domingo, 17 de novembro de 2024

UM DIA QUARTO

 


“E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto” (Gn 1.14-19).

 

Os corpos celestes foram criados no primeiro dia, todavia só puderam ser contemplados da superfície da Terra a partir do quarto dia, quando a atmosfera se tornou transparente em função da dissipação dos gases e vapores primordiais.

No quarto dia, com o advento definitivo do governo do Sol e da Lua sobre o clima, a lenta evolução que fez da nossa atmosfera o que é hoje, por fim se estabeleceu. Pouco a pouco as ‘cascas’ da atmosfera terrestre foram sendo devidamente posicionadas, enquanto lentamente a poeira cósmica que escondia a luz era varrida do caminho que coloca nosso planeta na rota dos raios solares.

Finalmente aconteceu o estabelecimento da atmosfera terrestre como a conhecemos:

·         Troposfera (a redoma onde vivemos, onde há vida biológica),

·         Estratosfera (que é o cobertor atmosférico, que nos protege do frio do espaço);

·         Mesosfera (que é a fronteira final entre o nosso planeta e o espaço sideral).

Somente no século XVII a ciência começou a entender a matéria da física que explica o peso do ar. Em 1602, o cientista Galileu Galilei iniciou estudos acerca das leis da queda dos corpos e a oscilação. Cerca de 40 anos depois o cientista italiano Torricelli inventou o Barômetro. Em 1654 Blaise Pascal provou matematicamente a existência da Pressão Atmosférica.

Após o trabalho desses homens brilhantes, finalmente a humanidade tomou ciência de que o ar tem peso. Todavia as Escrituras já haviam dito isso há milhares de anos, muito antes da ciência. Jó nos informa que o Criador “regulou o peso do vento” (Jó 28.25).

A atmosfera é um sistema arrojado que não se estabeleceria senão pela coordenação de um hábil arquiteto.

 

UM PEQUENO PONTO DE LUZ NUMA IMENSIDÃO DE ESPAÇO

 

A Via Láctea é uma fantástica construção de aproximadamente 100 mil anos-luz de diâmetro. Com mais de 13 bilhões de anos, a nossa galáxia se formou a mais de 1 bilhão de anos após o Big Bang.

Localizado bem longe do núcleo da galáxia, encontra-se o nosso sistema solar com uma extensão entre 50 a 100 anos-luz.

Com aproximadamente 4,5 bilhões de anos, o Sol é a fonte de toda a energia de nosso sistema planetário. Embora ele nos pareça ser de cor amarela, essa percepção é causada pelo filtro da atmosfera terrestre. Na verdade, o nosso Sol é de cor branca e é composto (principalmente) por hidrogênio e hélio.

No interior do Sol também queimam outros elementos pesados como o ferro, o níquel, o oxigênio, o enxofre, entre outros. Através da fusão nuclear de seus elementos, nossa estrela gera a energia que nos aquece enquanto participa de todo o processo da vida natural do planeta. Muito embora esteja entre as menores estrelas do Universo, o nosso Sol está no patamar daquelas que possuem o maior brilho.

 

A LUZ DO PRIMEIRO E DO QUARTO DIA

 

Existe uma grande diferença entre a luz do primeiro dia da criação, e a luz do quarto dia.

No primeiro dia trata-se da invenção da luz, não se limitando à luz produzida pelo Sol. A palavra hebraica usada para ‘LUZ’ no primeiro dia é ‘OR’, e no quarto dia a palavra usada é ‘MAOR’.

Ambas palavras têm o mesmo significado, todavia ‘MAOR’ possui um prefixo de locativo que a faz significar: ‘um lugar onde a luz é estocada’. Uma descrição perfeita para o nosso Sol, que queima um estoque finito de combustível. O ‘estoque de luz’ é uma referência muito adequada para apontar poeticamente as reações químicas que ocorrem no interior do Sol.

É no quarto dia da criação que, graças ao aparecimento do Sol na carta celeste da Terra, a fotossíntese começa a acontecer. Com o trabalho das plantas tem início a produção de oxigênio e dessa forma a atmosfera terrestre fica cada vez mais propícia ao aparecimento e estabelecimento da vida animal, que lentamente se desenvolve no próximo ciclo evolutivo.

 

A ADORAÇÃO AO SOL E A SUTILEZA DO TEXTO DE GÊNESIS

 

O Gênesis foi escrito por Moisés numa época em que as culturas dos povos ao entorno do acampamento Hebreu eram estruturadas sobre uma concepção politeísta de religião.

Por exemplo, na religião egípcia, Hórus é o deus dos céus. Tinha cabeça de falcão e os seus olhos representavam o Sol e a Lua. Todavia a adoração aos luminares celestes não se limitava apenas ao Egito! Sol e Lua sempre estiveram presentes como objeto de adoração de muitos povos antigos, e até nos dias de hoje, muitas religiões do mundo ainda continuam mantendo formas de adoração a esses dois corpos celestes.

O texto da Torá é inteligente e possui um endereço claro! Observando o texto bíblico, percebemos o quanto a Torá é sutil em desmontar toda forma de religião fundamentada na adoração ao Sol e à Lua. Enquanto nas culturas vizinhas dos hebreus, esses astros são adorados, no texto bíblico, o Sol e a Lua nos são apresentados como objetos sem nome e de status secundário, sendo chamados pela simples designação de ‘luminares’.

O conceito passado pelo texto sagrado é que esses astros foram criados por Deus que conferiu a eles a função de servirem ao planeta dos homens, fornecendo governo para o dia e para a noite: “E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite”.

Note que Deus criou os luminares e não deu nomes a eles. É muito sutil a mensagem: os luminares existem apenas para servirem ao planeta dos homens e não os homens para servirem a eles.

Sol e Lua servem à Terra. A Terra serve ao homem e o homem serve a Deus.

Os hebreus receberam essa revelação da verdade pelas mãos de Moisés. Nunca mais precisariam entender a criação através dos ensinos do mito da criação babilônica - O Enuma Elish.

Naturalmente percebemos que o texto de Gênesis não é uma apologética às descobertas científicas atuais. Gênesis não foi escrito com o objetivo de desfazer a Teoria da Evolução ou mesmo para explicar equações da física moderna. Quando foi escrito, o relato da criação era um enfrentamento direto a outros relatos rivais de religiões politeístas da época de Moisés. O Gênesis, muito além de ser uma epopeia que narra os primeiros dias da história do universo, também se posiciona como um manifesto contra as falsas religiões panteístas do mundo antigo.

Panteísmo é a ideia que afirma que “tudo é deus e deus é tudo”. A doutrina panteísta prega que todo o universo é deus ou faz parte dele. A palavra grega ‘PAN’ significa “tudo” ou “todos”. Dizer que Deus está na criação é apregoar a doutrina herege do panteísmo. Deus não está na criação, pois a criação nunca o caberia. O certo é dizer que a criação manifesta o poder criador do Eterno. Deus não está na criação, todavia a criação manifesta seus propósitos.

Religiões panteístas como o Budismo orientam seus praticantes a fundirem-se com o universo, alegando que tudo é Deus, e que o homem deve se ligar ao todo, para se conectar ao divino ser universal. O Deus da Bíblia não é esse deus.

Posto que é um Ser imutável, como poderia Deus ser parte com um universo que muda constantemente?

O deus do Panteísmo não tem identidade e em última análise, o panteísmo destrói a identidade pessoal do ser humano que pratica seus rituais. Ao tentar se fundir com o universo, esse personagem deixa de ser ele mesmo e se transforma numa marionete da filosofia travestida de religião que existe sem verdade alguma.

Os homens e mulheres redimidos caminham em direção ao Todo. Entretanto o Todo não é o Universo ou o Multiverso criado. O Todo é o próprio Deus que nos gerou em seu ventre, como espíritos acesos pela chama vital procedente Dele mesmo. Fomos inseridos nessa dimensão de Universo, todavia evoluímos de glória em glória ascendendo pela escada de Jacó, em direção ao Uno.

Toda criação material será devastada. Todo átomo caminha para também se unir, novamente ao mesmo único superátomo primordial; aquele que se dividiu no Big Bang. De forma correspondente, “assim na terra como nos céus”, os espíritos gerados em Deus também caminham em direção à unidade. “Somos todos um só corpo, e temos todos o mesmo Espírito e fomos todos chamados para um mesmo futuro glorioso” (Ef 4.4).

Nos unir a um mesmo único corpo é o ápice da evolução espiritual.

Ainda algemados à matéria pelos sentidos do corpo físico, a compreensão do conceito de Igreja é provisoriamente um treinamento para o perfeito que se manifestará muito em breve: “Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado” (1Co 13:10).

 

GEMATRIA EM GÊNESIS

 

A Torá traz em si todas as respostas para todos os questionamentos da alma humana, e sua interpretação transcende a hermenêutica e a exegese tradicional.

Uma perfeita interpretação da Torá deve obrigatoriamente levar em consideração o valor numérico das letras do alfabeto hebraico. O Gênesis começa com a letra hebraica “BEIT” que possui valor numérico igual a 2.

Na Torá nada é por acaso!

A primeira letra nos manda uma mensagem cifrada, dizendo que tudo que YHWH criou tem um caráter duplo. Hebreus 11:3 - “Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente”. O mundo físico e o mundo espiritual. O mundo material e o mundo imaterial.

As Escrituras afirmam que o mundo visível é um reflexo imperfeito do mundo espiritual: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” (1Co 13.12).

Pelo equilíbrio coerente das Escrituras percebemos que o universo possuiu uma natureza dupla, a começar pela letra ‘BEIT’, que abre os escritos da Torá. Tudo que existe no universo é duplo, tudo é binário. “Assim na terra como no céu”.

 

Deus é o Criador e o Regente de todo o Universo – nada na criação deve ser adorado em lugar Dele ou além Dele. Nenhuma matéria e nenhum espírito existem além ou fora do Criador. Tudo que existe foi criado com a finalidade e objetivo de glorificar Seu Magnífico Nome. Essa certeza é a base da segurança para seus adoradores: tudo que existe, inclusive o adorador, foi criado por Deus para Si Mesmo.

A criação de todas as coisas é distinta de Deus, porém depende de Deus para tudo. Em princípio a criação depende de Deus para existir e não obstante a isso ela conta perpetuamente com a energia vital do Criador para manter-se de pé.

Deus não faz parte de sua criação, Ele a transcende, afinal está muito além do que criou. Seu poder é infinito enquanto Sua criação tem início e possibilidade de fim. Somente o que não tem começo pode se exaltar como Eterno. Tudo que começou pode um dia acabar, se esse for o propósito de quem criou. Deus é imanente, ou seja, Deus está dentro de sua criação, todavia a criação não o limita, afinal, tudo o que foi criado se fez do tamanho de algo que cabe na palma da Sua mão.

Os descrentes atuais usam a corrente filosófica do Materialismo para negar a existência de Deus. Essa linha de pensamento diz que o universo material é tudo que existe. Quão infeliz é esse homem que assim pensa: “Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe!” (Sl 53.1). Quão infeliz é aquele que pensa que esse mundo é o limite: “Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (1 C0 15.19).

O crente que concentra seus maiores esforços em alcançar mais riquezas e ajuntar cada vez mais dinheiro, sutilmente vai se transformando em um materialista prático. Alguém que ama a riqueza desse mundo a ponto de contrariar os princípios bíblicos de conduta prática e vida de adoração, torna-se, mesmo que de forma inconsciente em um materialista operacional. Sua vida não difere em nada da vida de alguém que simplesmente nega a existência de Deus.

A vida do crente deve ser contida na convicção de que existe um propósito na criação. O Deus Sábio criou todas as coisas com uma finalidade. Estar inserido positivamente no propósito do universo leva o crente a uma vida de gratidão e serviço dedicado.

 

SOL E LUA

 

O nosso Sol possui uma companheira citada no texto do Gênesis. "E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas” (Gn 1:16).

Sol e Lua aparecem no texto, definidos pelo mesmo termo: LUMINAR. A ideia sustentada é que antes da queda, o homem não experimentava as trevas da noite. O dia de 24 horas era dividido em duas partes: uma parte (chamada de dia) estava sob o governo do luminar maior e a segunda parte do dia (chamada de noite) sob o governo do luminar menor. Dia e noite eram iluminados pelos Luminares. Não havia escuridão. Toda a Terra era banhada de luz o tempo todo.

Após o pecado, Adão viveu a escuridão pela primeira vez. Certamente ele e sua mulher ficaram aterrorizados com a experiência da primeira noite escura de suas vidas.

Após a primeira noite, onde passaram imersos na escuridão, para sempre o homem seria lembrado, no mundo físico, acerca das densas trevas da eternidade em condenação.

Correspondentemente o nosso pecado sobre o Cristo crucificado repetiu a experiência da primeira noite escura de Adão. Por 3 longas horas, a agonia do Messias foi coberta pelas trevas da eternidade, na memorável tarde da sexta feira da paixão (Mt 27:45).

O mundo espiritual invadiu o mundo físico e fez do Gólgota um palco elevado entre os céus e a terra. Um palco de horror, onde o Segundo Adão agonizava diante das mesmas trevas que invadiu a alma do Primeiro Homem, quando este iniciou sua viagem rumo a uma dimensão onde a Árvore da Vida não estava mais a sua disposição.

O livro do Profeta Isaías no capítulo 30 trata de restauração. Restauração de tudo que um dia foi deturpado pelo pecado. Restauração na forma do culto, no reino mineral e animal e restauração do clima. Numa sentença, referindo-se ao Sol e à Lua, o Profeta fala acerca da restauração dos dois luminares ao seu estado natural. “E a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o Senhor ligar a quebradura do seu povo, e curar a chaga da sua ferida” (Is 30:26).

O que surpreendentemente o texto do Profeta está afirmando é que a Lua será restaurada ao seu estado de luminar original e sua luz será como a luz do Sol, da forma como a percebemos hoje. E também o Sol será restaurado brilhando com uma intensidade sete vezes maior que agora. Naturalmente somos levados a refletir sobre como os raios solares eram percebidos e assimilados pelo corpo humano de Adão e sua mulher. É óbvio que um sol tão quente inviabilizaria a existência da vida humana e animal! 

Como explicar isso?

Acontece que o Éden além de ser um lugar físico, também é um lugar fora da nossa dimensão. O Éden era um local dentro do tempo e do espaço, oculto em outra corda dimensional chamada Yesod. Nesse outro lugar o homem tinha contato com realidades superiores. É o Santo dos Santos no simbolismo do Templo.

Em função de sua evolução, Adão foi retirado do lugar onde havia sido criado (Gn 1.26; 2.7,8) e levado para dentro do Jardim Fechado – o Éden. A expulsão do homem do Jardim é a maior involução da história.

A matéria, em função do pecado de Adão, tornou-se mais densa e grosseira. A nudez, pertencente ao conceito da matéria passou a ser percebida por eles que, estavam nus e nunca perceberam.

Como um ser eleito superior sobre a criação material, Adão possuía um corpo de luz e se comunicava de forma livre com os mundos superiores. Um corpo onde a aparência física simplesmente não existia. Com a densificação da matéria o homem foi expulso para um lugar onde o sol e a lua brilhavam sete vezes menos.

Caíram da escada!

Voltaram atrás em uma dimensão na evolução do espírito.

De Yesod foram expulsos para Malkut, o mundo material da noite escura.

Causa e consequência.

O homem, alma vivente possuidor de um corpo físico e um corpo espiritual, com sua desobediência, permitiu que o corpo físico se elevasse sobre o espírito, causando dessa forma uma mudança no seu endereço dimensional.

O homem se rebelou contra Deus e a justiça Divina o empurrou para baixo. Ele não foi esmagado pelo peso da glória e da justiça do Criador.

Não se tratava de vingança, mas de punição com caráter de proteção.

Ao expulsar o homem do Jardim, Deus evitou que a matéria fosse devastada por uma luz que ela seria incapaz de suportar. Um sol que brilhava sete vezes mais!

O pecado fez com que Adão perdesse a supremacia de seu corpo espiritual. Ao perder o governo do corpo de luz, o corpo físico saltou à tona da tricotomia.

O corpo feito de luz não produzia sombra, todavia agora estava mortificado pelo pecado.

Por causa do corpo físico, Adão foi obrigado a atravessar uma dimensão da realidade distanciando-se do Criador. Ao perder o corpo translúcido como a luz, o corpo de matéria contribuía com a escuridão enquanto se tornava uma barreira contra a luz: um produtor de sombras.

Cada dimensão corresponde a sete pesos de glória. Sete degraus que o homem ‘escalou pelo avesso’ da existência.

Essa foi a queda do homem. Saiu de um lugar de plena luz para um mundo onde havia trevas noturnas e onde seu corpo passou a produzir sombra.

Antes da queda, a luz do sol atravessava o homem, potencializando a luminosidade. Tudo era luz – a luz do sol, a luz da lua e a luz que era o corpo do próprio homem.

O corpo espiritual vestido de luz era translúcido.

Olhe para suas unhas! Elas são o que sobrou das vestimentas que o homem usava quando ainda era habitante das terras do Éden. 

A transfiguração de Cristo é uma lembrança do que o homem um dia foi! Diante de seus discípulos mais chegados Jesus se vestiu das mesmas vestes que o Primeiro Adão usava antes da queda (Mt 17).

 

VOLTANDO À LUA

 

Segundo a NASA, novas medições da Lua revelam que o satélite natural está encolhendo. Segundo o estudo esse encolhimento sempre aconteceu. Todavia sabemos pela Torá que nem sempre foi assim. Houve um tempo que a Lua brilhava com a intensidade do Sol.

"Fotografias tiradas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), enviada pela Agência Espacial Americana – NASA, ao satélite, para investigar a órbita da Lua, revelaram que a circunferência da superfície lunar contraiu pelo menos cem metros, nos últimos 1 mil milhões de anos”. Essa descoberta foi divulgada pelo cientista Thomas Watters, do Centro de Estudos Planetários.

O pecado causou uma catástrofe a nível universal. Mas isso terá fim! O Messias vai restaurar tudo aos seus devidos lugares! Os eventos escatológicos afirmam os momentos finais desse nosso mundo.

Os eventos do quarto dia da criação serão conflitados pelos eventos da quarta trombeta do Apocalipse (Ap. 8:12-13). É o QUARTO DIA sendo conflitados pelos auspícios da QUARTA TROMBETA.

Sol, lua e estrelas escurecerão. Serão dias sombrios, úmidos e nublados. Conforme as palavras de Jesus em Lucas 21:25-26 - "Ai! Ai! dos que habitam sobre a terra..."

Descubra que Gênesis e Apocalipse falam basicamente das mesmas coisas, sendo impossível entender o Livro da Revelação a não ser pelos óculos de Bereshit.

O primeiro livro da Bíblia fala da construção do Universo, enquanto o último aponta para a sua reconstrução, onde finalmente os luminares primordiais serão descartados da história humana.

“Nunca mais te servirá o sol para luz do dia nem com o seu resplendor a lua te iluminará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus a tua glória. Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará; porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão” (Is 60:19,20).

“E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21:23).



Cesar de Aguiar


teolovida@gmail.com


retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

 


 

UM DIA TERCEIRO

  


“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro” (Gn 1.9-13).

 

Enquanto a ampulheta de Moisés iniciava um novo ciclo de 24 horas, relativamente o relógio do universo apontava um tempo de 3,5 bilhões de anos. O terceiro dia da criação amanheceu a 4 bilhões de anos e a aproximadamente 500 milhões se deu o anoitecer.

No alvorecer do terceiro dia, em função de um ambiente propício à próxima etapa evolutiva, a vida orgânica iniciou sua jornada a nível cósmico com a formação dos primitivos organismos unicelulares culminando com o aparecimento, já em nosso planeta, dos peixes e proto-anfíbios, há aproximadamente 500 milhões de anos.

A ciência faz referência a esse período de tempo dizendo que a terra era muito quente e lentamente se resfriou, permitido que a água em forma líquida aparecesse. Através de uma lenta caminhada, subindo a escada da evolução surgiram em nosso planeta as primeiras bactérias e a primitiva vegetação de algas marinhas.

Lúcifer que havia sido precipitado sobre a superfície terrestre no segundo dia, estabelecia na terra o seu reino mineral. Naturalmente, por estudar e conhecer a geografia do nosso planeta, ele se mudou para a melhor região da Terra, onde futuramente o Criador plantaria um jardim fechado, para onde Adão seria levado. “Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro” (Ez 28:13). Todavia seu reinado absoluto não perdurou por mais de um dia.

Se avançarmos um pouco no texto analisando os eventos do quarto dia, de forma intrigante percebemos que há uma aparente suspensão da evolução biológica. Parece-nos que o quarto dia é um elemento intruso no processo de criação, ou que foi colocado ali para abrir nossa percepção para algo muito maior que a nossa imaginação poderia elencar.

A criação dos “luzeiros no firmamento dos céus”, ocorrida no quarto dia é obviamente uma referência ao Sol, à Lua, e às estrelas. Perceba o quanto isso é intrigante! Afinal, como a vida biológica, que teve seu início no terceiro dia, poderia acontecer antes do aparecimento do Sol? Como haver evolução da vida sem a presença do Sol? E a fotossíntese? Como vicejar árvores e ervas sem a presença do Sol?

É notório que a radiação emitida pelo nosso Astro Rei é fonte de vida e de energia essencial para a Terra. Além de influenciar diretamente a órbita de todos os planetas de seu sistema, a energia solar impulsiona as correntes atmosféricas e marítimas, faz evaporar a água (que volta à terra na forma de chuva e neve), estimula o processo de fotossíntese das plantas, sendo absolutamente essencial para a evolução da vida biológica. Todavia a cronologia dos eventos da criação mostra o aparecimento da vida biológica no terceiro dia e o aparecimento do sol apenas no quarto. Como isso é possível? Teria Moisés errado ao descrever o cronograma das etapas da criação?

Temos a certeza de que o Gênesis Bíblico não erra.

Devemos levar a sequência dos eventos de Gênesis a sério, sabendo que o que está na Bíblia é a verdade acima do que a ciência ainda não descobriu ou conseguiu provar.

Acontece que a vida biológica surgiu muito antes da criação do Planeta Terra. Sim! Antes que o planeta estivesse pronto para gerar e acomodar a vida vegetal e animal, formas variadas de organismos já estavam em pleno processo de evolução em todos os rincões do espaço em expansão.

No universo primitivo, as colisões de partículas subatômicas, a explosão de supernovas, as simples e complexas formações químicas na imensidão do espaço foram as condições inseridas em um ambiente aquoso ideal para o início da vida, produzindo sementes, em um tempo anterior à vida na Terra.

Naquele ambiente ideal foram produzidos átomos, que por sua vez formaram moléculas e compostos químicos, que se autorreplicaram gerando material genético. Esses complexos arranjos químicos e essas elementares formas de seres viventes iniciou sua jornada evolutiva no alvorecer do terceiro dia (a 4 bilhões de anos) e foram espalhados pelo cosmos na onda de expansão gerada pela vibração do Espírito sobre as águas chegando ao nosso planeta a aproximadamente 500 milhões de anos.

A vida orgânica está essencialmente conectada à formação e dispersão do carbono pelos confins do universo.

A explosão de uma supernova tem um alcance inimaginável.

As primeiras estrelas, formadas no início do Universo eram gigantescos reatores nucleares; verdadeiras fábricas de matéria prima para a formação de toda a forma de vida no universo.

Os elementos mais pesados formados em seu núcleo, incluindo o carbono foram disseminados pelo espaço na forma de poeira de estrelas.

Em Ceres, que é um planeta-anão que orbita o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, existe material orgânico formado no próprio asteroide. Os pesquisadores afirmam existir compostos orgânicos alifáticos, que são baseados na forma da cadeia do carbono, e isso demonstra a presença de vida. “Os compostos químicos encontrados (amônia, gelo de água, carbonatos, sais e material orgânico) indicam a existência de um ambiente químico bem complexo, o que sugeriria um ambiente favorável para uma química pré-biótica, ou seja, algo bem próximo do que poderia gerar vida" (Rundsthen Nader, astrônomo da UFRJ).

Uma pesquisa da Nasa, publicada em maio de 2016, na revista americana Meteoritics and Planetary Science afirma que a origem da vida na Terra parece ter sido influenciada por meteoritos que atingiram nosso planeta há bilhões de anos. Acontece que esses meteoritos, viajando pelo espaço, carregava em seus lombos moléculas orgânicas, como é o caso da molécula quiral encontrada no espaço interestelar. Esse artigo publicado na revista científica Science (doi:10.1126/science.aag0606) relata a descoberta dessa molécula em uma nuvem de gás distante 28.000 anos-luz da Terra.

Um belo dia esse material orgânico formado no espaço chegou ao nosso planeta e aqui encontrou um perfeito ambiente para evolução de toda forma de ser vivente.

Lembre-se de que a vida orgânica (carbono) é a base para a origem e evolução de toda a vida.

O planeta perfeito é a nossa casa.

O sêmen que fecundou a mãe Terra foi produzido nos rincões do espaço. A vida que chegou aqui, vinda da formação primordial do universo, foi bem recebida e evoluiu para as mais variadas formas e multicoloridas espécies de existência.

No terceiro dia, a ordem de Deus foi direcionada à terra, para que ela produzisse vida; e a terra a quem Deus dá a ordem não é o nosso planeta Terra, mas a todas as porções de terra espalhadas por todo o universo, e isso aconteceu antes do quarto dia.

No terceiro dia as sementes foram produzidas e no quarto elas chegaram no nosso planeta.

Ao reino das águas, só foi dado a ordem de produzir vida no quinto dia.

 

Raciocine sobre a sequência dos dias da criação:

A-     No terceiro dia Deus ordenou que a terra (todas as porções de terra do universo) produzisse vida, focando no texto a palavra ‘semente’ (Gn 1.9-13).

B-      No quarto dia o Sol, a Lua e as Estrelas passaram a serem visíveis a partir da superfície do Planeta Terra.

C-      No final do terceiro dia, com a chegada de meteoros carregados de carga genética (chuvas de meteoros) houve sobre nosso planeta uma chuva de sementes.

D-     Nosso planeta foi cultivado com ‘sementes’ de material genético produzidos no espaço e eclodidos na Terra a partir da ação da energia vital do sol sobre a superfície. Com o advento do Sol a vida passou a ter um ambiente adequado para florescer.

E-      No quinto dia as águas recebem a ordem de produzir toda espécie de seres: “E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Deus criou as grandes criaturas marinhas, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie...”. Note que foram as águas que produziu os seres marinhos, seres que voam e seres limitados à superfície. Sementes perfeitas em um ambiente perfeito e as águas no protagonismo da criação de vida terrestre. O mesmo papel que águas tiveram a nível cósmico, ela passa a ter a nível localizado. O terceiro dia produziu sementes. No quinto dia as sementes já haviam eclodido.

 

Concluindo! A vida na terra começou no espaço, no terceiro dia. Todavia a vida na Terra se estabeleceu apenas no quinto dia a partir das águas dos mares, rios e lagoas desse planeta.

Entendemos que o fato da vida orgânica ter seu início no espaço cósmico e não na superfície de nosso planeta abre um precedente inteligente para sustentarmos nossa certeza de que existe vida inteligente em outros planetas nessa imensidão de espaço.

 

O terceiro dia da Criação é marcado por duas ordens distintas.

Primeiro Deus ordenou que as águas se juntassem debaixo dos céus num único lugar. Essa ordem, por si só viabiliza o aparecimento da porção seca.

Atente para a primeira ordem. As águas deveriam se juntar todas em um mesmo lugar, indicando que também a porção seca se juntaria, sem fracionamento, em um mesmo local. Passou a existir um único grande oceano e um único grande continente.

Em 1915 o cientista A. Wegener elaborou a teoria do supercontinente chamado Pangéia. Essa teoria foi comprovada em 1960 por meio de pesquisas oceanográficas acerca do Fenômeno de Fraturamento do Fundo do Mar. O supercontinente é a primeira configuração geográfica da Terra.

Excluindo toda a separatividade, no princípio os continentes e as águas estavam unidos em um mesmo lugar. O que a Bíblia diz, a ciência apenas constatou! “Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra” (Pv 8:29).

Veja as evidências científicas que servem de comentário para uma análise da configuração evolutiva do nosso planeta no segundo dia da criação: as bordas dos continentes se encaixam; as formações rochosas de dois lados do oceano Atlântico — no Brasil e na África Ocidental — coincidem em idade, tipo e estrutura; algumas cadeias de montanhas antigas de um continente têm a sua continuação em outro continente; foram encontrados vários fósseis de criaturas terrestres que não poderiam ter nadado de um continente ao outro.

Esse movimento de separação continental continua até hoje e nunca vai parar, mesmo que em uma velocidade bem menor do que antes, afinal o deslocamento atual das placas tectônicas é de apenas 2 cm / ano.

“Lançaste os fundamentos da terra ... As águas ficaram acima das montanhas; à tua repreensão fugiram, à voz do teu trovão bateram em retirada. Elevaram-se os montes, desceram os vales, até ao lugar que lhes havias preparado” (Sl 104.5-8).

A terra é um organismo vivo dinâmico que produz vida e se movimenta. Existe dor, sofrimento e perplexidade no movimento que a terra desempenha, delocando-se de suas juntas e se readequando à condições extremas impostas por forças incríveis. Maremotos, tsunamis, furacões, tornados e terremos são os instrumentos que impulsionam a terra a assumir sempre uma nova forma – “à tua repreensão fugiram, à voz do teu trovão bateram em retirada”.

A terra sente a ação do homem e responde suas ações com as consequências naturais para o bem ou para o mal. Esse ser vivo colossal, que algumas culturas chamam de ‘Mãe Terra’, possui consciência de si mesma e atua como um dos jurados do grande julgamento final, onde os crimes cometidos contra a natureza serão finalmente colocados na balança da justiça. “Ouvi, montes, a demanda do Senhor, e vós, fortes fundamentos da terra; porque o Senhor tem uma demanda com o seu povo, e com Israel entrará em juízo” (Mq 6:2).

O terceiro dia da criação segue rumo ao entardecer! A segunda ordem de Deus nesse dia é direcionada à porção seca do planeta: “E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez ...” (Gn 1.11-12).

A vegetação não é uma criação direta de Deus, mas uma deliberação à capacidade da Terra em produzir vida. Perceba que a terra é a primeira criação fértil, que sob Deus é autônoma.

A terra é uma espécie de criação capaz de criar algo a partir de si mesma. Fecundada pelos elementos vindos dos confins do cosmos, ela contém os elementos químicos que a permitem produzir uma vegetação, que viria a ser o alimento para os animais e para o próprio homem que surgiriam respectivamente no quinto e sexto dia.

Essa é a viagem do sêmen produzido pela explosão de supernovas, que ao chegarem ao óvulo planetário, fecundou a Terra disparando o início da evolução embrionária até o momento ideal do nascimento, onde Deus poderia de forma satisfatória avaliar a criação: “e viu Deus que era bom”.

Lentamente o planeta se resfriou garantindo que tudo o que a terra produz é segundo sua espécie.

Em sintonia com os dias da criação em Gênesis, a ciência afirma que a vida vegetal precede a vida animal. O reino vegetal se estabeleceu no terceiro dia e o reino animal surgiu apenas no dia quinto.

Mais uma vez, a Bíblia e a ciência apertam as mãos, mostrando que aquilo que se evidencia no laboratório é apenas um comentário acerca do que o Criador estabeleceu como obra de suas mãos.

 

O terceiro dia da criação inaugura uma nova fase para o planeta. Água e terra colaboraram entre si para oferecer uma eficaz condição para o estabelecimento da vida animal.

A água em abundância é tão destrutiva quanto a terra seca ao extremo. Assim também é o homem que não sabe combinar altruísmo e egoísmo dentro de si. Feliz é o homem que sabe a diferença espiritual entre a chuva e a tempestade, entre o deserto e a floresta fechada.

A ordem de Deus no terceiro dia da criação foi um convite aos dois principais protagonistas da natureza terrestre. Deus convidou a água e a terra a se equilibrarem em proporções ideais para o florescimento da vida.

 

O EVANGELHO DO TERCEIRO DIA DA CRIAÇÃO

 

Referindo-se a Jesus Cristo, Paulo afirma: “Porque Dele e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente” (Rm 11:36). Existe uma correspondência entre o terceiro dia da criação e o dia da ressurreição de Jesus.

A ressurreição no terceiro dia inaugurou uma nova era para a humanidade, se tornando o símbolo máximo do milagre da nova vida disponível ao homem cuja alma estava em estado de caos.

Assim como a vida começou na terra a partir do terceiro dia, a vida dos redimidos teve início no terceiro dia da morte do Messias, a partir da sua ressurreição.

O número três é emblemático na numerologia da vida de Jesus: foram três presentes que ele ganhou quando era ainda um bebê: ouro, incenso e mirra; Ele tinha 12 anos (1+2=3) quando debateu com os mestres da lei no templo em Jerusalém; aos 30 anos (3+0=3) Ele começou seu ministério; doze (1+2=3) era o número dos seus discípulos;  três discípulos estavam com Ele no Monte Hermon, em sua transfiguração; haviam três pessoas na nuvem da transfiguração – Moisés, Elias e Jesus; Judas o vendeu por 30 moedas de prata (3+0=3); Pedro o negou por 3 vezes; Jesus foi crucificado entre dois bandidos, somando o número de três homens condenados; eram três cruzes no alto do Gólgota; morreu aos 33 anos; foi crucificado na terceira hora do dia romano; três mulheres: Salomé, Maria Madalena e Maria Mãe de Tiago foram visita-lo no terceiro dia da sua morte; o terceiro dia, o dia da ressurreição.

Seria apenas coincidência?


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

UM DIA SEGUNDO

 


“E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo” (Gn 1.6-8).

 

Existe uma importante diferença percebida entre o segundo e o quarto dia da criação. No segundo dia foi criado o ‘firmamento’, enquanto que no quarto dia a criação está limitada à perspectiva de um observador que vê os eventos a partir do planeta Terra. Nesse dia ele percebe o aparecimento dos ‘luzeiros no céu’, referindo-se à carta celeste e a todos os astros visíveis da superfície de nosso planeta.

Enquanto o quarto dia fala de galáxias, cometas, estrelas, nebulosas e sistemas planetários, o segundo dia, fugindo da astrofísica clássica, namora os conceitos da física quântica.

No dia segundo estão em voga os elementos mais ancestrais do universo: o “firmamento no meio das águas” e a “separação entre águas debaixo e acima do firmamento”. Esse é o universo primitivo que se organizou nas profundezas do Lago das Águas Primordiais. É a organização da ancestral sopa quântica, onde, passo a passo o véu da realidade foi costurado pelo entrelaçamento das onze supercordas dimensionais.

Relatividade temporal. A ampulheta de Moisés marcava o decorrer de um dia. O relógio do Universo computava milhões de anos!

A dissipação da densidade da matéria formada pela expansão, lentamente causou o resfriamento da sopa de quark-glúons formando colossais nuvens de hidrogênio e outros primitivos elementos químicos.

A partir da simplicidade da mistura inicial, iniciou-se o processo de evolução de substâncias e combinações químicas elementares que produziram complexas formações cósmicas. Em uma matriz de energia pulsante, as primeiras partículas de matéria sólida surgiram como um milagre.

Sim! Um milagre da vibração do Espírito que tangia o instrumento de cordas dimensionais. A música da criação em altíssima frequência era produzida pelo coro dos corpos celestes que louvavam a Deus enquanto eram construídos na perfeição do Eterno. E continuam assim: sendo produzidos e louvando sem cessar!

“Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus” (Sl 148:3,4).

 

ESTRELAS CANTAM

 

Cientistas da Universidade de York apresentaram elementos que provam que as estrelas geram som. Através de experiências com fluidos em movimento (hidrodinâmica) foi realizado um exame de interação com um laser ultra intenso e um alvo de plasma, o que produziu resultados inesperados.

O Dr. John Pasley, do Instituto de Plasma do Departamento de Física de York, constatou que após um trilionésimo de segundo, os disparos de raios laser sobre o plasma fluía rapidamente das mais altas para as baixas densidades, criando um fenômeno semelhante a um ‘engarrafamento’, o que manifestava uma combinação de impulsos de pressão, ou seja: uma onda sonora.

A frequência gerada era absurdamente alta (em torno de 1 trilhão de hertz). No nosso planeta, os únicos seres vivos que poderiam ouvi-la, com extrema dificuldade seriam os golfinhos ou os morcegos. Afinal, trata-se de uma frequência aproximadamente seis vezes maior do que qualquer uma que pudesse ser ouvida por algum mamífero.

“Um dos poucos locais na natureza onde acreditamos que esse efeito poderia ocorrer é na superfície de estrelas... as estrelas podem estar gerando sons de uma forma semelhante àquela observada nos laboratórios. Portanto, as estrelas podem estar cantando, porém, como o som não se propaga através do vácuo no espaço, ninguém consegue ouvi-las” (Dr. John Pasley).

Segundo as Leis Herméticas, quanto mais próximo da matéria, mais baixa é a vibração. Assim, os minerais possuem as vibrações mais baixas, seguidos dos vegetais, dos animais, do corpo físico humano, da mente humana e do espírito humano. Quanto mais alta a vibração, menos perceptível ela é aos sentidos do corpo físico.

Nesse sentido, o som das estrelas é a vibração em sua frequência mais perfeita e transcendente. Uma estrela é um instrumento ‘cosmosinfônico’ adequado a um louvor sem limites aos exigentes ouvidos do Criador.

O Universo é um imenso palco onde acontece o mais fabuloso concerto musical. As estrelas estão incessantemente gerando sons. Louvando, como dizem as Escrituras.

Ainda que os humanos, limitados pela matéria, tenham perdido a capacidade de ouvir frequências tão elevadas, existe Alguém que ouve uma música perfeita, executada por uma orquestra inimitável.

Quem é o Maestro da Sinfonia dos Céus? Quem compôs a música? E a partitura, quem a escreveu?

Um som perfeito, emitido pelos mais perfeitos instrumentos de Deus. Uma música distante que nos espera no nosso verdadeiro lar. Uma música ao longe que ouviremos cada vez mais perfeitamente, na medida em que nos aproximamos do Uno Perfeito.

O clima de intenso louvor produz a mais positiva de todas as energias espirituais: a Luz. 

Altas frequências são produzidas no interior das maravilhosas fornalhas estelares.

O perfeito louvor é emitido de um interior incandescente.

Perto de Jesus, o coração dos discípulos arde em chamas: “Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?” (Lc 24.32).

Para que o perfeito louvor aconteça é necessário um fogo no coração: “Esquentou-se-me o coração dentro de mim; enquanto eu meditava se acendeu um fogo” (Sl 39:3).

Produzir luz e iluminar tudo em volta é apenas consequência de um coração que louva. “E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo...” (At 2:3,4).

 

O LOUVOR NO DIA MAIS TENSO DA NOSSA HISTÓRIA EVOLUTIVA

 

Foi assim que aconteceu a segunda-feira, o dia mais tenso entre todos os dias da criação! O único dia onde o Criador se calou no momento de dizer: “e viu Deus que era bom”. Louvor intenso no dia mais decisivo para a manifestação de nossa corda dimensional. Enquanto a batalha acontecia, os astros não paravam de louvar!

Foi no segundo dia da criação (que durou cerca de 4 bilhões de anos universais) que a vitória do bem sobre o mal se estabeleceu definitivamente para a corda dimensional onde nos encontramos.

Garantida pela vitória da matéria sobre a antimatéria, da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal. A vitória absoluta foi estabelecida pela superioridade da Cruz de Cristo sobre toda espécie de energia trevosa em todos os níveis de realidade, em todos os mundos criados, em todas as emanações do Criador.

Nesse dia de épica batalha, Lúcifer foi precipitado para nosso planeta que se encontra instalado no mais inferior nível de realidade das emanações divinas. Expulso do mais elevado nível de emanação, o Querubim ora amotinado contra o Criador foi expulso para o mais inferior grau de criação: Malkut, o nosso Universo manifestado.

Ainda por um tempo a influência de Lúcifer será terrivelmente sentida nesse nível de realidade. Todavia o mal que ainda prevalece será exterminado em uma pequena fração de tempo, pois para o diabo existe muito pouco tempo!

Em Malkut (palavra que significa Reino), o Reino de Deus deve ser tomado e estabelecido a força: “o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11:12).

O Segundo Dia em nossa corda dimensional é um reflexo do segundo dia nas cordas superiores. Enquanto a expansão do universo se procedia em nossa dimensão (Malkuth), correspondentemente em Yesod, Hod, Nietzah, Geburah e em todos os outros mundos acontecia eventos superiores, cada um correspondente ao seu respectivo superior, bem ao estilo “assim na terra como no céu”.

Nos reatores nucleares do interior das estrelas foram formados os elementos químicos mais complexos como o carbono e o oxigênio. Esses elementos essenciais à geração de vida orgânica foram amorosamente doados ao universo pela explosão das supernovas. Quando uma estrela explode, na verdade ela está doando matéria prima para a formação de milhões e bilhões de outras formas de vida. Penso que o Apóstolo Paulo falava de estrelas quando analisava o verdadeiro amor: “ainda que eu entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1Co 13:3).

 

POEIRA DE ESTRELAS

 

O que Carl Sagan falava há muito tempo foi comprovado pelas recentes pesquisas científicas: os seres humanos são feitos de poeira estelar.

Após a análise de 1500 estrelas, astrônomos concluíram que os humanos e os astros brilhantes do espaço possuem 97% do mesmo tipo de átomos.

A verdade é que somos feitos dos despojos da luz e por isso ela é nosso maior desejo!

O que nossa natureza mais anseia é voltar a ser o que um dia fomos.

Quem nasceu de uma estrela não se contenta em ser carvão! Tem que se incendiar. Afinal, o fogo é a essência de nossa mais primitiva natureza.

A luz já havia sido separada das trevas e naturalmente se tornou sua opositora. De forma similar, também a terra é opositora ao domínio do mar. As ilhas e os continentes se precipitam elevando-se acima das águas – é notório que terra e mar são opositores naturais.

Águas e águas são separadas. Expansões se dividem.

Separação!!! Esse é o conceito chave, transmitido por Deus a seu povo eleito “E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus” (Lv 20.26).

O segundo dia é o único que Deus não avalia como bom. Todos os outros dias da criação, Deus termina dizendo: “viu o que tinha feito e avaliou como bom”. Exceto o segundo dia.

Uma metáfora de real equivalência com o dia das trevas absolutas que Cristo experimentou entre o crepúsculo e o amanhecer de sua estada no mundo dos mortos condenados. Por três dias, Cristo esteve morto antes de sua ressurreição. Porém o único dia que Cristo permaneceu todas as horas como morto é no segundo dia. Isso é uma sincronia perfeita com o segundo dia da criação, que demanda das consequências do caos.

No segundo dia a Via Láctea e o Sol se formaram.

Eclipsados por uma densa camada de poeira estelar, o sol, a lua e as estrelas ainda não podiam ser apreciados da superfície de nosso planeta, embora ocupassem as mesmas órbitas que ocupam hoje.

A criação não estava finalizada e tudo estava apenas no começo.

Ainda havia muito trabalho a ser executado.



Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA