O Lago estava adormecido aos pés do Altíssimo, até que o Pão da Vida
tocou suas águas de cristal.
Uma elegante, porém furiosa onda se formou abrindo sua circunferência
que buscava o limite da margem.
Na forma da intenção do Altíssimo, o que era oculto se fez revelado.
O Espírito de Deus pairava sobre as revoltas Águas da Vida e tudo que
ainda não havia como realidade, se ergueu e se formou.
Cada gota do oceano era água e era fogo.
Da água emergiu a terra e do fogo se fez o ar.
Mantendo a superfície das águas isoladas da profundidade do oceano, os
véus da realidade cumprem a missão de ocultar o que está acima da superfície.
Sob as águas, o que é visto pelos olhos é a grande ilusão dos submersos.
Sobre a superfície das águas primordiais tudo está unido ao mundo dos
espíritos, que Platão chamou de mundo das ideias.
Abaixo da superfície tudo é sombra. Sombras do que o homem deveria ser
enquanto filho gerado no seio do Pai dos Espíritos. Abaixo da superfície o
homem é apenas um borrão escuro do que deveria ter sido.
Acontece que em direção à profundidade das águas, as imagens são
distorcidas pelo fenômeno físico e também espiritual conhecido pelo nome de
‘refração da luz’. Esse fenômeno explica que quanto mais refringente for um
meio óptico, menor será a velocidade da luz em seu interior. A profundidade das
águas afeta o comportamento da luz.
O meio fluido, abaixo da superfície provoca refração, uma mudança da
direção de uma onda luminosa.
A profundidade das águas diminui a velocidade da luz e muda o curso de
sua direção.
É impossível ser luz em sua plenitude quando o meio é inadequado.
Devemos ser luz, todavia o meio onde vivemos é uma prisão onde as
características mais essenciais da luz são coibidas de se manifestar.
Existe um chamado que convida o homem para emergir da profundidade
escura: “Mas, se andarmos na luz, como
ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo,
seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1:7).
A consciência do homem pode evoluir rumo a superfície, onde a velocidade
da luz não sofre alteração e onde as propriedades das imagens são verdadeiras e
não meros espetros da realidade.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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