sobre as costas.
Após a vitória sobre os Titãs, Zeus se tornou o absoluto senhor dos céus
e governante supremo de todos os deuses.
A Poseidon foi conferido o governo dos Oceanos enquanto Hades passou a
governar o Submundo.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
domingo, 17 de maio de 2026
II PEDRO
- Para quem foi escrito este livro? Indeterminado.
- Por quem foi escrito (autor)? Pedro (irmão de Jesus).
- Em qual momento histórico? Por volta do ano 67-68 d.C., antes do martírio de Pedro (que, segundo a tradição cristã, foi crucificado de cabeça para baixo).
- Por que este livro foi escrito? Porque seus leitores estavam sendo ameaçados por falso ensino (por alguma forma primitiva de gnosticismo, que ensinava a salvação pelo conhecimento intuitivo e esotérico – e não pela fé em Cristo; defendia a imoralidade – 2.13-19; negava o Senhor e desprezava sua autoridade – 2.1, 10; caluniava os seres celestiais – 2.10; e zombava da segunda vinda de Cristo – 3.3-4).
- Para quê este livro foi escrito? Para enfatizar a verdade e as implicações éticas do Evangelho contra os falsos mestres.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
quinta-feira, 14 de maio de 2026
I PEDRO
- Para quem foi escrito este livro? Para os cristãos judeus da Diáspora (a dispersão dos judeus fora da Palestina), de todos os lugares (1.1).
- Por quem foi escrito (autor)? Pedro (irmão de Jesus).
- Em qual momento histórico? Por volta do ano 60-68 d.C., antes do martírio de Pedro (que, segundo a tradição cristã, foi crucificado de cabeça para baixo).
- Por que este livro foi escrito? Porque os cristãos estavam sofrendo perseguição por causa da sua fé (1.6-7; 3.13-17; 4.12-19), insultos (4.4, 14), falsas acusações de má conduta (2.12; 3.16), espancamentos (2.20), ostracismo social, violência esporádica pela multidão e policiais.
- Para quê este livro foi escrito? Para encorajar aqueles cristãos perseguidos e confusos a permanecer firmes na sua fé (5.12); e, para ensiná-los o comportamento correto do cristão no meio de sofrimento injusto (4.1, 19).
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
domingo, 10 de maio de 2026
DEUS E ZEUS
Nos tempos de Cristo, a filosofia grega era o conceito de cosmogonia
mais aceito nas rodas de discussão teológica e a língua dos helenos era o
idioma mais falado.
O Evangelho foi semeado em um tempo em que os conceitos culturais eram
helenizados, por isso, principalmente o Apóstolo Paulo, ao ensinar a mensagem
do Evangelho tinha todo o cuidado de fundamentar a exposição a partir da
conceituação grega, levando o ouvinte a compreender e aceitar a pregação do
Cristo crucificado.
Jesus Cristo não deixou passar em branco a afronta que a teogonia grega
representava ao Deus de Israel. Usando sua posição de
Filho do Deus Altíssimo, Jesus deu o troco, desbancando os maiorais do panteão.
YHWH é o verdadeiro Deus do Trovão, pois assim a Bíblia o identifica. “Deus veio de Temã, e do monte de Parã o
Santo. A sua glória cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor. E o
resplendor se fez como a luz, raios brilhantes saíam da sua mão, e ali estava o
esconderijo da sua força” (Hb 3.3,4). “As
nuvens lançaram água, os céus deram um som; as tuas flechas correram duma para
outra parte. A voz do teu trovão estava no céu; os relâmpagos iluminaram o
mundo; a terra se abalou e tremeu” (Sl 77:17,18).
O deus do trovão da Grécia foi desafiado, quando a voz do Deus do Trovão
de Israel estrondeou o céu, balançando os pilares da abóboda ao identificar o
seu Filho Primogênito.
A mesma voz que no Gênesis disse “Haja”,
por duas vezes fez calar a voz do Zeus grego, que nada disse, emudecido diante
do poder do Deus Soberano.
“E, sendo Jesus batizado, saiu
logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus
descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é
o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:16,17).
Zeus, conhecido como a ‘Águia do Olimpo’ foi afrontado pela singela
Pomba do Espírito.
“E, estando ele ainda a falar,
eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é
o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. E os
discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo” (Mt 17:5,6).
Diante do Filho de Deus, o panteão grego se curvou calado.
Os irmãos de Zeus também levaram o troco da afronta.
Poseidon, o deus dos mares foi obrigado a suportar o peso do Filho de
Deus que caminhou sobre suas águas, e como se não bastasse, Jesus também
acalmou a tempestade que culturalmente estava sob sua jurisdição.
Em outra ocasião, demonstrando que não era somente o Deus da superfície
das águas, Jesus ordenou que um peixe mordesse o anzol certo, usando o dinheiro
de Poseidon para pagar o imposto por ele e por seu discípulo.
Por fim, com a intenção de decretar definitivamente seu controle sobre
os oceanos, que os gregos pensavam ser de Poseidon, Jesus ordenou que os peixes
enchessem as redes dos pescadores, segundo a sua palavra.
Hoje lemos despretensiosamente sobre os milagres que Jesus realizou
tendo os oceanos com pano de fundo. Todavia para os gregos, essas mesmas
histórias ecoavam como uma afronta aos seus deuses, e mais, demonstrava que o
Galileu era superior aos deuses do Olimpo.
Hades também não ficou de fora da humilhação.
Segundo a narrativa grega, Hades tinha o poder da invisibilidade, mas o
que parece é que ele usava esse ‘poder’ o tempo todo, afinal, ninguém nunca o
viu no mundo real. Todavia, o Filho de Deus, para desbancar Hades, mesmo sem o
elmo do terror, usou seu poder para ficar invisível por duas vezes. “E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e
o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para
dali o precipitarem. Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se” (Lc
4:29,30). “Então pegaram em pedras para
lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles,
e assim se retirou” (Jo 8.59).
A palavra grega, que no Novo Testamento é usada para inferno é “Hades”.
Hades também é a palavra usada para significar o nome do lugar denominado
por ‘mansão dos mortos’.
Para demonstrar sua completa e irrestrita superioridade ao panteão
grego, Jesus fez assim: como Hades passou ‘invisível’ pela história, o Mestre
foi afrontá-lo em sua própria casa, assim talvez, por lá ele estivesse sem o
elmo!
Após sua morte e antes de sua ressurreição Jesus desceu àquilo que os
poetas descreviam como o reino de Hades.
“Quando ele subiu em triunfo às
alturas, levou cativo muitos prisioneiros, e deu dons aos homens. Que significa
‘ele subiu’, senão que também descera às profundezas da terra? Aquele que
desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as
coisas” (Ef 4:8-10). “Porque também
Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a
Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual
também foi, e pregou aos espíritos em prisão” (1 Pd 3:18,19).
Para o grego daquele tempo, ter um primeiro contato com essas verdades
era no mínimo uma experiência chocante. No primeiro momento eles consideravam
aquelas histórias como loucura. Mas em contrapartida, quando eram alcançados
pelo Evangelho, aquelas histórias se tornavam suas prediletas.
Imagine uma pessoa criada dentro do sistema religioso da filosofia
grega! Quando essa pessoa se convertia ao cristianismo aceitando suas verdades,
imediatamente ela percebia a superioridade de Cristo sobre seus antigos deuses.
Essa era a maior satisfação produzida pela acertada decisão de assumir o
Evangelho como regra de vida.
teolovida@gmail.com
quinta-feira, 7 de maio de 2026
TIAGO
- Para quem foi escrito este livro? Para os cristãos judeus da Diáspora (a dispersão dos judeus fora da Palestina), de todos os lugares (1.1).
- Por quem foi escrito (autor)? Tiago (irmão de Jesus).
- Em qual momento histórico? Por volta do ano 49 d.C., pouco depois do começo da perseguição aos cristãos que se difundiu na Diáspora.
- Por que este livro foi escrito? Porque eles estavam sofrendo perseguições em todo o império romano.
- Para quê este livro foi escrito? Para encorajar aqueles cristãos; para exortá-los a um viver santo; e, para mostrar-lhes que há um relacionamento crucial entre fé e obras ativas de obediência (2.14-26).
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
domingo, 3 de maio de 2026
COSMOGONIA EGÍPCIA
Hermópolis, Tebas, Heliópolis e Mênfis eram as maiores cidades do Egito
antigo e cada uma possuía um sistema sacerdotal independente. Motivados por uma
disputa de natureza política e religiosa, muito parecida com a concorrência
entre as denominações de confissão protestante de hoje, cada grupo de
sacerdotes lutavam entre si para fazer com que seus deuses e dogmas fossem
impostos sobre as demais cidades.
Por causa dessa disputa existem divergências nos relatos da criação
egípcio, contudo sem estabelecer contradições profundas na teologia deles.
Para entender a motivação dos egípcios basta olhar para as denominações
cristãs da atualidade, que se dividiram em milhares de subprodutos da mesma
confissão de fé, sem afetar profundamente a teologia mais básica. Esses novos
crentes continuam acreditando nas posições fundamentais da teologia cristã, mas
diferem entre si por questões dogmáticas, buscando a razão de suas exposições
nas entrelinhas dos textos das Escrituras.
Tal qual sacerdotes egípcios da antiguidade, por causa da vaidade
pessoal de seus líderes, grupos de católicos e evangélicos se reúnem em volta
de um tratado doutrinário e dogmático, passando impor seus pensamentos àqueles
que, por serem mais idiotizados pelo sistema religioso, serão ‘presas’ fáceis
de abater.
Esses cães religiosos preparam um cozido a base de leite para as
crianças e carne para os adultos. Temperam tudo com boas pitadas de
superstição. Os esfomeados espirituais, por não julgarem a qualidade da comida
e a intenção do cozinheiro, vendem por baixo preço o direito de sua
primogenitura.
Spinoza dizia que “não há meio
mais eficaz para dominar a multidão do que a superstição”; e quando a
superstição tem uma boa explicação teórica associada a uma pseudo experiência
transcendental fica fácil arrancar gritos apaixonados, danças acalouradas e
cada centavo da carteira de dinheiro.
Essa é a guerra civil existente entre as congregações cristãs que são
concorrentes no mercado da fé. Todas motivadas pela ambição e fanatismo.
Tudo começa na figura de um
sacerdote que não concorda com o governo da igreja local a qual pertence. Por
possuir o poder sedutor de falar na mente de alguns, esse sacerdote toma ares
de profeta de um novo começo.
Com o advento do profeta dos amotinados, o que vem depois é a elevação
de uma nova placa denominando um novo grupo de congregados, que por se acharem
com mais razão que os outros, passam a agir como prosélitos, celebrando a
estupidez da distorção da mensagem unificadora do Evangelho de Jesus Cristo.
O mundo mudou muito desde a idade do bronze, todavia o homem antigo é o
mesmo da idade do módulo lunar, movido pelos mesmos sentimentos egoístas de
sempre.
O que motivava o sacerdote egípcio é o mesmo sentimento que motiva
muitos sacerdotes cristãos da atualidade: a riqueza material, a superioridade
intelectual, a vaidade espiritual, mas principalmente o estabelecimento do
poder sobre os demais.
teolovida@gmail.com
quinta-feira, 30 de abril de 2026
HEBREUS
- Para quem foi escrito este livro? Para os cristãos judeus da Diáspora (a dispersão dos judeus fora da Palestina), provavelmente na Itália.
- Por quem foi escrito (autor)? Autor desconhecido.
- Em qual momento histórico? Por volta do ano 64 d.C., quando Nero perseguiu a I-greja com muita violência.
- Por que este livro foi escrito? Porque eles estavam sendo perseguidos pelos romanos pela segunda vez (um edito de Cláudio havia expulsado os judeus de Roma em 49. d.C.) e pelos judeus, que os expulsaram das sinagogas e da religião judaica (13.12-13), e corriam o perigo da apostasia (abandono da fé), talvez por medo da morte (2.14-18); também, porque passavam por uma transição de liderança (13.7, 17), estavam preocupados com segurança e permanência (6.19; 11.10; 13.8, 14).
- Para quê este livro foi escrito? Para exortar e encorajar aqueles cristãos (3.13; 6.18; 10.25; 12.5; 13.22). O autor repetidamente chama seus leitores a uma ativa e corajosa resposta a todos estes problemas (4.11, 14, 16; 6.1; 10.19-25).
domingo, 26 de abril de 2026
HERMÓPOLIS
Agostinho de Hipona satirizava a curiosidade que o homem tem em conhecer
o que havia na aurora dos tempos: “O que
havia antes da Criação?” Ele respondia:
“O Inferno, para lá jogar as pessoas que fazem esta pergunta”.
Na grande cidade de Hermópolis o relato da criação estava focado exatamente
nisso: na natureza do universo antes
da criação.
Segundo aquela cosmogonia, no início de tudo haviam as Águas Primordias
que eram representadas pela Ogdóade - um conjunto de oito deuses.
Masculino e Feminino era entendido como a base da criação.
O deus Nun era a parte masculina da deusa Naunet e eles representavam a
própria Água Primordial.
O deus Hu era a parte masculina da deusa Hauhet e representavam as
infinitas dimensões da Água.
Os deuses Amon e Amonet representavam a natureza intangível e oculta do
mundo invisível, em paradoxo com o mundo manifestado onde os seres vivos
existiam e se reproduziam.
Kuk e Kauket eram a manifestação da escuridão presente.
Os oito deuses e deusas eram divididos em masculino e feminino, sendo simbolicamente
representados como criaturas aquáticas. Os machos eram representados na forma
de sapos e as fêmeas na forma de cobras.
No meio das águas primordiais nasceu uma ilha, que foi chamada de Ilha
das Chamas ou Ilha do Fogo. Água e fogo se misturam para formar a primeira
porção seca e a atmosfera.
Nesta ilha os deuses da Ogdóade colocaram um ovo, do qual nasceu o deus
Ré, responsável pela criação do mundo. Segundo a explicação, mais tarde a
cidade de Hermópolis foi construída sobre essa ilha.
Os elementos da cosmogonia de Hermópolis citam alguns elementos da
Cosmogonia Bíblica, provando mais uma vez que tudo partiu da mesma fonte.
Assim como na Bíblia, o relato de Hermópolis afirma que foram as Águas
Primordiais, que numa mistura de água e fogo formaram todo o universo. Podemos
também observar a existência da figura do Ovo de Ré, que conforme os egípcios é
o elemento fundamental para a criação do mundo.
Perceba que o Ovo de Ré é uma distorção do que as Escrituras denominam
como Pão Vivo que desceu do céu, Jesus Cristo o criador de todas as coisas.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
quinta-feira, 23 de abril de 2026
FILEMON
- Para quem foi escrito este livro? Para Filemon (um irmão cristão, dono de escravos em Colossos).
- Por quem foi escrito (autor)? Paulo.
- Em qual momento histórico? Por volta do ano 60 d.C., quando Paulo esteve pela primeira vez numa prisão em Roma.
- Por que este livro foi escrito? Porque, através dos ensinamentos de Paulo, Onésimo tinha se tornado cristão e queria acertar sua situação com Filemon (de quem havia fugido).
- Para quê este livro foi escrito? Para registrar como o apóstolo Paulo, usando toda sua força pessoal para produzir uma solução cristã a um problema muito sério, pede a Filemon que perdoe e receba Onésimo de volta, não mais como escravo, mas como um irmão (como se estivesse recebendo o próprio Paulo).
domingo, 19 de abril de 2026
HELIÓPOLIS
Segundo o relato da criação da cidade de Heliópolis, no princípio, Num
era as águas do caos.
Com o passar do tempo, a colina Ben-Bem que era formada de lodo, se
ergueu dessas águas e no seu topo apareceu o primeiro deus, Atum. Assim como
nas outras cosmogonias, aqui também o mundo manifestado surge das águas
primordiais.
A tosse de Atum expeliu Shu que era o deus do ar e Tefnut, a deusa da
umidade. Shu e Tefnut geraram dois filhos, Nut, a deusa do céu e Geb, o deus da
terra.
Nut e Geb se juntaram e tiveram quatro filhos: Osíris, Isís, Seth e
Néftis.
Osíris se tornou o deus da terra. Sua irmã Isís foi a sua rainha. Osíris
teve um filho com Ísis chamado Hórus.
Motivado por imensa inveja, Seth, que havia se tornado o deus do
deserto, um dia matou o seu irmão Osíris.
Após sua morte, Osíris foi para o submundo e nesse período Seth
tornou-se rei da terra. Hórus partiu para vingar a morte do seu pai e retomar o
trono.
Iniciou-se uma grande batalha e os confrontos sangrentos duraram por
muito tempo.
Em um duelo, Seth arrancou um olho de Hórus.
A batalha entre tio e sobrinho nunca teve um vencedor e duraria por
milhares de anos.
Sabedores dessa situação, os deuses interromperam as intermináveis
batalhas e ambos foram convocados ao tribunal. Ainda assim as batalhas não
cessaram, e o derramamento de sangue prosseguiu de forma muito pior.
Outra sessão de julgamento foi realizada tendo opiniões divididas entre
os jurados. Os partidários de Seth alegavam que por ser mais velho que Hórus,
ele deveria assumir o trono. Os partidários de Hórus defendiam que o filho de
Osíris, por ser o legítimo herdeiro deveria ser o soberano.
Thoth, o deus da escrita, que mais tarde foi identificado na história
egípcia como Hermes Trismegisto, interveio no conflito decidindo que o justo
seria que o governo do Egito fosse dado a Hórus.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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