domingo, 22 de março de 2026

TODOS OS CAMINHOS

 


“Todos os caminhos levam a Deus” (dito popular). O ditado correto deveria ser: todos os caminhos partiram de um mesmo ponto e se bifurcaram formando duas estradas, uma larga e a outra estreita. Se for tomado o caminho de volta, certamente chegar-se-á ao ponto de origem: o ponto no meio do círculo.

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Na alquimia, cada metal tem seu símbolo próprio, sendo que o circumponto representa o ouro, considerado o mais perfeito entre todos os metais.

O ‘Circumponto, ‘círculo ponto’, ou ‘círculo com ponto no centro’ é um símbolo milenar que representa o próprio sol, o universo, o princípio da existência, o Big Bang, o infinito, mas é principalmente uma referência à singularidade, o início de todas as coisas.

No simbolismo sagrado, esse símbolo faz menção ao tempo do despertar do Universo. O ponto no meio do círculo representa o começo de tudo, a raiz.

Esse é o ponto onde tudo tem um começo. Se a humanidade fizer o caminho de volta, certamente chegará a esse ponto. Ao lugar de onde todas as coisas partiram. O lugar no espaço onde tudo teve um começo. O lugar no tempo onde todos sabiam a mesma única história.

Chegamos a uma constatação que nos deixa perplexos: em um dia antigo, nos primeiros passos da caminhada humana, todos acreditavam na mesma coisa e da mesma forma. Não limitado às religiões do crescente fértil e da mesopotâmia, encontramos a essência do mesmo relato nas religiões orientais. Assim está escrito no Rig Veda: “Não existia nada: nem o claro céu, nem ao alto a imensa abóbada celeste. O que tudo encerrava, tudo abrigava, e tudo encobria, que era? Era das águas o abismo insondável?” (Rig Veda). “A raiz da vida estava em cada Gota do Oceano da Imortalidade, e o Oceano era Luz Radiante, que era fogo, calor e movimento” (Estância III do Livro de Dzian).

Os tebanos do Egito acreditavam que o Monte Primordial emergiu das águas primordiais exatamente na posição geográfica onde estava edificada a cidade de Tebas.

Em paralelo, existe em Israel o Monte Hermon, que é o equivalente físico do Monte da Congregação celestial. Foi no Monte da Congregação, realidade absoluta no céu dos céus, que, no seu tempo, Lúcifer quis se assentar e dali governar o mundo de Deus: “E tu dizias no teu coração: ‘Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte’” (Is 14.13).  

Monte Hermon = Monte Primordial = Monte da Congregação.

 

Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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