domingo, 13 de julho de 2025

MALKUTH


 

Com a finalidade de trazer o homem de volta para o mais alto nível da evolução espiritual, lugar que ocupou antes da queda, o Eterno concebeu o caminho de volta na forma de uma escadaria de 10 degraus.

São as Dez Sephirots:  Kether, Chochmáh, Bináh, Chessed, Guevuráh, Tifereth, Netzach, Hod, Yessod e Malkuth.

Como dez Véus, estas dez Sephirots ocultam o Criador do homem sujo pelo pecado.

Conforme as verdades esclarecidas pelo Livro do Esplendor, o Zohar, esses dez Véus constituem os dez degraus que equivalem à distância em que nos encontramos do Criador. É a distância que nos separa da Glória Infinita.

Esses degraus começam na presença do Criador e se projetam de forma descendente até o nível dos homens. A Luz do Criador desce por esses degraus até atingir o homem, que se encontra no nível mais inferior da escadaria, o décimo degrau, chamado Malkuth.

Malkuth (em hebraico, מלכות: Mem, Lamed, Kaph, Vau, Tau) é a décima sephirah da árvore da vida cabalística. Segundo a sabedoria dos antigos rabinos, essa emanação representa o reino material. Todavia é mais do que apenas matéria. Malkuth é também é um aspecto psíquico e sutil do reconhecimento da realidade. “Ao perceber sua insignificância e desejando ascender ao Criador, o homem (na medida em que almeje aproximar-se do Criador) sobe pelos mesmos degraus por onde se deu sua descida inicial” (Rabi Hizkiyah).

Na medida que ocorre evolução espiritual, os véus vão se rompendo e o caminho fica livre para que o homem se projete na direção do infinito prazer de se estar na presença do Criador.

Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, Ele introduziu uma frase, que mostra aos seus alunos a necessidade de se evoluir dentro da matriz da Árvore da Vida.

A oração do Pai Nosso começa rogando pelo estabelecimento do Reino correto. Jesus reconhecia que Malkuth era o primeiro degrau na evolução espiritual de seus discípulos e por isso, roga ao Pai, que imediatamente os inserissem no Reino.

Jesus quer que, em contraponto ao reino desse mundo, o Reino de seu Pai seja estabelecido: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu Reino (Reino = Malkuth), seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9,10).

O Mestre sabia muito bem acerca do que estava falando: Ele se referia ao lado certo de Malkuth. Falava do Reino de Deus que em contrapartida ao Reino do Maligno era o mundo sobre a superfície do Lago das Águas Primordiais.

A partir da superfície do Lago a evolução iria continuar, todavia com uma percepção diferente.

Antes de adentrar no Reino, o Criador é totalmente oculto ao homem.

A partir de Malkuth, a escalada dos outros degraus é feita com a certeza de que o Criador está esperando pelo homem no fim da escadaria.

‘Colocar os pés’ no patamar do primeiro degrau é um passo de pura fé; subir os demais degraus é uma caminhada de louvor, adoração, devoção, estudo, humildade e amor.

O governo do lado errado de Malkuth foi oferecido a Jesus pelo seu posseiro. Na ocasião em que foi tentado no deserto, Jesus rejeitou a possibilidade de governar esse mundo: “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás. Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam” (Mt 4:8-11).

Naquela ocasião, na parte mais alta do Monte Quarantânea, Jesus Cristo disse: - Não.

O Filho do Homem rejeitou a possibilidade de governar o lado errado de Malkuth.

Existem dois reinos, ou dois lados de Malkut.

Existe o Reino de Deus, e esse é governado pelo Espírito. É esse Reino que Jesus roga ao Pai que se estabeleça.

Existe também o lado imperfeito de Malkut, governado pelo Espírito desse Mundo – a Velha Serpente, o inimigo de nossas almas, a quem Jesus chamou de Satanás.


Cesar de Aguiar


teolovida@gmail.com


retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

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