A identidade do homem está intimamente ligada à sua consciência de missão.
Entenda que a sua missão só poderá ser
cumprida através de muito trabalho e de muito movimento. Um pesado exercício
para a alma similar ao exercício para o corpo físico; e como bem sabemos: toda
atividade gera energia e calor.
O homem consciente de sua vocação
compreende que a sua vida deve ser consumida como uma chama consome a
verticalidade de uma vela. Na medida em que a vela produz luz e calor,
lentamente ela vai se acabando. Até o momento em que emite a sua última chama, a
vela ainda cumpre o propósito para o qual veio a existir.
Perceba que quanto mais uma vela ilumina
um ambiente e quanto mais calor ela produz, menor ela fica.
Os sábios entendem que a evolução do
espírito nos torna pessoas menores. A utilidade pelo serviço sempre nos torna
mais humildes. Enquanto se consome na utilidade da chama, seu corpo físico se
derrete mudando a essência do físico para o astral.
Enquanto somos transformados pela
imaterialidade do Fogo, a matéria densa é devastada produzindo calor e luz para
o espírito eterno.
O fogo sempre aponta para o alto. Não
importa a posição em que você coloque uma vela, o fogo sempre ficará
perpendicular ao céu, como se quisesse voltar para o lugar de onde veio.
Algumas velas são decorativas. Elas são
muito bonitinhas e por isso as guardamos, esperando usá-las em uma data
especial. A verdade é que ficamos com pena de queimá-las.
O tempo passa até que em um dia qualquer
nos deparamos com aquela ‘vela bonitinha’ perdida em uma gaveta de nosso
armário. Quando a pegamos percebemos que a parafina ressecou e se desfaz apenas
com o toque das mãos.
Adeus àquela vela, que nunca cumpriu a sua
missão de ser vela.
A parafina não é eterna, assim como nosso
corpo físico também não é.
Muita gente se guarda nas gavetas da
existência sem nunca cumprirem sua missão de ser gente, de ser o que se deve
ser.
“Não poucas vezes esbarramos com o nosso
destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele” (Jean de La Fontaine).
Quantos ainda estão fugindo do seu destino?!
Como o filho perdido da parábola, somos
peritos em nos afastar de Deus; e geralmente usamos nossas vidas para nos
embrenhar por caminhos que nos levam para longe dos braços do Pai.
Estar no caminho certo é muito mais
importante do que ter pressa.
Antes de iniciar a jornada, é melhor parar
e averiguar no mapa se a direção escolhida é a estrada correta. Afinal, ter
pressa no caminho errado, significa se afastar para muito mais longe do
destino.
‘Você está triste com o rumo que sua vida
tomou?’ ‘Você se sente distante da sua verdadeira vocação?’ ‘Você sente um
vazio existencial e parece que suas realizações são vazias de significado?’.
Se é verdade que Deus combinou previamente
conosco o que deveríamos fazer com a nossa vida, o que fazer para nos lembrar
disso?
Como sempre, a resposta está nas
Escrituras: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome,
esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho
dito” (Jo 14:26).
Permita que o Espírito de Deus te relembre
do que foi combinado. “O mesmo Espírito testifica com o nosso
espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16).
Produzir ‘deja vú’ é uma tarefa do
Espírito Santo.
"Nenhum homem pode revelar a você nada além daquilo que já está
meio adormecido no alvorecer de seu conhecimento” (Khalil Gibran).
Toda vez que, mesmo por um pequeno
intervalo de tempo, somos surpreendidos pela convicção do nosso chamado,
significa que estamos recebendo um flash de memória. Daquela memória antiga,
dos tempos em que nos relacionamos com Deus, nas entranhas do Pai dos
Espíritos. Uma espécie de ‘deja vú’: uma certeza de que lugares, pessoas e até
mesmo odores e sensações já foram vividas, experimentadas, combinadas.
Essa curiosa experiência não tem relação
com vidas passadas. Ela tem relação com a nossa única vida, afinal somos seres
espirituais passando por uma experiência física.
Na experiência material, onde o espírito
se encontra eclipsado pelo denso tecido da carne, um ‘deja vú’ é a confirmação
espiritual de que estamos no lugar certo ou com a pessoa certa.
Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais
‘flash’ dessa antiga memória nós teremos. Quanto mais priorizamos a vida
espiritual, em detrimento da vida física, mais lembranças são ativadas e maior é
a sensação de empolgação.
A vida no centro da vontade de Deus assume
ares de saga heróica, onde ficamos destemidos e convictos de que nascemos para
realizar aquilo que estamos fazendo.
A certeza da missão do herói produz
intrepidez, coragem e nos motiva o tempo todo a prosseguir. “Sei muito bem do projeto que tenho em
relação a vós. Oráculo do Senhor: É um projeto de felicidade e não de
sofrimento: dar-vos um futuro e uma esperança!” (Jr 29.11).
Todavia não espere que venha tudo de uma
vez! A caminhada na procura pela consciência da missão nos é comunicada de
forma fracionada.
O caminho se faz na medida em que você
caminha por ele.
Vai haver lutas, decepções, traições,
alegrias, euforias, sempre uma explosão de sentimentos de toda natureza.
Acredite que a sua missão pode estar
dentro das paredes da igreja local, mas jamais limitada a ela. Sua vocação
empenhada no seu projeto de vida é superior a placas e a endereços físicos.
Caminhe sem parar, sabendo que “Deus constrói o seu templo no nosso coração e
sobre as ruínas das igrejas e das religiões” (Ralph Waldo Emerson).
Você tem a resposta. Está no seu espírito.
Seu relacionamento com Deus vai fazer você se lembrar do que foi combinado.
"Viver é a coisa mais rara do mundo. Muitas pessoas apenas
existem" (Oscar Wilde).
Sua missão é ser você mesmo.
É viver a sua vida e não a vida dos
outros.
O reconhecimento da nossa verdade pessoal
acontece aos poucos na forma de um delicioso conta gotas. É como se uma garrafa
de soro de luz estivesse conectada ao tecido do nosso espírito. Alimenta,
hidrata e cura!
As belas-artes me parece que são
expressões de uma terra distante. Ecos de uma civilização que eu já habitei.
Esse sentimento sempre me ocorre quando escuto uma Sinfonia de Beethoven ou uma
música de Pat Metheny.
Algumas pinturas me remetem a lugares que
parece que eu já fui. ‘Noite Estrelada Sobre o Ródano’, de Van Gogh faz isso
comigo! Sempre que olho para essa pintura, me flagro falando comigo mesmo: ‘eu
já fui nesse lugar’!
Os bustos esculpidos por Rafael me trazem
a lembrança de faces de pessoas que parece que eu conheço desde sempre. E talvez
eu tenha conhecido mesmo, e ouvido mesmo e sentido MESMO tudo isso!
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