A pergunta é profunda — e antiga.
Em alguns textos lemos que Deus “se arrependeu”.
Por exemplo, em Gênesis 6:6, antes do dilúvio, está escrito que Deus “se arrependeu de ter feito o homem”.
Já em Êxodo 32, após o pecado do bezerro de ouro, o texto diz que o Senhor “se arrependeu do mal que dissera que faria”.
Mas há também declarações claras como em Números 23:19:
“Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa.”
E então? Contradição?
Não. Profundidade.
Na cultura hebraica, o verbo usado para “arrepender-se” é nacham, que também pode significar mudar de disposição, entristecer-se, compadecer-se.
A Bíblia usa linguagem humana (antropopática) para descrever ações divinas, porque nossa mente limitada precisa de pontes para compreender o Infinito.
Deus não muda em Sua essência.
Ele é imutável em Seu caráter — santo, justo, misericordioso.
Mas Ele responde à postura humana dentro da história.
Quando o homem muda, a forma como experimenta Deus também muda.
Em Jonas 3, quando Nínive se arrepende, Deus “se arrepende” do juízo anunciado. Não porque errou. Mas porque o juízo sempre teve propósito pedagógico: provocar arrependimento.
Deus não é instável.
Mas Ele é relacional.
Se você insiste no erro, experimentará a justiça.
Se você se volta para Ele, experimentará misericórdia.
O “arrependimento” de Deus revela algo poderoso:
Ele não é indiferente. Ele se envolve. Ele responde. Ele se importa.
Hoje, a pergunta não é se Deus muda.
A pergunta é: nós estamos dispostos a mudar?
Porque quando o coração humano se volta para Deus, o cenário espiritual muda completamente.
— Cesar de Aguiar
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