quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A FÉ DE ALBERT EINSTEIN


 

O mais aclamado cientista do século vinte é Albert Einstein (1879-1955). Judeu de nascimento e naturalizado alemão, ele nasceu no berço de uma família não praticante da religião de seus ancestrais.

Por um curto período de sua pré-adolescência Einstein viveu uma fase marcada por um intenso fervor religioso. Todavia aos doze anos, desenvolvendo sua paixão pela leitura, Einstein se deparou com a literatura de divulgação científica.

Diante das novidades científicas daquele tempo, rapidamente se convenceu de que algumas histórias da Bíblia não passavam de antigas lendas. A partir de então, Einstein encerrou definitivamente a sua curta experiência religiosa.

A mais completa biografia de Albert Einstein é o recente livro de Walter Isaacson (Einstein: His life and universe, 2007, traduzida ao português pela Companhia das Letras com o título: Einstein - sua vida, seu universo. São Paulo, 2007). Nesse monumental trabalho, o escritor dedica um capítulo inteiro à religiosidade e à espiritualidade do cientista.

No capítulo ‘O Deus de Einstein’, Isaacson reúne várias afirmações que nos leva a constatar que o cientista era um homem de uma profunda espiritualidade. Era firme com suas convicções e na sua maturidade nunca perdeu uma chance para defender uma fé racional.

Einstein vivia uma religiosidade muito acima da mediocridade. Sua crença era baseada na existência de um poder racional superior; era uma forma evoluída de fé cósmica direcionada a um Ser que controlava as leis do universo e nele se revelava. “Tente penetrar, com nossos limitados meios, nos segredos da natureza, e descobrirá que por trás de todas as leis e conexões discerníveis, permanece algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração por essa força além de qualquer coisa que podemos compreender é a minha religião. Nesse sentido eu sou, de fato, religioso”.

Einstein considerava Deus um ser incompreensível, mas nunca parou de tentar compreendê-lo. Era como se por detrás da sua motivação para entender as leis que governavam o Cosmos, em reverente silêncio, ele buscasse (principalmente) a essência do pensamento do próprio Deus.

Suas declarações pouco sutis a respeito da religião, evidenciava que vivia distante das confissões religiosas do judaísmo e do cristianismo, até mesmo porque o seu Deus não era definido pelas doutrinas e dogmas dessas religiões. Ele dizia: “Sou um não-crente profundamente religioso”.

Sua ciência era a forma que ele usava para buscar a divindade que o transcendia. “Eu não sou ateu. O problema aí envolvido é demasiado vasto para nossas mentes limitadas. Estamos na mesma situação de uma criancinha que entra numa biblioteca repleta de livros em muitas línguas. A criança sabe que alguém deve ter escrito esses livros. Ela não sabe de que maneira nem compreende os idiomas em que foram escritos. A criança tem uma forte suspeita de que há uma ordem misteriosa na organização dos livros, mas não sabe qual é essa ordem. É essa, parece-me, a atitude do ser humano, mesmo do mais inteligente, em relação a Deus. Vemos um universo maravilhosamente organizado e que obedece a certas leis; mas compreendemos essas leis apenas muito vagamente”.

Muitos defensores do ateísmo moderno, inclusive o principal produtor de literatura ateísta Richard Dawkins, tentam pegar carona na falácia de que Einstein era ateu. Todavia, acerca disso, ele mesmo se encarregou de deixar uma resposta clara: “O que me separa da maioria dos chamados ateus é um sentimento de total humildade com os segredos inatingíveis da harmonia do cosmos (...)  Você pode me chamar de agnóstico, mas eu não compartilho daquele espírito de cruzada do ateu profissional, cujo fervor se deve mais a um doloroso ato de libertação dos grilhões da doutrinação religiosa recebida na juventude”.

Einstein não reconheceu o Deus de Jesus na religião, muito embora declarasse ser “fascinado pela luminosa figura do Nazareno”, conforme cita seu biógrafo Walter Isaacson. Todavia não podemos negar que de alguma forma Einstein encontrou o Criador enquanto procurava compreender sua criação. Enquanto buscava variáveis para suas equações, inconscientemente, o que de fato ele buscava era compreender a mente de Deus e o sentido da vida. É provável que ele não orasse para esse Deus, afinal, ele não acreditava na possibilidade de uma relação pessoal com a divindade.

Mas enfim, o que é a oração?

Oração é bem mais do que palavras de louvor e petição dirigidas a um deus, que na maioria das vezes fica calado diante da atitude do penitente. Estamos certos de que a verdadeira oração transcende as palavras de petição e louvor.

Oração é principalmente uma postura deslumbrada diante do macrocosmo simultaneamente associada a uma postura quebrantada diante do microcosmo. Oração é uma atitude viva, que se processa pela vida e se estabelece para muito além das palavras.

Oração de verdade só serve se for vivida da forma que o Apóstolo Paulo ensinou: “Orai sem cessar” (1Ts 5:17).

Entenda que a única maneira de orar sem cessar é fazer com que a oração seja um estilo de vida.

É bem mais que um momento contido na atitude de dobrar os joelhos.

Oração deve ser um constante deslumbrar-se e quebrantar-se.

Mesmo que Einstein não fosse um cristão ou um judeu praticante, sua perseguição pelos objetivos da ciência fazia dele uma pessoa que orava sem cessar.

Na introspectividade de suas descobertas, enquanto decifrava o código de Deus, o cientista era bem mais que um físico. O cientista era um penitente, um adorador do Deus Altíssimo e fazia isso enquanto elaborava suas equações matemáticas.


Cesar de Aguiar

teolovida@gmail.com

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