Para a cosmogonia da cidade de Tebas, embora Amon não figurasse como um
membro da Ogdóade, ele era a verdadeira força secreta por detrás da criação. A
teologia de Tebas não excluía a existência dos demais deuses, todavia os
colocava em um patamar inferior.
Para afrontar a crença dos demais sistemas religiosos egípcios, Tebas
impunha que Amon era superior e transcendia aos demais deuses de forma
infinita, até mesmo porque habitava ‘além do céu’ e era ‘mais profundo que o
submundo’.
O paralelo hebreu de Amon é o que os cabalistas judeus chamam de ‘Ain
Soph’.
Abaixo de ‘Ain Soph’ e acima de todas as manifestações da Árvore
Sefirótica, para além da mais alta Sephirot, que é Kether, existe um espaço a
que chamam de ‘Aïn Soph Aur’, que é a luz sem fim.
Esse espaço luminoso já é em si, um nível impenetrável à consciência de
qualquer hierarquia criada, sejam serafins, querubins, tronos, anjos ou mesmo o
ser humano.
‘Ain Soph Aur’ é o ‘Absoluto’, o ‘Não-Manifestado’, que imbuído da
intenção de ser compreendido emanou ‘Kether’, a primeira sephirot, que por sua
vez emanou os demais frutos da ‘Árvore da Vida’.
O homem nunca compreendeu, nem jamais compreenderá o poder e a
luminosidade de ‘Kether’.
Considere que: se ‘Kether’ é uma sephirot manifestada para nosso
multiverso, já nos é incompreendida, quanto mais ‘Ain Soph Aur’, que não se
manifesta, quem a compreenderá?
Meditando sobre esse supremo poder, considere que ‘Ain Soph’ está acima
de ‘Ain Soph Aur’.
‘Ain Soph’ é o absoluto, cujo nome significa: ‘Sem Limites’.
A teologia egípcia está longe de possuir o arrojo da teologia judaica,
que apresenta o Deus Triuno através do esquema que se eleva sobre a Árvore da
Vida.
Envolvendo Kether e todas as suas emanações está ‘Ain Soph Aur’;
envolvendo ‘Ain Soph Aur’ e tudo que este envolve, está ‘Ain Soph’; e por fim
envolvendo ‘Ain Soph’ e tudo que esse envolve, está o Absoluto do Absoluto, que
se chama ‘Ain’.
‘Ain’ é o ‘Deus Pai’. ‘Ain Soph’ é o ‘Filho’. ‘Ain Soph Aur’ é o
‘Espírito Santo’.
Todavia ‘Ain Soph’, é para o egípcio, a descrição do deus Amon, que
nesse paralelo é uma cópia torta da ‘Divina Pessoa de Jesus’.
Esse deus Amon, apesar de seus poderes ilimitados, tinha um
comportamento ao nível das criaturas e de forma vaidosa participava das
pequenas querelas humanas, mostrando-se débil diante de eventos onde um
soberano de tal envergadura deveria ter uma postura condizente com o seu poder.
Em um paralelo com Jesus, Amon seria facilmente superado pelo ‘Logus
Divino’.
O relato de Tebas compara o ato da criação de Amon com o grasnar de um
ganso.
O grito desse deus movimentou a face das águas primordiais que se
desdobraram em ondas pelo efeito da reverberação do som. Assim foram criados
todos os deuses da Ogdóade.
Amon era tão superior, que sua verdadeira natureza era ocultada até
mesmo dos outros deuses. Ele era a fonte da criação, e todos os outros deuses,
eram apenas aspectos de sua natureza, uma espécie de manifestação de seus
atributos.
Com base nessa crença, Amon acabou por se tornar o deus supremo do
panteão egípcio e Tebas era reconhecida como o local onde o Monte Primordial
havia surgido no início dos tempos.
‘Benben’ foi o monte que surgiu a partir das águas primordiais.
A expressão ‘Pedra Benben’ é usada até os dias de hoje para se referir à
pedra que fica no topo das pirâmides egípcias. Esse termo também está associado
à construção dos antigos e a recentes obeliscos, construídos em diversas
cidades espalhadas pelo mundo, como Washington, Vaticano, Buenos Aires, São
Paulo, Paris, Petrópolis, entre outras.
Todo obelisco é uma menção à forma como o mundo veio à existência sob a
perspectiva tebana, e, além disso, se comporta no mundo espiritual como uma
homenagem aos deuses do antigo Egito.
Acreditava-se que ‘Benben’ emergiu das águas primordiais para receber a
incidência dos primeiros raios da luz solar. Na teologia judaica encontramos um
paralelo que finalmente demonstra que todas as tradições religiosas partiram de
uma mesma única história.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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