Com a finalidade de trazer o homem de volta para o mais alto nível da
evolução espiritual, lugar que ocupou antes da queda, o Eterno concebeu o
caminho de volta na forma de uma escadaria de 10 degraus.
São as Dez Sephirots: Kether, Chochmáh, Bináh, Chessed, Guevuráh,
Tifereth, Netzach, Hod, Yessod e Malkuth.
Como dez Véus, estas dez Sephirots ocultam o Criador do homem sujo pelo
pecado.
Conforme as verdades esclarecidas pelo Livro do Esplendor, o Zohar,
esses dez Véus constituem os dez degraus que equivalem à distância em que nos
encontramos do Criador. É a distância que nos separa da Glória Infinita.
Esses degraus começam na presença do Criador e se projetam de forma
descendente até o nível dos homens. A Luz do Criador desce por esses degraus
até atingir o homem, que se encontra no nível mais inferior da escadaria, o
décimo degrau, chamado Malkuth.
Malkuth (em hebraico, מלכות: Mem, Lamed, Kaph, Vau, Tau) é a décima
sephirah da árvore da vida cabalística. Segundo a sabedoria dos antigos
rabinos, essa emanação representa o reino material. Todavia é mais do que
apenas matéria. Malkuth é também é um aspecto psíquico e sutil do
reconhecimento da realidade. “Ao perceber
sua insignificância e desejando ascender ao Criador, o homem (na medida em que
almeje aproximar-se do Criador) sobe pelos mesmos degraus por onde se deu sua
descida inicial” (Rabi Hizkiyah).
Na medida que ocorre evolução espiritual, os véus vão se rompendo e o
caminho fica livre para que o homem se projete na direção do infinito prazer de
se estar na presença do Criador.
Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, Ele introduziu uma frase,
que mostra aos seus alunos a necessidade de se evoluir dentro da matriz da
Árvore da Vida.
A oração do Pai Nosso começa rogando pelo estabelecimento do Reino
correto. Jesus reconhecia que Malkuth era o primeiro degrau na evolução
espiritual de seus discípulos e por isso, roga ao Pai, que imediatamente os
inserissem no Reino.
Jesus quer que, em contraponto ao reino desse mundo, o Reino de seu Pai
seja estabelecido: “Pai nosso, que estás
nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu Reino (Reino = Malkuth),
seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:9,10).
O Mestre sabia muito bem acerca do que estava falando: Ele se referia ao
lado certo de Malkuth. Falava do Reino de Deus que em contrapartida ao Reino do
Maligno era o mundo sobre a superfície do Lago das Águas Primordiais.
A partir da superfície do Lago a evolução iria continuar, todavia com
uma percepção diferente.
Antes de adentrar no Reino, o Criador é totalmente oculto ao homem.
A partir de Malkuth, a escalada dos outros degraus é feita com a certeza
de que o Criador está esperando pelo homem no fim da escadaria.
‘Colocar os pés’ no patamar do primeiro degrau é um passo de pura fé;
subir os demais degraus é uma caminhada de louvor, adoração, devoção, estudo,
humildade e amor.
O governo do lado errado de Malkuth foi oferecido a Jesus pelo seu
posseiro. Na ocasião em que foi tentado no deserto, Jesus rejeitou a
possibilidade de governar esse mundo: “Novamente
o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do
mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me
adorares. Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao
Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás. Então o diabo o deixou; e, eis
que chegaram os anjos, e o serviam” (Mt 4:8-11).
Naquela ocasião, na parte mais alta do Monte Quarantânea, Jesus Cristo
disse: - Não.
O Filho do Homem rejeitou a possibilidade de governar o lado errado de
Malkuth.
Existem dois reinos, ou dois lados de Malkut.
Existe o Reino de Deus, e esse é governado pelo Espírito. É esse Reino
que Jesus roga ao Pai que se estabeleça.
Existe também o lado imperfeito de Malkut, governado pelo Espírito desse
Mundo – a Velha Serpente, o inimigo de nossas almas, a quem Jesus chamou de
Satanás.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA
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