domingo, 3 de maio de 2026

COSMOGONIA EGÍPCIA

 

Hermópolis, Tebas, Heliópolis e Mênfis eram as maiores cidades do Egito antigo e cada uma possuía um sistema sacerdotal independente. Motivados por uma disputa de natureza política e religiosa, muito parecida com a concorrência entre as denominações de confissão protestante de hoje, cada grupo de sacerdotes lutavam entre si para fazer com que seus deuses e dogmas fossem impostos sobre as demais cidades.

Por causa dessa disputa existem divergências nos relatos da criação egípcio, contudo sem estabelecer contradições profundas na teologia deles.

Para entender a motivação dos egípcios basta olhar para as denominações cristãs da atualidade, que se dividiram em milhares de subprodutos da mesma confissão de fé, sem afetar profundamente a teologia mais básica. Esses novos crentes continuam acreditando nas posições fundamentais da teologia cristã, mas diferem entre si por questões dogmáticas, buscando a razão de suas exposições nas entrelinhas dos textos das Escrituras.

Tal qual sacerdotes egípcios da antiguidade, por causa da vaidade pessoal de seus líderes, grupos de católicos e evangélicos se reúnem em volta de um tratado doutrinário e dogmático, passando impor seus pensamentos àqueles que, por serem mais idiotizados pelo sistema religioso, serão ‘presas’ fáceis de abater.

Esses cães religiosos preparam um cozido a base de leite para as crianças e carne para os adultos. Temperam tudo com boas pitadas de superstição. Os esfomeados espirituais, por não julgarem a qualidade da comida e a intenção do cozinheiro, vendem por baixo preço o direito de sua primogenitura.

Spinoza dizia que “não há meio mais eficaz para dominar a multidão do que a superstição”; e quando a superstição tem uma boa explicação teórica associada a uma pseudo experiência transcendental fica fácil arrancar gritos apaixonados, danças acalouradas e cada centavo da carteira de dinheiro.

Essa é a guerra civil existente entre as congregações cristãs que são concorrentes no mercado da fé. Todas motivadas pela ambição e fanatismo.

Tudo começa na figura de um sacerdote que não concorda com o governo da igreja local a qual pertence. Por possuir o poder sedutor de falar na mente de alguns, esse sacerdote toma ares de profeta de um novo começo.

Com o advento do profeta dos amotinados, o que vem depois é a elevação de uma nova placa denominando um novo grupo de congregados, que por se acharem com mais razão que os outros, passam a agir como prosélitos, celebrando a estupidez da distorção da mensagem unificadora do Evangelho de Jesus Cristo.

O mundo mudou muito desde a idade do bronze, todavia o homem antigo é o mesmo da idade do módulo lunar, movido pelos mesmos sentimentos egoístas de sempre.

O que motivava o sacerdote egípcio é o mesmo sentimento que motiva muitos sacerdotes cristãos da atualidade: a riqueza material, a superioridade intelectual, a vaidade espiritual, mas principalmente o estabelecimento do poder sobre os demais.


 Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário