quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

SERPENTES ARDENTES E SERAFINS - PARTE 2


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Alguns chegam a fazer piada dizendo que “se o paciente sobreviver... cobra. Se o paciente morrer... cobra”. Fazem referencia ao comercio que se faz com a saude humana. E a origem é essa mesma... o comercio. Esse erro de simbologia foi popularizado pelas forças armadas americanas que faziam remoção de corpos de campos de batalha, usando uma espécie de passe livre diplomático. O símbolo desse serviço eram duas cobras enroladas num bastão, uma significando a saúde e a outra significando o comercio internacional. Realmente, a vida e a morte são casos de movimentação financeira.

 A imagem de uma serpente enrolada em uma haste é muito mais antiga do que Moisés. O povo no Egito já conhecia a imagem do deus-serpente sumeriano, que era patrono da medicina e "senhor da boa árvore", relacionada à Árvore da Vida do Jardim do Éden.

A ofiolatria - ou culto à serpente era muito comum nas civilizações antigas.

"A cobra seria o bem e o mal, a sagacidade e a imortalidade, o elo entre o mundo conhecido (a superfície da Terra) e o desconhecido (os subterrâneos)", afirma Joffre de Rezende, da Universidade Federal de Goiás.

 Vamos ao texto!

Após 40 anos de peregrinação no deserto, os israelitas reclamaram novamente contra Deus e Moisés. Reclamaram da cozinha de Deus dizendo: "Nossa alma tem fastio deste pão vil". Referiam-se ao maná. Tinham repugnância ao maná, a provisão diária de alimento.

Ao contrário do que imaginavam, a reclamação apenas piorou aquilo que eles achavam que estava ruim.

“NÃO HÁ NADA TÃO RUIM, QUE NÃO POSSA PIORAR”.

Serpentes abrasadoras do deserto apareceram no meio do povo e começaram a morder a todos.

A mordida era ardida e a sensação era de queimadura. A morte era conseqüência de dor pelo fogo e envenenamento.

Aí temos a resposta para a primeira metáfora: o pecado conduz à morte. O salário do pecado é a morte.

Os israelitas já estavam doentes e não sabiam. Estavam doentes em suas almas, mortos em seus espíritos por causa de seus delitos e pecados.

A picada das serpentes apenas trouxe um choque de realidade. Trouxe consciência do pecado. Acordou os israelitas no mundo físico acerca daquilo que já havia acontecido no mundo espiritual.

Imediatamente pediram socorro a Moisés. Arrependeram-se e clamaram por misericórdia.

Foi então que Deus ordenou que Moisés fizesse uma serpente de cobre e a colocasse sobre uma haste.

Todos os que tinham sido mordidos eram sarados ao olharem para ela.

Não havia nenhum poder especial na serpente de cobre, tanto que em dias posteriores, nos tempos do Rei Ezequias, os israelitas estavam tratando a serpente de cobre como se fosse uma relíquia, amuleto, ou talismã.

DEUSIFICANDO OBJETOS. FAZENDO OS SIMBOLOS PERDEREM SEU SIGNIFICADO. TRANFORMANDO OS SIMBOLOS COMO UM FIM EM SI MESMOS.

 O rei Ezequias a quebrou em pedaços (2 Reis 18.4).

Era uma mensagem direta àqueles que conferem poderes mágicos e unção especial a objetos e coisas. Isso é bruxaria, paganismo religioso.

Óleo ungido não cura, muito menos expulsa demônios. Fitinha ungida, copo dágua, campanhas e tantas outras estratégias não passam de misticismo, sincretismo religioso. Uma espécie de macumba evangélica.

Coisas são símbolos. O milagre está em Deus.

Nunca confira poder ao óleo ao objeto. Isso não tem poder algum. A cura vem de Deus. 

Esse episódio da história de Israel aponta diretamente para Cristo.

Em sua conversa com Nicodemos, Jesus disse que, 

"do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna" (João 3.14-15). 

Ao dizer que seria necessário "ser levantado", Jesus estava se referindo à cruz (João 8.28; 12.23, 32, 34), e à Sua exaltação após o cumprimento de sua missão (Atos 2.33; 5.31; Filipenses 2.9).

Toda a humanidade foi "mordida" pela serpente. Ao dar ouvido à antiga serpente, a queda significou a morte espiritual.

O remédio oferecido por Deus é a pessoa de Cristo levantado sobre o madeiro (1 Pedro 2.24).

Cristo não é vacina. Cristo é antídoto.

Ele é cura é para pessoas mordidas, e não proteção contra as picadas.

Veio para os que se reconhecem como doentes (Marcos 2.17) e não para os que acham que estão sãos.

Cristo é cura para aqueles que se admitem doentes. Salvação de graça para quem se “encontra perdido”.


 ...Continuaremos na próxima aula.

Até breve!

 

domingo, 23 de fevereiro de 2025

SERPENTES ARDENTES E SERAFINS - PARTE 1

 

Os seres da Primeira e da Segunda Hierarquia são os Coros Angélicos mais poderosos e investidos de mais legalidade para governar sobre os demais das hierarquias abaixo.

As seis primeiras hierarquias tem uma função que a nossa dimensão não percebe muito bem, pois pertencem a mundos distantes e ministram sobre assuntos muito mais elevados que os assuntos do nosso mundo.

Todavia os redimidos desse mundo imperfeito serão redimidos e colocados como espetáculo para deslumbramento de todos os coros celestes superiores.

Antes de estudarmos o último Coro dos dois primeiros véus, vamos dar uma recapitulada nos Cinco Coros de Seres Celestiais anteriores.

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A palavra Seraf significa “seres incandescidos” pelo amor do Criador.

São os cantores oficiais do Trisagion ("Santo, Santo, Santo!" ou, em hebraico, "Kadosh, Kadosh, Kadosh!"). A música das esferas superiores que sustentam o funcionamento dos mundos.

Mas algumas escolas rabínicas ensinam que o nome Serafim também possui outro significado.

SER – significa “espírito elevado”

RAFA – significa “o que cura”

 O nome seraphim, relacionada a saraph, "queimar", também está relacionado a cura.

Um evento do Antigo Testamento nos ajuda a entender esse significado.

Números 21:4-9

Então partiram do monte Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom; porém a alma do povo angustiou-se naquele caminho.
E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil.
Então o Senhor mandou entre o povo serpentes ardentes, que picaram o povo; e morreu muita gente em Israel.
Por isso o povo veio a Moisés, e disse: Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes. Então Moisés orou pelo povo.
E disse o Senhor a Moisés: Faze-te uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o que, tendo sido picado, olhar para ela.
E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, picando alguma serpente a alguém, quando esse olhava para a serpente de metal, vivia.

Aprendemos que a Palavra de Deus é nos apresentada em forma de cascas. Sempre existe um sentido oculto entre os detalhes do texto.

As serpentes venenosas que picavam os israelitas eram certamente a Cobra-Tapete (Echis Coloratus), serpente de 30 cm a 60 cm (máximo 80 cm) que vive entre as rochas do deserto e cuja picada é "ardente". Um tipo de cobra diferente da Naja do Deserto, cuja picada, apesar de mais mortal, não provoca sensação de ardência

Para curar os israelitas, Deus ordenou que Moisés construísse uma Serpente Ardente de Cobre, colocasse a escultura sobre uma haste e a levantasse a uma altura que todos pudessem ver.

Desde a antiguidade, em tempos anteriores a Moisés, a figura de uma serpente sobre uma haste era associada à cura e à medicina. Até os dias de hoje a figura de duas serpente enrolada em um bastão é símbolo da medicina.

O símbolo da medicina é representado pelo Bastão de Asclépio (ou Esculápio), o qual consiste em um bastão, varinha ou haste com uma cobra entrelaçada. As cobras possuem grande capacidade de regeneração e cura (as cobras trocam de pele “renovando-se”) e seu veneno fornece antídoto para diversas doenças.

A serpente simboliza a cura, e o bastão é um símbolo de autoridade, representa o poder divino, a quem, apesar dos esforços e habilidades médicas, cabe decidir sobre a vida ou a morte de alguém.

O símbolo da medicina é uma cobra enrolada em um bastão. Mas existe uma confusão por aí! Alguns médicos usam como símbolo de seus consultórios, a figura de duas cobras enroladas em um bastão. Esse símbolo está errado!

...Continuaremos na próxima aula.

Ate breve!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

O QUE ESTÁ ESCRITO NO LIVRO DO TEMPO ACERCA DE VOCE?

 



A identidade do homem está intimamente ligada à sua consciência de missão.

Entenda que a sua missão só poderá ser cumprida através de muito trabalho e de muito movimento. Um pesado exercício para a alma similar ao exercício para o corpo físico; e como bem sabemos: toda atividade gera energia e calor.

O homem consciente de sua vocação compreende que a sua vida deve ser consumida como uma chama consome a verticalidade de uma vela. Na medida em que a vela produz luz e calor, lentamente ela vai se acabando. Até o momento em que emite a sua última chama, a vela ainda cumpre o propósito para o qual veio a existir.

Perceba que quanto mais uma vela ilumina um ambiente e quanto mais calor ela produz, menor ela fica.

Os sábios entendem que a evolução do espírito nos torna pessoas menores. A utilidade pelo serviço sempre nos torna mais humildes. Enquanto se consome na utilidade da chama, seu corpo físico se derrete mudando a essência do físico para o astral.

Enquanto somos transformados pela imaterialidade do Fogo, a matéria densa é devastada produzindo calor e luz para o espírito eterno. 

O fogo sempre aponta para o alto. Não importa a posição em que você coloque uma vela, o fogo sempre ficará perpendicular ao céu, como se quisesse voltar para o lugar de onde veio.

Algumas velas são decorativas. Elas são muito bonitinhas e por isso as guardamos, esperando usá-las em uma data especial. A verdade é que ficamos com pena de queimá-las.

O tempo passa até que em um dia qualquer nos deparamos com aquela ‘vela bonitinha’ perdida em uma gaveta de nosso armário. Quando a pegamos percebemos que a parafina ressecou e se desfaz apenas com o toque das mãos.

Adeus àquela vela, que nunca cumpriu a sua missão de ser vela.

A parafina não é eterna, assim como nosso corpo físico também não é.

Muita gente se guarda nas gavetas da existência sem nunca cumprirem sua missão de ser gente, de ser o que se deve ser.

“Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele” (Jean de La Fontaine). Quantos ainda estão fugindo do seu destino?!

Como o filho perdido da parábola, somos peritos em nos afastar de Deus; e geralmente usamos nossas vidas para nos embrenhar por caminhos que nos levam para longe dos braços do Pai. 

Estar no caminho certo é muito mais importante do que ter pressa.

Antes de iniciar a jornada, é melhor parar e averiguar no mapa se a direção escolhida é a estrada correta. Afinal, ter pressa no caminho errado, significa se afastar para muito mais longe do destino.

‘Você está triste com o rumo que sua vida tomou?’ ‘Você se sente distante da sua verdadeira vocação?’ ‘Você sente um vazio existencial e parece que suas realizações são vazias de significado?’.

Se é verdade que Deus combinou previamente conosco o que deveríamos fazer com a nossa vida, o que fazer para nos lembrar disso?

Como sempre, a resposta está nas Escrituras: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14:26).

Permita que o Espírito de Deus te relembre do que foi combinado.  “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16).

Produzir ‘deja vú’ é uma tarefa do Espírito Santo.

"Nenhum homem pode revelar a você nada além daquilo que já está meio adormecido no alvorecer de seu conhecimento” (Khalil Gibran).

Toda vez que, mesmo por um pequeno intervalo de tempo, somos surpreendidos pela convicção do nosso chamado, significa que estamos recebendo um flash de memória. Daquela memória antiga, dos tempos em que nos relacionamos com Deus, nas entranhas do Pai dos Espíritos. Uma espécie de ‘deja vú’: uma certeza de que lugares, pessoas e até mesmo odores e sensações já foram vividas, experimentadas, combinadas.

Essa curiosa experiência não tem relação com vidas passadas. Ela tem relação com a nossa única vida, afinal somos seres espirituais passando por uma experiência física.

Na experiência material, onde o espírito se encontra eclipsado pelo denso tecido da carne, um ‘deja vú’ é a confirmação espiritual de que estamos no lugar certo ou com a pessoa certa.

Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais ‘flash’ dessa antiga memória nós teremos. Quanto mais priorizamos a vida espiritual, em detrimento da vida física, mais lembranças são ativadas e maior é a sensação de empolgação.

A vida no centro da vontade de Deus assume ares de saga heróica, onde ficamos destemidos e convictos de que nascemos para realizar aquilo que estamos fazendo.

A certeza da missão do herói produz intrepidez, coragem e nos motiva o tempo todo a prosseguir. “Sei muito bem do projeto que tenho em relação a vós. Oráculo do Senhor: É um projeto de felicidade e não de sofrimento: dar-vos um futuro e uma esperança!” (Jr 29.11).

Todavia não espere que venha tudo de uma vez! A caminhada na procura pela consciência da missão nos é comunicada de forma fracionada.

O caminho se faz na medida em que você caminha por ele.

Vai haver lutas, decepções, traições, alegrias, euforias, sempre uma explosão de sentimentos de toda natureza.

Acredite que a sua missão pode estar dentro das paredes da igreja local, mas jamais limitada a ela. Sua vocação empenhada no seu projeto de vida é superior a placas e a endereços físicos. Caminhe sem parar, sabendo que “Deus constrói o seu templo no nosso coração e sobre as ruínas das igrejas e das religiões” (Ralph Waldo Emerson).

Você tem a resposta. Está no seu espírito. Seu relacionamento com Deus vai fazer você se lembrar do que foi combinado.

"Viver é a coisa mais rara do mundo. Muitas pessoas apenas existem" (Oscar Wilde).

Sua missão é ser você mesmo.

É viver a sua vida e não a vida dos outros.

O reconhecimento da nossa verdade pessoal acontece aos poucos na forma de um delicioso conta gotas. É como se uma garrafa de soro de luz estivesse conectada ao tecido do nosso espírito. Alimenta, hidrata e cura!

As belas-artes me parece que são expressões de uma terra distante. Ecos de uma civilização que eu já habitei. Esse sentimento sempre me ocorre quando escuto uma Sinfonia de Beethoven ou uma música de Pat Metheny.

Algumas pinturas me remetem a lugares que parece que eu já fui. ‘Noite Estrelada Sobre o Ródano’, de Van Gogh faz isso comigo! Sempre que olho para essa pintura, me flagro falando comigo mesmo: ‘eu já fui nesse lugar’!

Os bustos esculpidos por Rafael me trazem a lembrança de faces de pessoas que parece que eu conheço desde sempre. E talvez eu tenha conhecido mesmo, e ouvido mesmo e sentido MESMO tudo isso!

Afinal o arquétipo pertence a outro lugar; o lugar onde eu estava antes de ser encarnado nesse corpo de matéria.

 Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

domingo, 16 de fevereiro de 2025

A PRÉ-EXISTENCIA DO ESPÍRITO

 


“Paulo, servo de DEUS e apóstolo de JESUS CRISTO, para promover a fé que é dos eleitos de DEUS e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, na esperança da vida eterna que o DEUS que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos” (Tt 1.1,2).

A Epístola de Paulo a Tito, já em sua abertura, estabelece as bases para a Doutrina da Pré-Existência do Espírito do Homem.

“... prometeu antes dos tempos eternos”. Antes de sermos inseridos no tempo já havíamos sido eleitos em Deus e o tecido do nosso espírito foi tatuado pelo divino fogo. O estigma da esperança na continuidade da vida, na eternidade.

Por ser a imagem e a semelhança de Deus, o homem foi primeiramente criado em espírito. “Façamos o homem a nossa imagem e conforme a nossa semelhança; Criou Deus, pois, o homem a sua imagem’’ (Gn 1.26,27). Deus é Espírito e por essa razão, o corpo espiritual é o primeiro corpo do homem, gerado em Deus e semelhante à forma espiritual de Deus. O corpo físico é formado depois da criação do universo e do nosso planeta, vindo à existência depois do povoamento da terra pelos animais.

Certamente, com esses conceitos bailando em sua mente, o Apóstolo Paulo afirmou que “a nossa pátria está nos céus...’’ (Fl 3.20), deixando bem claro a nossa naturalidade, afinal, pátria é onde se nasce.

No capítulo 38 do Livro de Jó, Deus trava um diálogo filosófico existencial com seu servo. Dentre as várias perguntas que Deus fez a Jó, nos versículos 3 e 4, Deus diz o seguinte: “... onde estavas tu, quando Eu lançava os fundamentos da terra? Me responda, se tens entendimento”. Deus chama a atenção de Jó para um momento no tempo-espaço onde o universo ainda estava no processo de criação.

Continuando o monólogo, Deus pergunta a Jó acerca do método dimensional usado na criação: “Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina?” (Jó 38.5,6), até que finalmente, o Senhor faz uma revelação estarrecedora:

Jó 38.4,7: “Onde estavas tu... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?”. Entenda que “estrelas da alva’’ aparece nas Escrituras, sempre como referência aos anjos (ver Ap 12:4), mas quem seriam os filhos de Deus citados no texto?

Não resta dúvida de que os “filhos de Deus” que se rejubilavam na glória do Criador somos nós, criados em espírito, nos alegrando em perfeito relacionamento com o Pai (Hb 12.9).

O texto de Jó deixa claro: enquanto o Criador realizava sua obra de criação do universo, todos os espíritos de todos os homens estavam no concílio, seguramente participando da composição do Livro do Tempo, combinando suas respectivas missões.

No versículo 21, o próprio Deus corrobora isso para Jó: “De certo tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o número dos teus dias!” (Jó 38.21). Leia de novo: “... tu o sabes”, “... já eras nascido”, “... por ser grande o número dos teus dias”.

De fato nós sabemos, porque fomos criados antes de entrarmos nesse mundo e porque somos mais antigos que o próprio universo.

Fica claro a preexistência do espírito do homem, que é anterior à criação de todas as coisas. “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou” (Rm 8.29). A vida humana é um instante entre duas eternidades.

A idade cronológica atinge apenas o corpo físico, todavia o corpo espiritual é mais antigo que a mais antiga estrela de qualquer galáxia. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu Nele antes da fundação do mundo” (Ef 1:3,4). “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” (2Tm 1:9).

 Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

V.I.T.R.I.O.L - PARTE 2



“Sempre é bom termos consciência de que dentro de nós há alguém que tudo sabe” (Hermann Hesse). Esse alguém é você mesmo, que em função do pecado, foi adormecido no sono da morte espiritual e por isso se esqueceu daquilo que foi combinado com o Criador antes da fundação do universo. O Ser interior é o seu verdadeiro Eu – o seu espírito, gerado em Deus antes que o Universo fosse criado.

Quem busca a evolução espiritual deve diariamente praticar o exercício da autoanálise. Nas palavras do Apóstolo Paulo: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo” (1Co 11.28). Nas palavras de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”.

Esse exercício é sempre a melhor metodologia para ascender ao próximo degrau da elevação do Ser. Existe uma quase unanimidade em afirmar que o melhor horário para esse exercício é sempre antes de se recolher ao sono. Na oração noturna sempre devemos prestar conta daquela fração de vida compreendida entre o momento que saímos da cama e aquele quando nos retornamos a ela.

A autoanálise tem uma função vital no processo de evolução espiritual. É sempre o melhor método para se aparar as arestas da pedra bruta. Na medida em que praticamos esse exercício, descobrimos que sempre existe alguma ponta ou saliência indesejada que precisa ser removida pelo cinzel e pela marreta da lei, da moral, da razão e do alinhamento vocacional.

Se o exercício físico produz dor nos músculos da carne, correspondentemente, o exercício espiritual produz dor no tecido da alma. Amiúde, na rotina de se exercitar, você vai se deparar com uma dor indecifrável proveniente dos rincões mais profundos do seu Ser. Não perca tempo! Pergunte à sua alma: ‘o que está acontecendo?’

Naturalmente sua mente racional vai tentar te proteger alegando suas razões. A auto piedade e a auto justificação aparecerão no tribunal para testemunharem a seu favor. Será aberta a sessão do tribunal da consciência onde a sua racionalidade vai advogar em favor do seu conforto existencial, o que na maioria das vezes significa permanecer jogando para debaixo do tapete das emoções os entulhos mais esquisitos. Sua razão vai articular afirmando à sua consciência que você não fez nada de errado. Vai tentar te convencer de que quando você deu aquela má resposta, ou cometeu aquela infração, você estava com a razão e que era aquilo mesmo que você deveria ter dito ou praticado.

Todo mundo já viveu algo assim! Suponha que a sua racionalização te convença de que, o que você fez, foi a coisa certa, e mesmo estando com a ‘razão’ do seu lado, você ainda não está conseguindo dormir em paz. Seu coração continua apertado e a dor proveniente do âmago do Ser ainda persiste.

Não abandone o exercício! Saiba que você está queimando ‘gorduras da alma’, e que ela em função dessa atividade, ficará mais forte e mais saudável. Repita a pergunta, mas dessa vez, em penitente atitude de oração, direcione o questionamento ao mais profundo do seu coração.

Aprenda que Oração é falar com o Deus Vivo. Entenda que o Deus Vivo não habita templo feito por mãos do homem (At 17.24).

Oração é falar com o Deus Vivo que mora dentro de você. Enquanto você fala com Deus, seu espírito também escuta a oração e a resposta sincera sempre vem! Existem respostas que vem de Deus, mas a maioria das respostas são conclusões que você já sabe, precisando apenas de se lembrar delas.

O Deus Vivo, nas habitações da sua casa espiritual te faz lembrar daquilo que está oculto e que ainda não sabes. Não sabe, porque ‘não se lembra’.

“Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria” (Sl 51:6). Davi viveu exatamente essa experiência quando orou a Deus pela restauração da sua identidade espiritual. O homem segundo o coração de Deus experimentou o flash de luz, no interior do seu Ser, o que lhe trouxe sabedoria e redenção.

O seu coração nunca vai te enganar. Seu espírito tomará sua consciência pelas mãos e te levará exatamente ao lugar onde você desafinou a sinfonia da vida, ao lugar onde você quebrou os protocolos da existência. Nesse processo você vai perceber que por detrás dos nossos erros sempre está a sombra negra do egoísmo.

A partir desse momento você vai parar de olhar somente para suas próprias razões. Vai notar que o mundo não gravita à sua volta e que o outro também tinha as razões dele, ou que talvez o outro, assim como você, também não se encontrava em seu melhor dia e por isso também não foi a melhor pessoa, e que também, como você, precisa de redenção.

O seu coração vai revelar o seu pecado e vai ordenar a sua penitência. Um pedido de perdão seguido de reparação é sempre a melhor solução para recolocar o trem da vida nos seus devidos trilhos.

Você vai perceber que por não mais haver um leito para a dor, ela simplesmente vai embora, sem se despedir e levando consigo o espinho que outrora estava fincado no seu coração. Ela sai de você, sem que você perceba o momento exato em que ela saiu. Em pouco tempo você simplesmente constata: ‘Cadê a dor que estava aqui?’ Nessa constatação está a silenciosa fala da vida te dando uma nova chance: ‘eu confio em você’.


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

domingo, 9 de fevereiro de 2025

V.I.T.R.I.O.L. - PARTE 1


 

VITRIOL é a sigla de uma expressão latina que significa: "Visita Interiorem Terrae, Rectificando, Invenies Occultum Lapidem", que traduzida, fica assim: “Visita o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta” (ou Pedra Filosofal).

A filosofia dos antigos alquimistas nos ensina o significado misterioso dessa expressão, quando transfere sua equivalência para o trato da condição humana: “Visita o Teu Interior, Purificando-te, Encontrás o Teu Eu Oculto”. Nesse objeto, o ‘Eu Oculto’ significa: ‘a tua mais profunda essência’.

Vitriol é o símbolo universal da constante busca pela pedra filosofal, que finalmente alude ao esforço que o homem faz para melhorar a si mesmo e o mundo a sua volta. É o "abre-te Sésamo" da existência. É a viagem exploratória das terras do coração.

É urgente afirmar que a exploração do espaço interior é muito mais importante que a exploração do espaço exterior. Ir à Lua, ou a Mercúrio certamente acrescentará importantes medidas ao conhecimento humano, todavia, serão conhecimentos meramente transitórios, que a nível metafísico servem apenas como metáforas ao verdadeiro ser, que é o Eu interior.

A meta do discípulo é se libertar das algemas do tempo, sujeitando o material e transitório em função da evolução do corpo espiritual. Não jogue fora o tempo! Aproveite cada oportunidade que te é oferecida na linha da vida, entre o ponto do seu nascimento e o derradeiro ponto que simboliza sua morte física.

Saiba que a reta do tempo já existia antes do ponto onde nascemos e continuará existindo após nossa partida. Devemos aproveitar a nossa vida para nos consumir no amor do Criador, caso contrário, partiremos do domínio do Chronos sem espoliar seu reino finito.

Alguém escreveu: “A palavra VIDA explica o que é a vida. A vida é só um ‘V’. Todo resto é IDA”, por isso é urgente encontrarmos e vivermos a utilidade da nossa existência física.

O ideal da identidade existencial deve ser buscado como um garimpeiro busca um tesouro ou como uma mulher que busca uma das contas de seu colar perdido dentro de sua própria casa.

Identidade é estar no caminho de si mesmo.

Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

O CHAMADO DE JEREMIAS


Assim veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: ‘Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta’. Então disse eu: ‘Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino’. Mas o Senhor me disse: ‘Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar, falarás. Não temas diante deles; porque estou contigo para te livrar’, diz o Senhor. Estendeu o Senhor a sua mão, e tocou-me na boca; e disse-me o Senhor: ‘Eis que ponho as minhas palavras na tua boca; olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, para derrubares, para destruíres e para arruinares; também para edificares e para plantares’” (Jr 1:4-10).

A primeira informação que o livro de Jeremias nos traz é que ele pertencia à uma família sacerdotal (Jr. 1.1), ou seja, Jeremias estava sendo preparado para se tornar um levita, ou quem sabe, um sacerdote. Por mérito de nascimento, Jeremias tinha um futuro garantido dentro do serviço do Templo, uma honra e uma missão das mais complexas e trabalhosas para os dedicados ao serviço.

Podemos dizer que estava tudo certo com a vocação de Jeremias: nasceu na família certa e estava fazendo tudo certo. Nasceu numa família de levitas e se preparava para assumir a função para qual ele nasceu.

Era apenas o que parecia, porque para Deus, na verdade tudo estava errado!

Quando tudo parecia certo com a missão de Jeremias, Deus se manifestou a ele dizendo: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jr. 1.5).

Deus fala com Jeremias numa abordagem imperativa: “Antes que te formasse no ventre da sua mãe, Eu te conheci”. Perceba que existe uma cobrança explícita na fala de Deus dirigida a Jeremias. Deus estava afirmando que conhecia a história de Jeremias antes mesmo que Jeremias construísse a sua própria história.

Ele conhecia a história de Jeremias, mas a história que Jeremias estava prestes a viver não tinha nada a ver com a história que ele deveria viver.

Entendemos que só podemos afirmar que conhecemos alguém, se em um momento anterior a essa afirmação, houvesse um relacionamento com essa pessoa. Simplificando: o que Deus estava dizendo a Jeremias era: ‘Antes que você nascesse na terra, você tinha um relacionamento comigo no céu e foi lá que eu te consagrei para profeta. JEREMIAS, VOCE ESTÁ MUDANDO O PLANO. Você não nasceu para ser sacerdote. Você nasceu para ser profeta’.

Existia a história possível, todavia existe a história certa!

Jeremias estava vivendo uma versão das milhões de possibilidades de histórias possíveis, conduzindo sua vida no caminho errado. Até o caminho mais certo, se estiver fora dos planos do Criador, se torna irremediavelmente um caminho errado. O caminho de Deus é perfeito até mesmo quando o que vemos é apenas uma senda imperfeita.

Aparentemente a vida de Jeremias era perfeita, todavia não tinha sido aquilo o que foi combinado antes da fundação do mundo. Jeremias tinha que se ajustar ao caminho combinado. 


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA

domingo, 2 de fevereiro de 2025

ANTES DE HAVER O TEMPO JÁ HAVIA UM PLANO DE REDENÇÃO

 


Antes da criação do universo, a Trindade Divina decidiu a forma pela qual todas as coisas seriam sustentadas.

Como desdobramento das leis que governariam o multiverso, havia a real possibilidade de uma catástrofe em função da rebelião de suas criaturas. O pecado provocaria a Justiça de Deus e fazendo entrar em ação um outro atributo do Criador: A Ira de Deus, e por causa da manifestação desse atributo toda a criação seria destruída. Afinal, um Deus santo não pode conviver nem mesmo com a sombra do pecado.

Parecia que a história do universo havia sido desenhada para não lograr sucesso, todavia, não foi assim, desde o princípio.

Antes da criação do universo, o Deus Filho se tornou o Cordeiro morto desde antes da fundação do mundo. “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1Pe 1.18-20).

Falando acerca de Cristo, atentemos à fala do escritor aos Hebreus: “Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus” (Hb 10.7). Esta é uma profecia messiânica escrita no Salmo 40, apontando que a inserção de Cristo na história humana, antes de ser escrita no livro que se chama Bíblia, foi escrita no Livro que se chama Tempo.

O universo foi planejado para dar certo, mas só daria certo se houvesse um redentor que reconciliasse consigo mesmo, todas as coisas!

 

Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

retirado do livro CRIAÇÃO DESVENDADA