domingo, 29 de março de 2026

TEBAS


 

Para a cosmogonia da cidade de Tebas, embora Amon não figurasse como um membro da Ogdóade, ele era a verdadeira força secreta por detrás da criação. A teologia de Tebas não excluía a existência dos demais deuses, todavia os colocava em um patamar inferior.

Para afrontar a crença dos demais sistemas religiosos egípcios, Tebas impunha que Amon era superior e transcendia aos demais deuses de forma infinita, até mesmo porque habitava ‘além do céu’ e era ‘mais profundo que o submundo’.

O paralelo hebreu de Amon é o que os cabalistas judeus chamam de ‘Ain Soph’.

Abaixo de ‘Ain Soph’ e acima de todas as manifestações da Árvore Sefirótica, para além da mais alta Sephirot, que é Kether, existe um espaço a que chamam de ‘Aïn Soph Aur’, que é a luz sem fim.

Esse espaço luminoso já é em si, um nível impenetrável à consciência de qualquer hierarquia criada, sejam serafins, querubins, tronos, anjos ou mesmo o ser humano.

‘Ain Soph Aur’ é o ‘Absoluto’, o ‘Não-Manifestado’, que imbuído da intenção de ser compreendido emanou ‘Kether’, a primeira sephirot, que por sua vez emanou os demais frutos da ‘Árvore da Vida’.

O homem nunca compreendeu, nem jamais compreenderá o poder e a luminosidade de ‘Kether’.

Considere que: se ‘Kether’ é uma sephirot manifestada para nosso multiverso, já nos é incompreendida, quanto mais ‘Ain Soph Aur’, que não se manifesta, quem a compreenderá?

Meditando sobre esse supremo poder, considere que ‘Ain Soph’ está acima de ‘Ain Soph Aur’.

‘Ain Soph’ é o absoluto, cujo nome significa: ‘Sem Limites’.

A teologia egípcia está longe de possuir o arrojo da teologia judaica, que apresenta o Deus Triuno através do esquema que se eleva sobre a Árvore da Vida.

Envolvendo Kether e todas as suas emanações está ‘Ain Soph Aur’; envolvendo ‘Ain Soph Aur’ e tudo que este envolve, está ‘Ain Soph’; e por fim envolvendo ‘Ain Soph’ e tudo que esse envolve, está o Absoluto do Absoluto, que se chama ‘Ain’.

‘Ain’ é o ‘Deus Pai’. ‘Ain Soph’ é o ‘Filho’. ‘Ain Soph Aur’ é o ‘Espírito Santo’.

Todavia ‘Ain Soph’, é para o egípcio, a descrição do deus Amon, que nesse paralelo é uma cópia torta da ‘Divina Pessoa de Jesus’.

Esse deus Amon, apesar de seus poderes ilimitados, tinha um comportamento ao nível das criaturas e de forma vaidosa participava das pequenas querelas humanas, mostrando-se débil diante de eventos onde um soberano de tal envergadura deveria ter uma postura condizente com o seu poder.

Em um paralelo com Jesus, Amon seria facilmente superado pelo ‘Logus Divino’.

O relato de Tebas compara o ato da criação de Amon com o grasnar de um ganso.

O grito desse deus movimentou a face das águas primordiais que se desdobraram em ondas pelo efeito da reverberação do som. Assim foram criados todos os deuses da Ogdóade.

Amon era tão superior, que sua verdadeira natureza era ocultada até mesmo dos outros deuses. Ele era a fonte da criação, e todos os outros deuses, eram apenas aspectos de sua natureza, uma espécie de manifestação de seus atributos.

Com base nessa crença, Amon acabou por se tornar o deus supremo do panteão egípcio e Tebas era reconhecida como o local onde o Monte Primordial havia surgido no início dos tempos.

‘Benben’ foi o monte que surgiu a partir das águas primordiais.

A expressão ‘Pedra Benben’ é usada até os dias de hoje para se referir à pedra que fica no topo das pirâmides egípcias. Esse termo também está associado à construção dos antigos e a recentes obeliscos, construídos em diversas cidades espalhadas pelo mundo, como Washington, Vaticano, Buenos Aires, São Paulo, Paris, Petrópolis, entre outras.

Todo obelisco é uma menção à forma como o mundo veio à existência sob a perspectiva tebana, e, além disso, se comporta no mundo espiritual como uma homenagem aos deuses do antigo Egito.

Acreditava-se que ‘Benben’ emergiu das águas primordiais para receber a incidência dos primeiros raios da luz solar. Na teologia judaica encontramos um paralelo que finalmente demonstra que todas as tradições religiosas partiram de uma mesma única história.


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

 

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