domingo, 17 de novembro de 2024

UM DIA TERCEIRO

  


“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro” (Gn 1.9-13).

 

Enquanto a ampulheta de Moisés iniciava um novo ciclo de 24 horas, relativamente o relógio do universo apontava um tempo de 3,5 bilhões de anos. O terceiro dia da criação amanheceu a 4 bilhões de anos e a aproximadamente 500 milhões se deu o anoitecer.

No alvorecer do terceiro dia, em função de um ambiente propício à próxima etapa evolutiva, a vida orgânica iniciou sua jornada a nível cósmico com a formação dos primitivos organismos unicelulares culminando com o aparecimento, já em nosso planeta, dos peixes e proto-anfíbios, há aproximadamente 500 milhões de anos.

A ciência faz referência a esse período de tempo dizendo que a terra era muito quente e lentamente se resfriou, permitido que a água em forma líquida aparecesse. Através de uma lenta caminhada, subindo a escada da evolução surgiram em nosso planeta as primeiras bactérias e a primitiva vegetação de algas marinhas.

Lúcifer que havia sido precipitado sobre a superfície terrestre no segundo dia, estabelecia na terra o seu reino mineral. Naturalmente, por estudar e conhecer a geografia do nosso planeta, ele se mudou para a melhor região da Terra, onde futuramente o Criador plantaria um jardim fechado, para onde Adão seria levado. “Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro” (Ez 28:13). Todavia seu reinado absoluto não perdurou por mais de um dia.

Se avançarmos um pouco no texto analisando os eventos do quarto dia, de forma intrigante percebemos que há uma aparente suspensão da evolução biológica. Parece-nos que o quarto dia é um elemento intruso no processo de criação, ou que foi colocado ali para abrir nossa percepção para algo muito maior que a nossa imaginação poderia elencar.

A criação dos “luzeiros no firmamento dos céus”, ocorrida no quarto dia é obviamente uma referência ao Sol, à Lua, e às estrelas. Perceba o quanto isso é intrigante! Afinal, como a vida biológica, que teve seu início no terceiro dia, poderia acontecer antes do aparecimento do Sol? Como haver evolução da vida sem a presença do Sol? E a fotossíntese? Como vicejar árvores e ervas sem a presença do Sol?

É notório que a radiação emitida pelo nosso Astro Rei é fonte de vida e de energia essencial para a Terra. Além de influenciar diretamente a órbita de todos os planetas de seu sistema, a energia solar impulsiona as correntes atmosféricas e marítimas, faz evaporar a água (que volta à terra na forma de chuva e neve), estimula o processo de fotossíntese das plantas, sendo absolutamente essencial para a evolução da vida biológica. Todavia a cronologia dos eventos da criação mostra o aparecimento da vida biológica no terceiro dia e o aparecimento do sol apenas no quarto. Como isso é possível? Teria Moisés errado ao descrever o cronograma das etapas da criação?

Temos a certeza de que o Gênesis Bíblico não erra.

Devemos levar a sequência dos eventos de Gênesis a sério, sabendo que o que está na Bíblia é a verdade acima do que a ciência ainda não descobriu ou conseguiu provar.

Acontece que a vida biológica surgiu muito antes da criação do Planeta Terra. Sim! Antes que o planeta estivesse pronto para gerar e acomodar a vida vegetal e animal, formas variadas de organismos já estavam em pleno processo de evolução em todos os rincões do espaço em expansão.

No universo primitivo, as colisões de partículas subatômicas, a explosão de supernovas, as simples e complexas formações químicas na imensidão do espaço foram as condições inseridas em um ambiente aquoso ideal para o início da vida, produzindo sementes, em um tempo anterior à vida na Terra.

Naquele ambiente ideal foram produzidos átomos, que por sua vez formaram moléculas e compostos químicos, que se autorreplicaram gerando material genético. Esses complexos arranjos químicos e essas elementares formas de seres viventes iniciou sua jornada evolutiva no alvorecer do terceiro dia (a 4 bilhões de anos) e foram espalhados pelo cosmos na onda de expansão gerada pela vibração do Espírito sobre as águas chegando ao nosso planeta a aproximadamente 500 milhões de anos.

A vida orgânica está essencialmente conectada à formação e dispersão do carbono pelos confins do universo.

A explosão de uma supernova tem um alcance inimaginável.

As primeiras estrelas, formadas no início do Universo eram gigantescos reatores nucleares; verdadeiras fábricas de matéria prima para a formação de toda a forma de vida no universo.

Os elementos mais pesados formados em seu núcleo, incluindo o carbono foram disseminados pelo espaço na forma de poeira de estrelas.

Em Ceres, que é um planeta-anão que orbita o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, existe material orgânico formado no próprio asteroide. Os pesquisadores afirmam existir compostos orgânicos alifáticos, que são baseados na forma da cadeia do carbono, e isso demonstra a presença de vida. “Os compostos químicos encontrados (amônia, gelo de água, carbonatos, sais e material orgânico) indicam a existência de um ambiente químico bem complexo, o que sugeriria um ambiente favorável para uma química pré-biótica, ou seja, algo bem próximo do que poderia gerar vida" (Rundsthen Nader, astrônomo da UFRJ).

Uma pesquisa da Nasa, publicada em maio de 2016, na revista americana Meteoritics and Planetary Science afirma que a origem da vida na Terra parece ter sido influenciada por meteoritos que atingiram nosso planeta há bilhões de anos. Acontece que esses meteoritos, viajando pelo espaço, carregava em seus lombos moléculas orgânicas, como é o caso da molécula quiral encontrada no espaço interestelar. Esse artigo publicado na revista científica Science (doi:10.1126/science.aag0606) relata a descoberta dessa molécula em uma nuvem de gás distante 28.000 anos-luz da Terra.

Um belo dia esse material orgânico formado no espaço chegou ao nosso planeta e aqui encontrou um perfeito ambiente para evolução de toda forma de ser vivente.

Lembre-se de que a vida orgânica (carbono) é a base para a origem e evolução de toda a vida.

O planeta perfeito é a nossa casa.

O sêmen que fecundou a mãe Terra foi produzido nos rincões do espaço. A vida que chegou aqui, vinda da formação primordial do universo, foi bem recebida e evoluiu para as mais variadas formas e multicoloridas espécies de existência.

No terceiro dia, a ordem de Deus foi direcionada à terra, para que ela produzisse vida; e a terra a quem Deus dá a ordem não é o nosso planeta Terra, mas a todas as porções de terra espalhadas por todo o universo, e isso aconteceu antes do quarto dia.

No terceiro dia as sementes foram produzidas e no quarto elas chegaram no nosso planeta.

Ao reino das águas, só foi dado a ordem de produzir vida no quinto dia.

 

Raciocine sobre a sequência dos dias da criação:

A-     No terceiro dia Deus ordenou que a terra (todas as porções de terra do universo) produzisse vida, focando no texto a palavra ‘semente’ (Gn 1.9-13).

B-      No quarto dia o Sol, a Lua e as Estrelas passaram a serem visíveis a partir da superfície do Planeta Terra.

C-      No final do terceiro dia, com a chegada de meteoros carregados de carga genética (chuvas de meteoros) houve sobre nosso planeta uma chuva de sementes.

D-     Nosso planeta foi cultivado com ‘sementes’ de material genético produzidos no espaço e eclodidos na Terra a partir da ação da energia vital do sol sobre a superfície. Com o advento do Sol a vida passou a ter um ambiente adequado para florescer.

E-      No quinto dia as águas recebem a ordem de produzir toda espécie de seres: “E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes criaturas marinhas, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie...”. Note que foram as águas que produziu os seres marinhos, seres que voam e seres limitados à superfície. Sementes perfeitas em um ambiente perfeito e as águas no protagonismo da criação de vida terrestre. O mesmo papel que águas tiveram a nível cósmico, ela passa a ter a nível localizado. O terceiro dia produziu sementes. No quinto dia as sementes já haviam eclodido.

 

Concluindo! A vida na terra começou no espaço, no terceiro dia. Todavia a vida na Terra se estabeleceu apenas no quinto dia a partir das águas dos mares, rios e lagoas desse planeta.

Entendemos que o fato da vida orgânica ter seu início no espaço cósmico e não na superfície de nosso planeta abre um precedente inteligente para sustentarmos nossa certeza de que existe vida inteligente em outros planetas nessa imensidão de espaço.

 

O terceiro dia da Criação é marcado por duas ordens distintas.

Primeiro Deus ordenou que as águas se juntassem debaixo dos céus num único lugar. Essa ordem, por si só viabiliza o aparecimento da porção seca.

Atente para a primeira ordem. As águas deveriam se juntar todas em um mesmo lugar, indicando que também a porção seca se juntaria, sem fracionamento, em um mesmo local. Passou a existir um único grande oceano e um único grande continente.

Em 1915 o cientista A. Wegener elaborou a teoria do supercontinente chamado Pangéia. Essa teoria foi comprovada em 1960 por meio de pesquisas oceanográficas acerca do Fenômeno de Fraturamento do Fundo do Mar. O supercontinente é a primeira configuração geográfica da Terra.

Excluindo toda a separatividade, no princípio os continentes e as águas estavam unidos em um mesmo lugar. O que a Bíblia diz, a ciência apenas constatou! “Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra” (Pv 8:29).

Veja as evidências científicas que servem de comentário para uma análise da configuração evolutiva do nosso planeta no segundo dia da criação: as bordas dos continentes se encaixam; as formações rochosas de dois lados do oceano Atlântico — no Brasil e na África Ocidental — coincidem em idade, tipo e estrutura; algumas cadeias de montanhas antigas de um continente têm a sua continuação em outro continente; foram encontrados vários fósseis de criaturas terrestres que não poderiam ter nadado de um continente ao outro.

Esse movimento de separação continental continua até hoje e nunca vai parar, mesmo que em uma velocidade bem menor do que antes, afinal o deslocamento atual das placas tectônicas é de apenas 2 cm / ano.

“Lançaste os fundamentos da terra ... As águas ficaram acima das montanhas; à tua repreensão fugiram, à voz do teu trovão bateram em retirada. Elevaram-se os montes, desceram os vales, até ao lugar que lhes havias preparado” (Sl 104.5-8).

A terra é um organismo vivo dinâmico que produz vida e se movimenta. Existe dor, sofrimento e perplexidade no movimento que a terra desempenha, delocando-se de suas juntas e se readequando à condições extremas impostas por forças incríveis. Maremotos, tsunamis, furacões, tornados e terremos são os instrumentos que impulsionam a terra a assumir sempre uma nova forma – “à tua repreensão fugiram, à voz do teu trovão bateram em retirada”.

A terra sente a ação do homem e responde suas ações com as consequências naturais para o bem ou para o mal. Esse ser vivo colossal, que algumas culturas chamam de ‘Mãe Terra’, possui consciência de si mesma e atua como um dos jurados do grande julgamento final, onde os crimes cometidos contra a natureza serão finalmente colocados na balança da justiça. “Ouvi, montes, a demanda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da terra; porque o Senhor tem uma demanda com o seu povo, e com Israel entrará em juízo” (Mq 6:2).

O terceiro dia da criação segue rumo ao entardecer! A segunda ordem de Deus nesse dia é direcionada à porção seca do planeta: “E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez ...” (Gn 1.11-12).

A vegetação não é uma criação direta de Deus, mas uma deliberação à capacidade da Terra em produzir vida. Perceba que a terra é a primeira criação fértil, que sob Deus é autônoma.

A terra é uma espécie de criação capaz de criar algo a partir de si mesma. Fecundada pelos elementos vindos dos confins do cosmos, ela contém os elementos químicos que a permitem produzir uma vegetação, que viria a ser o alimento para os animais e para o próprio homem que surgiriam respectivamente no quinto e sexto dia.

Essa é a viagem do sêmen produzido pela explosão de supernovas, que ao chegarem ao óvulo planetário, fecundou a Terra disparando o início da evolução embrionária até o momento ideal do nascimento, onde Deus poderia de forma satisfatória avaliar a criação: “e viu Deus que era bom”.

Lentamente o planeta se resfriou garantindo que tudo o que a terra produz é segundo sua espécie.

Em sintonia com os dias da criação em Gênesis, a ciência afirma que a vida vegetal precede a vida animal. O reino vegetal se estabeleceu no terceiro dia e o reino animal surgiu apenas no dia quinto.

Mais uma vez, a Bíblia e a ciência apertam as mãos, mostrando que aquilo que se evidencia no laboratório é apenas um comentário acerca do que o Criador estabeleceu como obra de suas mãos.

 

O terceiro dia da criação inaugura uma nova fase para o planeta. Água e terra colaboraram entre si para oferecer uma eficaz condição para o estabelecimento da vida animal.

A água em abundância é tão destrutiva quanto a terra seca ao extremo. Assim também é o homem que não sabe combinar altruísmo e egoísmo dentro de si. Feliz é o homem que sabe a diferença espiritual entre a chuva e a tempestade, entre o deserto e a floresta fechada.

A ordem de Deus no terceiro dia da criação foi um convite aos dois principais protagonistas da natureza terrestre. Deus convidou a água e a terra a se equilibrarem em proporções ideais para o florescimento da vida.

 

O EVANGELHO DO TERCEIRO DIA DA CRIAÇÃO

 

Referindo-se a Jesus Cristo, Paulo afirma: “Porque Dele e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente” (Rm 11:36). Existe uma correspondência entre o terceiro dia da criação e o dia da ressurreição de Jesus.

A ressurreição no terceiro dia inaugurou uma nova era para a humanidade, se tornando o símbolo máximo do milagre da nova vida disponível ao homem cuja alma estava em estado de caos.

Assim como a vida começou na terra a partir do terceiro dia, a vida dos redimidos teve início no terceiro dia da morte do Messias, a partir da sua ressurreição.

O número três é emblemático na numerologia da vida de Jesus: foram três presentes que ele ganhou quando era ainda um bebê: ouro, incenso e mirra; Ele tinha 12 anos (1+2=3) quando debateu com os mestres da lei no templo em Jerusalém; aos 30 anos (3+0=3) Ele começou seu ministério; doze (1+2=3) era o número dos seus discípulos;  três discípulos estavam com Ele no Monte Hermon, em sua transfiguração; haviam três pessoas na nuvem da transfiguração – Moisés, Elias e Jesus; Judas o vendeu por 30 moedas de prata (3+0=3); Pedro o negou por 3 vezes; Jesus foi crucificado entre dois bandidos, somando o número de três homens condenados; eram três cruzes no alto do Gólgota; morreu aos 33 anos; foi crucificado na terceira hora do dia romano; três mulheres: Salomé, Maria Madalena e Maria Mãe de Tiago foram visita-lo no terceiro dia da sua morte; o terceiro dia, o dia da ressurreição.

Seria apenas coincidência?


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

UM DIA SEGUNDO

 


“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo” (Gn 1.6-8).

 

Existe uma importante diferença percebida entre o segundo e o quarto dia da criação. No segundo dia foi criado o ‘firmamento’, enquanto que no quarto dia a criação está limitada à perspectiva de um observador que vê os eventos a partir do planeta Terra. Nesse dia ele percebe o aparecimento dos ‘luzeiros no céu’, referindo-se à carta celeste e a todos os astros visíveis da superfície de nosso planeta.

Enquanto o quarto dia fala de galáxias, cometas, estrelas, nebulosas e sistemas planetários, o segundo dia, fugindo da astrofísica clássica, namora os conceitos da física quântica.

No dia segundo estão em voga os elementos mais ancestrais do universo: o “firmamento no meio das águas” e a “separação entre águas debaixo e acima do firmamento”. Esse é o universo primitivo que se organizou nas profundezas do Lago das Águas Primordiais. É a organização da ancestral sopa quântica, onde, passo a passo o véu da realidade foi costurado pelo entrelaçamento das onze supercordas dimensionais.

Relatividade temporal. A ampulheta de Moisés marcava o decorrer de um dia. O relógio do Universo computava milhões de anos!

A dissipação da densidade da matéria formada pela expansão, lentamente causou o resfriamento da sopa de quark-glúons formando colossais nuvens de hidrogênio e outros primitivos elementos químicos.

A partir da simplicidade da mistura inicial, iniciou-se o processo de evolução de substâncias e combinações químicas elementares que produziram complexas formações cósmicas. Em uma matriz de energia pulsante, as primeiras partículas de matéria sólida surgiram como um milagre.

Sim! Um milagre da vibração do Espírito que tangia o instrumento de cordas dimensionais. A música da criação em altíssima frequência era produzida pelo coro dos corpos celestes que louvavam a Deus enquanto eram construídos na perfeição do Eterno. E continuam assim: sendo produzidos e louvando sem cessar!

“Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus” (Sl 148:3,4).

 

ESTRELAS CANTAM

 

Cientistas da Universidade de York apresentaram elementos que provam que as estrelas geram som. Através de experiências com fluidos em movimento (hidrodinâmica) foi realizado um exame de interação com um laser ultra intenso e um alvo de plasma, o que produziu resultados inesperados.

O Dr. John Pasley, do Instituto de Plasma do Departamento de Física de York, constatou que após um trilionésimo de segundo, os disparos de raios laser sobre o plasma fluía rapidamente das mais altas para as baixas densidades, criando um fenômeno semelhante a um ‘engarrafamento’, o que manifestava uma combinação de impulsos de pressão, ou seja: uma onda sonora.

A frequência gerada era absurdamente alta (em torno de 1 trilhão de hertz). No nosso planeta, os únicos seres vivos que poderiam ouvi-la, com extrema dificuldade seriam os golfinhos ou os morcegos. Afinal, trata-se de uma frequência aproximadamente seis vezes maior do que qualquer uma que pudesse ser ouvida por algum mamífero.

“Um dos poucos locais na natureza onde acreditamos que esse efeito poderia ocorrer é na superfície de estrelas... as estrelas podem estar gerando sons de uma forma semelhante àquela observada nos laboratórios. Portanto, as estrelas podem estar cantando, porém, como o som não se propaga através do vácuo no espaço, ninguém consegue ouvi-las” (Dr. John Pasley).

Segundo as Leis Herméticas, quanto mais próximo da matéria, mais baixa é a vibração. Assim, os minerais possuem as vibrações mais baixas, seguidos dos vegetais, dos animais, do corpo físico humano, da mente humana e do espírito humano. Quanto mais alta a vibração, menos perceptível ela é aos sentidos do corpo físico.

Nesse sentido, o som das estrelas é a vibração em sua frequência mais perfeita e transcendente. Uma estrela é um instrumento ‘cosmosinfônico’ adequado a um louvor sem limites aos exigentes ouvidos do Criador.

O Universo é um imenso palco onde acontece o mais fabuloso concerto musical. As estrelas estão incessantemente gerando sons. Louvando, como dizem as Escrituras.

Ainda que os humanos, limitados pela matéria, tenham perdido a capacidade de ouvir frequências tão elevadas, existe Alguém que ouve uma música perfeita, executada por uma orquestra inimitável.

Quem é o Maestro da Sinfonia dos Céus? Quem compôs a música? E a partitura, quem a escreveu?

Um som perfeito, emitido pelos mais perfeitos instrumentos de Deus. Uma música distante que nos espera no nosso verdadeiro lar. Uma música ao longe que ouviremos cada vez mais perfeitamente, na medida em que nos aproximamos do Uno Perfeito.

O clima de intenso louvor produz a mais positiva de todas as energias espirituais: a Luz. 

Altas frequências são produzidas no interior das maravilhosas fornalhas estelares.

O perfeito louvor é emitido de um interior incandescente.

Perto de Jesus, o coração dos discípulos arde em chamas: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.32).

Para que o perfeito louvor aconteça é necessário um fogo no coração: “Esquentou-se-me o coração dentro de mim; enquanto eu meditava se acendeu um fogo” (Sl 39:3).

Produzir luz e iluminar tudo em volta é apenas consequência de um coração que louva. “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo...” (At 2:3,4).

 

O LOUVOR NO DIA MAIS TENSO DA NOSSA HISTÓRIA EVOLUTIVA

 

Foi assim que aconteceu a segunda-feira, o dia mais tenso entre todos os dias da criação! O único dia onde o Criador se calou no momento de dizer: “e viu Deus que era bom”. Louvor intenso no dia mais decisivo para a manifestação de nossa corda dimensional. Enquanto a batalha acontecia, os astros não paravam de louvar!

Foi no segundo dia da criação (que durou cerca de 4 bilhões de anos universais) que a vitória do bem sobre o mal se estabeleceu definitivamente para a corda dimensional onde nos encontramos.

Garantida pela vitória da matéria sobre a antimatéria, da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal. A vitória absoluta foi estabelecida pela superioridade da Cruz de Cristo sobre toda espécie de energia trevosa em todos os níveis de realidade, em todos os mundos criados, em todas as emanações do Criador.

Nesse dia de épica batalha, Lúcifer foi precipitado para nosso planeta que se encontra instalado no mais inferior nível de realidade das emanações divinas. Expulso do mais elevado nível de emanação, o Querubim ora amotinado contra o Criador foi expulso para o mais inferior grau de criação: Malkut, o nosso Universo manifestado.

Ainda por um tempo a influência de Lúcifer será terrivelmente sentida nesse nível de realidade. Todavia o mal que ainda prevalece será exterminado em uma pequena fração de tempo, pois para o diabo existe muito pouco tempo!

Em Malkut (palavra que significa Reino), o Reino de Deus deve ser tomado e estabelecido a força: “o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11:12).

O Segundo Dia em nossa corda dimensional é um reflexo do segundo dia nas cordas superiores. Enquanto a expansão do universo se procedia em nossa dimensão (Malkuth), correspondentemente em Yesod, Hod, Nietzah, Geburah e em todos os outros mundos acontecia eventos superiores, cada um correspondente ao seu respectivo superior, bem ao estilo “assim na terra como no céu”.

Nos reatores nucleares do interior das estrelas foram formados os elementos químicos mais complexos como o carbono e o oxigênio. Esses elementos essenciais à geração de vida orgânica foram amorosamente doados ao universo pela explosão das supernovas. Quando uma estrela explode, na verdade ela está doando matéria prima para a formação de milhões e bilhões de outras formas de vida. Penso que o Apóstolo Paulo falava de estrelas quando analisava o verdadeiro amor: “ainda que eu entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1Co 13:3).

 

POEIRA DE ESTRELAS

 

O que Carl Sagan falava há muito tempo foi comprovado pelas recentes pesquisas científicas: os seres humanos são feitos de poeira estelar.

Após a análise de 1500 estrelas, astrônomos concluíram que os humanos e os astros brilhantes do espaço possuem 97% do mesmo tipo de átomos.

A verdade é que somos feitos dos despojos da luz e por isso ela é nosso maior desejo!

O que nossa natureza mais anseia é voltar a ser o que um dia fomos.

Quem nasceu de uma estrela não se contenta em ser carvão! Tem que se incendiar. Afinal, o fogo é a essência de nossa mais primitiva natureza.

A luz já havia sido separada das trevas e naturalmente se tornou sua opositora. De forma similar, também a terra é opositora ao domínio do mar. As ilhas e os continentes se precipitam elevando-se acima das águas – é notório que terra e mar são opositores naturais.

Águas e águas são separadas. Expansões se dividem.

Separação!!! Esse é o conceito chave, transmitido por Deus a seu povo eleito “E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus” (Lv 20.26).

O segundo dia é o único que Deus não avalia como bom. Todos os outros dias da criação, Deus termina dizendo: “viu o que tinha feito e avaliou como bom”. Exceto o segundo dia.

Uma metáfora de real equivalência com o dia das trevas absolutas que Cristo experimentou entre o crepúsculo e o amanhecer de sua estada no mundo dos mortos condenados. Por três dias, Cristo esteve morto antes de sua ressurreição. Porém o único dia que Cristo permaneceu todas as horas como morto é no segundo dia. Isso é uma sincronia perfeita com o segundo dia da criação, que demanda das consequências do caos.

No segundo dia a Via Láctea e o Sol se formaram.

Eclipsados por uma densa camada de poeira estelar, o sol, a lua e as estrelas ainda não podiam ser apreciados da superfície de nosso planeta, embora ocupassem as mesmas órbitas que ocupam hoje.

A criação não estava finalizada e tudo estava apenas no começo.

Ainda havia muito trabalho a ser executado.



Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

 

 

 

 

domingo, 10 de novembro de 2024

UM DIA PRIMEIRO

 


“E disse Deus: Haja luz; e houve luz”.

(Deus)

 

‘Aleph’ é a primeira letra do alfabeto dos idiomas semíticos (hebraico, fenício, aramaico, siríaco e árabe). ‘Aleph’ não tem som.

‘Bet’, é a segunda letra do alfabeto dos idiomas semíticos. ‘Bet’ é a primeira letra de toda a Bíblia. O primeiro fonema.

Existe muita sabedoria no posicionamento das letras hebraicas no texto da Torá.

‘Aleph’ é o silêncio do Criador, indicando que no início do Universo Deus ainda não havia falado.

‘Bet’, segundo os antigos rabinos indica a ação do ar em movimento, sendo que para pronunciar o fonema, que é similar ao da letra ‘B’ de nosso alfabeto, o ar é represado no interior dos lábios e solto como uma pequena explosão.

Nos nossos lábios é uma pequena explosão que libera o ar represado no interior da boca. Nos ‘lábios’ de Deus é uma explosão do tamanho do Big Bang.

‘Bet’ sugere a ação do Espírito de Deus, trabalhando desde antes a primeira fala do Criador, vibrando sobre as águas primordiais com seu sopro, fazendo com que o Universo inteiro assumisse a característica de um inimaginável instrumento de sopro e de cordas.

“Como o ruído de muitas águas, como a voz do Onipotente” (Ez 1:24); assim Ezequiel descreve a sua percepção da voz do Criador.

“E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina” (Ap 19:6); João teve a mesma percepção que Ezequiel, indicando que do lado de dentro de nosso Universo, todas as vezes que a voz do Criador ou vozes da superfície forem ouvidas, elas irão reverberar segundo a lei física que impera na profundeza do Lago das Águas Primordiais.

Debaixo d’água o som se propaga quatro vezes mais rápido do que no ar. Voz de muitas águas é a forma como vozes da superfície se propagam num ambiente perfeito para comunicar os efeitos dessas vozes.

Certamente, sobre a superfície do lago as vozes não são de muitas águas. Essas vozes se alteram quando, pronunciadas na superfície, rompem a profundeza das águas, onde em algum ponto, nos encontramos.

 

IEHÍ ÓR

 

“E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro” (Gn 1.3-5).

Milhares de anos após o Big Bang a Voz de Muitas Águas foi ouvida pela primeira vez.

Em sua primeira audição no Universo criado pelo Pão Vivo que Desceu dos Céus, o Criador disse: “Iehí Ór” (“Haja Luz”).

Os fótons vencedores da batalha entre matéria e antimatéria, finalmente livres das algemas da aniquilação celebraram a vitória sob os auspícios dos trovões da Voz do Eterno.

No seu primeiro dia, o universo inflou numa incrível velocidade, dobrando seu tamanho por 125 vezes.

Primeiro as trevas, depois a luz e por conseguinte todo o material estelar, conforme essa ordem, veio a ser, o início de tudo que passou a existir no universo, inclusive o protótipo do planeta que viria a ser a nossa Terra.

As trevas foram criadas antes da luz. Ela é toda a extensão abaixo da superfície das águas do grande lago. Alguns poderiam objetar dizendo que as trevas é a ausência da luz ou que ela é a absoluta ausência de qualquer forma de criação; mas não é assim.

"Havia trevas sobre a face do abismo”. As trevas não devem ser entendidas apenas como a completa desolação. Ela é a matriz pulsante do universo no interior do útero cósmico.

Assim como o útero materno é uma piscina onde o bebê fica mergulhado, evoluindo sua formação até o dia do seu nascimento, as trevas são o líquido amniótico do universo, onde toda a matéria se organiza, tomando as mais variadas formas de corpos celestes, direcionadas pela vibração do Espírito de Deus.

Mais de 95% do universo é composto de energia e matéria escura, sendo que a soma da massa de todos outros corpos celestes, de estrelas a meteoros reunidos por todo o universo, correspondem a menos de 5% restantes.

O abismo citado no Gênesis é talvez a melhor definição para entendermos que todo o universo está mergulhado na imensidão do lago sob o Trono do Altíssimo.

Alguns filósofos convencionaram que trevas é produto da ausência da luz. Mas não é bem isso que a física moderna explica!

As trevas sempre são dissipadas pela luz, todavia assim como a luz, também é composta de matéria. Quando olhamos para o céu e contemplamos as estrelas, vemos entre elas enormes espaços.

O que seriam os espaços escuros entre as estrelas?

Os supostos espaços vazios também são matéria, sendo denominados pelos cientistas Vera Rubin e Arthur Stanley Eddington, como: Matéria Escura.

A física moderna afirma que tudo no universo é composto de matéria e que tudo que existe possui alguma substância. As trevas que servem como pano de fundo para as estrelas não são espaços vazios. São como um tecido negro onde as estrelas tem suas órbitas fixadas.

Imitando a sabedoria do Criador, os comerciantes de jóias fazem exposição de suas gemas afixando-as sobre panos escuros. A escuridão destaca e valoriza a jóia, assim como a imensidão escura do infinito celeste valoriza cada ponto luminoso de uma estrela.

As estrelas são mais fascinantes nas noites mais escuras, assim como as joias mais belas são destacadas na intensidade da escuridão do pano.

Assim é a vida daquele que caminha com Deus! Sua luz se valoriza quando posicionado na escuridão do mundo afastado da fé. Quanto maior a escuridão, mais bela fica a sua presença, rompendo as trevas enquanto enfeita o Universo de Deus.

A Matéria Escura ainda não é perfeitamente compreendida pela ciência, mas os cientistas já concordam que as galáxias que existem são mantidas em suas posições pela gravidade da matéria que as envolve. Nada na criação de Deus está solto ou à deriva. A premissa fundamental do atributo da Onipresença de Deus é que Ele se faz presente onde existir um lugar qualquer.

Se a matéria escura fosse o nada, como Deus estaria presente no nada?

Quando entendemos que o nada não existe no interior do universo, podemos garantir que o Onipresente está em todos os lugares. Afinal o Universo é composto principalmente por uma matéria que tem como principal função propagar a luz; e em matéria de se curvar diante do poder luz, a escuridão é infinitamente eficaz.

Um simples raio do sol dissipa a escuridão de uma caverna inteira!

O profeta Isaías revela que as trevas não são mera ausência de luz quando vaticina: “Eu formo a luz, e crio as trevas” (Is 45.7).

A Luz é o elemento que conduz o universo do caos para a ordem. Ela é citada antes do aparecimento do sol, que acontece apenas no quarto dia da criação.

A luz precede a criação do o sol e sobrevive a ele mesmo depois da consumação dos tempos. “E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem da luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina” (Ap 22:5).

O Sol do nosso sistema não é a luz a que Gênesis se refere, afinal o nosso sol é um produtor de luz tal qual qualquer outra estrela do Universo.

A luz de Gênesis 1.3 é uma invenção divina que transcende a dimensão material. Ela é a mesma invenção que continuará a existir quando o universo inteiro passar pela total devastação (Big Crunch). Ela é a mesma invenção que existe no mundo das ideias, na dimensão perfeita onde o Criador habita com sua glória. Acima de Kether, além da mais incompreendida emanação.

A partir do primeiro dia da criação, toda a Escritura vai transmitir o conceito da luz como opositora das trevas. Deus ordenou a separação entre a claridade e a escuridão.

Andar na luz significa mais do que simplesmente estar separado das trevas. Significa que os filhos da luz naturalmente irão destruir as trevas, simplesmente pelo fato de serem feitos do mesmo material que compõe as estrelas.

A influência dos iluminados sempre muda os ambientes por onde passam e isso é natural.

Tudo foi criado a partir do “Haja Luz” proferido pelo Eterno.

É a luz da Primeira Emanação do Criador e é ela que dá origem a todos os mundos criados. Para criar todas as coisas, Deus falou por 10 vezes em Genesis 1 (v.3; v.6; v.9; v.11; v.14; v.20; v.22; v.24; v.26; v.28-29). Dez emanações.

É a luz primordial que dá início a todas as coisas.

A Grande Explosão de Kether, a Coroa da Majestade.

O tempo não corre para a luz, afinal a luz é a medida do tempo. A luz não envelhece porque a luz viaja na velocidade da luz. E tudo que viaja na velocidade da luz é eterno em relação às algemas da temporalidade.

A luz é eterna e invencível.

Os fótons que surgiram no início do universo, como resultado da vitória da matéria sobre a antimatéria, tem hoje a mesma idade que tinham naquele dia.

A afirmação de Jesus: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.14) toma outra perspectiva quando estamos dispostos a entender que a primeira emanação de Deus para o Universo é algo que compõe a nossa essência.

Somos luz e devemos ter a mesma missão e o mesmo destino que ela.


Cesar de Aguiar


teolovida@gmail.com


retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA