Hermópolis, Tebas, Heliópolis e Mênfis eram as maiores cidades do Egito
antigo e cada uma possuía um sistema sacerdotal independente. Motivados por uma
disputa de natureza política e religiosa, muito parecida com a concorrência
entre as denominações de confissão protestante de hoje, cada grupo de
sacerdotes lutavam entre si para fazer com que seus deuses e dogmas fossem
impostos sobre as demais cidades.
Por causa dessa disputa existem divergências nos relatos da criação
egípcio, contudo sem estabelecer contradições profundas na teologia deles.
Para entender a motivação dos egípcios basta olhar para as denominações
cristãs da atualidade, que se dividiram em milhares de subprodutos da mesma
confissão de fé, sem afetar profundamente a teologia mais básica. Esses novos
crentes continuam acreditando nas posições fundamentais da teologia cristã, mas
diferem entre si por questões dogmáticas, buscando a razão de suas exposições
nas entrelinhas dos textos das Escrituras.
Tal qual sacerdotes egípcios da antiguidade, por causa da vaidade
pessoal de seus líderes, grupos de católicos e evangélicos se reúnem em volta
de um tratado doutrinário e dogmático, passando impor seus pensamentos àqueles
que, por serem mais idiotizados pelo sistema religioso, serão ‘presas’ fáceis
de abater.
Esses cães religiosos preparam um cozido a base de leite para as
crianças e carne para os adultos. Temperam tudo com boas pitadas de
superstição. Os esfomeados espirituais, por não julgarem a qualidade da comida
e a intenção do cozinheiro, vendem por baixo preço o direito de sua
primogenitura.
Spinoza dizia que “não há meio
mais eficaz para dominar a multidão do que a superstição”; e quando a
superstição tem uma boa explicação teórica associada a uma pseudo experiência
transcendental fica fácil arrancar gritos apaixonados, danças acalouradas e
cada centavo da carteira de dinheiro.
Essa é a guerra civil existente entre as congregações cristãs que são
concorrentes no mercado da fé. Todas motivadas pela ambição e fanatismo.
Tudo começa na figura de um
sacerdote que não concorda com o governo da igreja local a qual pertence. Por
possuir o poder sedutor de falar na mente de alguns, esse sacerdote toma ares
de profeta de um novo começo.
Com o advento do profeta dos amotinados, o que vem depois é a elevação
de uma nova placa denominando um novo grupo de congregados, que por se acharem
com mais razão que os outros, passam a agir como prosélitos, celebrando a
estupidez da distorção da mensagem unificadora do Evangelho de Jesus Cristo.
O mundo mudou muito desde a idade do bronze, todavia o homem antigo é o
mesmo da idade do módulo lunar, movido pelos mesmos sentimentos egoístas de
sempre.
O que motivava o sacerdote egípcio é o mesmo sentimento que motiva
muitos sacerdotes cristãos da atualidade: a riqueza material, a superioridade
intelectual, a vaidade espiritual, mas principalmente o estabelecimento do
poder sobre os demais.
teolovida@gmail.com
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