domingo, 8 de março de 2026

O MAR DAS ÁGUAS PRIMORDIAIS

 



O Lago estava adormecido aos pés do Altíssimo, até que o Pão da Vida tocou suas águas de cristal.

Uma elegante, porém furiosa onda se formou abrindo sua circunferência que buscava o limite da margem.

Na forma da intenção do Altíssimo, o que era oculto se fez revelado.

O Espírito de Deus pairava sobre as revoltas Águas da Vida e tudo que ainda não havia como realidade, se ergueu e se formou.

Cada gota do oceano era água e era fogo.

Da água emergiu a terra e do fogo se fez o ar.

Mantendo a superfície das águas isoladas da profundidade do oceano, os véus da realidade cumprem a missão de ocultar o que está acima da superfície.

Sob as águas, o que é visto pelos olhos é a grande ilusão dos submersos.

Sobre a superfície das águas primordiais tudo está unido ao mundo dos espíritos, que Platão chamou de mundo das ideias.

Abaixo da superfície tudo é sombra. Sombras do que o homem deveria ser enquanto filho gerado no seio do Pai dos Espíritos. Abaixo da superfície o homem é apenas um borrão escuro do que deveria ter sido.

Acontece que em direção à profundidade das águas, as imagens são distorcidas pelo fenômeno físico e também espiritual conhecido pelo nome de ‘refração da luz’. Esse fenômeno explica que quanto mais refringente for um meio óptico, menor será a velocidade da luz em seu interior. A profundidade das águas afeta o comportamento da luz.

O meio fluido, abaixo da superfície provoca refração, uma mudança da direção de uma onda luminosa.

A profundidade das águas diminui a velocidade da luz e muda o curso de sua direção.

É impossível ser luz em sua plenitude quando o meio é inadequado. Devemos ser luz, todavia o meio onde vivemos é uma prisão onde as características mais essenciais da luz são coibidas de se manifestar.

Existe um chamado que convida o homem para emergir da profundidade escura: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7).

A consciência do homem pode evoluir rumo a superfície, onde a velocidade da luz não sofre alteração e onde as propriedades das imagens são verdadeiras e não meros espetros da realidade.

 

Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário