quarta-feira, 12 de outubro de 2016

PORQUE O CACHORRO ENTROU NA IGREJA?


Filipenses 3:1-3

“Resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós”.

O Apóstolo Paulo insiste na mesma mensagem. É a antiga tônica “ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA”.

Paulo está preocupado com a aproximação daqueles que vivem de se aproveitar da fé dos fiéis e por isso instrui os irmãos a tomarem cuidado com os mercenários da fé.

“Acautelai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da falsa circuncisão; porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne”.

Paulo fala de três grupos contra os quais a igreja deve se acautelar. 
Essa foi uma mensagem para a igreja do primeiro século que continua absolutamente atual. Essa mensagem atravessou milênios e encaixa perfeitamente na situação atual da igreja do seculo 21.

“Guardai-vose dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da falsa circuncisão”.

Naquele tempo os cães eram animais considerados como imundos na sociedade judaica. Naquele tempo, a amizade entre um homem e um cachorro não era nada comum! Era até mesmo pior: o cachorro era um animal indesejável, considerado um ser repugnante, totalmente diferente dos dias atuais onde os "bichinhos" têm outro tipo de tratamento.
Naquela época quando alguém queria xingar o outro de verdade, bastava chamar essa pessoa de cão. Xingar alguém de cão ou de porco eram os piores xingamentos daquela sociedade.

Era por isso que os judeus gostavam tanto de chamar de Cão todos os gentios e todos aqueles que não guardavam a lei de Moisés. Xingar alguém de cão destilava ódio e intolerância.

Os judeus odiavam os gentios e quando acontecia de um judeu se converter à doutrina de Jesus Cristo, eles tinham uma grande dificuldade de aceitarem os gentios como irmãos na fé. Dessa forma, mesmo após a conversão, os judeus crentes continuavam xingando os gentios de cães. 

Paulo não admitia esse comportamento e motivado por esse sentimento de indignação ele sempre abordava esse assunto em suas cartas. Paulo sempre defendeu a eficácia da salvação para os não nascidos da linhagem sanguínea de Abraão dizendo que os gentios eram descendentes da fé de Abrãao.

Então foi por isso que Paulo, o Apóstolo dos Gentios, indignado com a intolerância dos judeus, devolveu o xingamento aos judeus: "- VOCÊS É QUEM SÃO OS CÃES".

  

VOCÊ SABE QUEM SÃO OS CÃES?

A MORTE DE JEZABEL

2 Reis 9:30-37

30 Depois Jeú veio a Jizreel, o que ouvindo Jezabel, pintou-se em volta dos olhos, enfeitou a sua cabeça, e olhou pela janela.

31 E, entrando Jeú pelas portas, disse ela: Teve paz Zinri, que matou a seu senhor?

32 E levantou ele o rosto para a janela e disse: Quem é comigo? quem? E dois ou três eunucos olharam para ele.

33 Então disse ele: Lançai-a daí abaixo. E lançaram-na abaixo; e foram salpicados com o seu sangue a parede e os cavalos, e Jeú a atropelou.

34 Entrando ele e havendo comido e bebido, disse: Olhai por aquela maldita, e sepultai-a, porque é filha de rei.

35 E foram para a sepultar; porém não acharam dela senão somente o cranio, os pés e as palmas das mãos.

36 Então voltaram, e lho fizeram saber; e ele disse: Esta é a palavra do Senhor, a qual falou pelo ministério de Elias, o tisbita, seu servo, dizendo: No pedaço do campo de Jizreel os cães comerão a carne de Jezabel.

37 E o cadáver de Jezabel será como esterco sobre o campo, na herdade de Jizreel; de modo que não se possa dizer: Esta é Jezabel.

Jezabel era uma rainha má. Jezabel cometia repetidas injustiças com seus súditos, era idólatra, feiticeira, adúltera e perseguia os profetas de Deus. Mas Deus decretou o fim dos seus dias! Jezabel estava com seus dias contados. Quando finalmente o juízo de Deus vem sobre a casa de Jezabel, Jeú entra pelas portas do palácio do reino pronto para tomar o castelo.
Jezabel era atrevida ao extremo, e mesmo diante da derrota inevitável, ela ainda enfrentou Jeú com xingamentos.
Nesse momento, conforme narra o texto bíblico, Jeú pergunta: "- Quem é comigo?"

Jezabel, na posição de rainha, possuía eunucos para seu serviço pessoal. Diante da pergunta de Jeú os eunucos que serviam a Jezabel se manifestaram a favor do homem de Deus. Bastou um olhar dos eunucos para Jeú e tudo ficou plenamente claro: "- Jeú, nós estamos com você".

"Então disse Jeú: Lançai Jezabel daí abaixo. E lançaram-na abaixo; e foram salpicados com o seu sangue a parede e os cavalos, e Jeú a atropelou".

Mesmo após a queda de elevada altura, para garantir que Jezabel estava realmente morta, Jeú  atropelou a ex-rainha com seu cavalo.

Após a tomada do castelo, Jeú ordenou que o corpo de Jezabel fosse sepultado.

“Olhai por aquela maldita, e sepultai-a, porque é filha de rei.”

E assim foi feito.

Quando os emissários foram procurar o corpo de Jezabel nada encontraram, senão a caveira despedaçada de Jezabel. Mas algo muito estranho chamou a atenção dos emissário do sepultamento: o crânio, a planta dos pés e a palma das mãos estavam intactas.

OS CÃES HAVIAM COMIDO TODA A CARNE DO CORPO DE JEZABEL.

Veja bem! Quem de fato matou Jezabel foram os Eunucos. Não foram nem os cães, nem Jeú. A queda do topo do castelo foi suficiente para arrebatar a vida da rainha maldita. Mas Jeú quis garantir o serviço e passou com o cavalo por cima do corpo. E os cães garantiram o resto de serviço. Dessa forma toda vaidade de Jezabel virou cocô de cachorro.

No Oriente Médio, eunucos são homens que foram castrados e que tinham a função de guardar e cuidar da mulher do Rei.
Eunucos são devotados servos sem apetite sexual.
São escravos que não caem na possível sensualidade da rainha.

O PECADO MAIS MARCANTE DA PERSONALIDADE DE JEZABEL É A PROSTITUIÇÃO.
OS EUNUCOS ERAM PERFEITOS PARA O TRABALHO DE GUARDAR A RAINHA.
ELES ERAM CASTRADOS E POR ISSO NÃO TINHAM APETITE SEXUAL.

Pense na profundidade dessa revelação da Palavra: Devemos ser EUNUCOS ESPIRITUAIS. Devemos CUIDAR DA NOIVA, MAS NUNCA PODEMOS TOCAR NELA.

As únicas pessoas do reino que tinham real autoridade para matar Jezabel eram os Eunucos. Eles tinham autoridade para destruir Jezabel, pois não se contaminaram, nem nunca iriam se contaminar com o pecado dela.

Os Eunucos mataram Jezabel. E os Eunucos espirituais de hoje devem matar a igreja Prostituída. Os atuais Eunucos Espirituais tem a missão de purificar a igreja de Jesus matando o reinado da Prostituta.

QUEM É QUE COME A CARNE DE JEZABEL? 
OS CÃES!

JEZABEL É SIMBOLO DA IGREJA QUE NÃO VIVE O EVANGELHO.

JEZABEL É O SIMBOLO DA IGREJA QUE QUE NÃO TEM COMPROMISSO COM A VERDADEIRA MENSAGEM DO EVANGELHO.

E CÃES SÃO AQUELES QUE SE ALIMENTAM DESSE TIPO DE IGREJA.


SINAIS DE UMA IGREJA COM O ESPÍRITO DE JEZABEL
  
        a-   CHEIA DE SEDUÇÃO

Jezabel era sedutora. A igreja prostituta também é assim. 
Esse tipo de comércio fantasiado de templo sempre vai investir mais dinheiro na aparência do prédio do que na qualidade de vida de seus membros. Sempre vai ter dinheiro pra pintar parede, pra investir na sonorização, pra bancar cantor gospel e pregador caro.
Enquanto isso: a viúva, o desempregado e o pobre ficam sem serem assistidos. Ou quando são assistidos, são apenas coadjuvantes de um projeto de marketing da igreja, ficando apenas com as migalhas do luxo da liderança.

É a lei do comércio: afinal, porque cuidar do pobre, se o pobre não dá lucro???

Melhor investir no entretenimento dos mais abastados.



·         b- CHEIA DE RIQUEZA 

      Jezabel era rica. Mas sua riqueza não vinha do seu trabalho, vinha de explorar os pobres do reino. 




·           c- CHEIA DE MAQUIAGEM

     A igreja com espírito de Jezabel seduz com a aparência de seus cultos. O culto é perfeito: a banda toca bem, o som é maravilhoso, o pregador é bem treinado, tem muita gente gritando e aplaudindo - um verdadeiro show.
      Durante a mensagem o pregador engana o povo com promessas de cura e prosperidade, mas no final da celebração os mais entendidos percebem que a única coisa que não teve no culto foi uma pregação com conteúdo bíblico. Todo o culto foi direcionado para tomar uma gorda oferta no final do trabalho.



·        d- QUE PERSEGUE OS VERDADEIROS PROFETAS DE DEUS

    Jezabel perseguia os profetas de Deus.
     E a igreja com espirito de Jezabel não parou de perseguir os profetas do Senhor.
     Basta você começar a ensinar a verdade que Jezabel se apresenta para te perseguir.
     Mas, bem aventurados os que são perseguidos por ensinarem a verdade do Evangelho.

      Quer saber se o que você está ensinando está correto? - É facil! Se você está sendo perseguido por aquilo que ensinas, tenha certeza que você está no caminho certo!



E OS CÃES, QUEM SÃO ELES?

        Vamos direto ao ponto, até porque sua inteligência já te levou a uma conclusão óbvia.
  
    Os cães são os FALSOS PASTORES, PRESBÍTEROS, DIÁCONOS, MESTRES, APÓSTOLOS, BISPOS ou seja lá o nome que se der para essa quadrilha que se habilita a se alimentar da carne de Jezabel.

    Cães são aqueles que se alimentam de uma igreja que não ensina a verdade.                       
Cães são os aproveitadores da sinceridade da fé do devoto.
Cães são os mais detestáveis tipos de bandidos: porque devoram a beleza, a pureza e a sinceridade daqueles que mais precisam de esperança. 


    Agora você sabe a verdade acerca de quem são os cães.  Você vai continuar permitindo que eles te mordam?

     (Esse texto continua no próximo post).

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M.e. César de Aguiar
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domingo, 9 de outubro de 2016

DE FORA FICARÃO OS DESGRAÇADOS



Todos que são da Graça, no fim de todas as coisas serão um só.

Mas segundo o Apocalipse, para quem não é da graça está reservado um triste fim.

DE FORA FICARÃO OS DESGRAÇADOS.

É de conhecimento comum que o livro do Apocalipse foi escrito como uma Revelação exclusiva para a Igreja. Todos os assuntos abordados são direcionados para os do lado de dentro da comunidade cristã. 

Veja isso no texto:

Apocalipse 1:1 – “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer. Ele enviou o seu anjo para torná-la conhecida ao seu servo João”.

Agora leia o que o Apocalipse diz acerca dos que ficarão de fora:

Apocalipse 22:15 – “Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.

Se o livro da Revelação foi escrito para a igreja, concluímos que os cães, feiticeiros e toda a turma do mal que o texto cita, não é sobre alguém de fora da igreja, mas de pessoas do lado de dentro dela. 

Esses malvados estão infiltrados no interior da igreja de Cristo.


O Livro do Apocalipse diz: "ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”, e sabemos que todas essas classes de pessoas estão infiltradas na verdadeira igreja de Cristo.


“CÃES” – ESTÁ CITADO EM PRIMEIRO LUGAR! (e sobre essa classe de pessoas trataremos com detalhes nos próximos textos).


Vamos para a exegese!


 "de fora ficarão os FEITICEIROS".

“FEITICEIRO”
 – preliminarmente vamos estabelecer a diferença que existe entre quem é adorador e quem é feiticeiro.

O ADORADOR BUSCA A DEUS PELO QUE ELE É.
O FEITICEIRO BUSCA A DEUS POR AQUILO QUE ELA PODE DAR.

Quem frequenta igreja e tem seu foco nas bênçãos não é adorador, é um feiticeiro.
Quem prega a palavra usando da mensagem para esvaziar os bolsos dos fieis, é um feiticeiro. E quem esvazia o bolso num desafio de oferta achando que Deus vai dar a benção que ele precisa, é um feiticeiro também.

É feiticeiro quem vende, mas também é feiticeiro aquele que compra.

Desafio de oferta é feitiçaria.

Deus não negocia benção com ninguém. 

O que não é de Graça é desgraça!



 "de fora ficarão os QUE SE PROSTITUEM".

“PROSTITUEM’’ – Prostituta é o tipo de Mulher que oferece serviços de natureza sexual em troca de dinheiro, presentes ou drogas.

Nas Escrituras a figura da mulher sempre serve de metáfora para a igreja. Para o bem ou para o mal, toda vez que uma história de mulher é contada, metaforicamente o texto faz referência positiva ou negativa à igreja de Jesus Cristo.
Nesse caso a figura da prostituta é extremamente negativa quando referenciada à igreja de Jesus.

Quem cobra por uma noite de intimidade não é a noiva, é a Prostituta.
Quem frequenta uma igreja a procura de apenas prazer também é a Prostituta.
Quem usa dos cargos da igreja, do louvor, ou do convívio cristão apenas para se sentir bem, é a Prostituta.
Quem cobra pra cantar, quem cobra pra pregar, quem cobra pra ensinar não é a Noiva. É a prostituta.

Prostituta é a igreja que funciona por causa do dinheiro, como comércio. 

A igreja prostituta abre a porta do comercio aos domingos e ali vende deus aos pedaços como se fosse carne no açougue. 


A prostituta nunca apresenta o Evangelho como um todo. Ela ensina frações da Palavra, e somente aquilo que os ouvidos gostam de ouvir. Por isso, por causa de uma mensagem diluída o povo salta, grita, chora, se ajoelha, fala em línguas no domingo, mas na segunda-feira continua tendo uma vida cristã abaixo do nível da mediocridade.

A noiva é diferente da prostituta. Ser noiva significa ter compromisso, devoção, fidelidade, resignação e resiliência.
Cristo virá buscar a Noiva, mas a prostituta ficará de fora.



"de fora ficarão os HOMICIDAS".

“HOMICIDAS” – Aquele que mata pessoas.
Homicida é aquele que mata e não sente peso em sua consciência.
Sabe-se que existe muitas formas de matar. Matar vai além de somente retirar a vida do outro com uma arma. 

Mata-se quando se destrói sonhos e ideais. 

Mata-se quando ao invés de cuidar do próximo, usa da positividade da relação para explorar o próximo.

Mata-se quando se ensina a mentira em detrimento da verdade. 
Mata-se quando não se ensina a verdade por ignora-la, enquanto ela está ao alcance das mãos.

Homicidas são pastores e mestres que sabem que estão ensinando a mensagem errada, mas têm suas consciências cauterizadas pelo sucesso financeiro e pela fama.
Homicidas são aqueles que não mudam a mensagem falsa que pregam porque sabem que no dia em mudarem a mensagem, a receita financeira da igreja vai cair vertiginosamente.

Homicidas são aqueles que matam usando a Espada do Espírito.



 "de fora ficarão os IDÓLATRAS".

“IDÓLATRAS” – O texto de Apocalipse é bem mais profundo do que referir-se apenas àqueles que se curvam diante de uma imagem de cerâmica ou barro.

Idólatras são pessoas que estão infiltradas na igreja, e que adoram um deus chamado jesus, mas que não é o Jesus do Evangelho. Chamam esse ídolo pelo nome de jesus, mas na essência estão adorando algo que não corresponde àquilo que as Escrituras revelam como sendo o Filho de Deus.

Esse demônio chamado jesus tem uma grande semelhança com o Jesus verdadeiro. O jesus falso fala "quase" igual ao Jesus verdadeiro, ensina coisas "quase" iguais ao Jesus verdadeiro e tem atitudes "quase" iguais às do Jesus verdadeiro. Mas é o deus falso do "QUASE". 
O idólatra cria deuses a sua imagem e semelhança. O jesus falso se adequa ao que o homem idólatra deseja, enquanto o Jesus verdadeiro muda o homem para ser tal qual Ele é.

O Jesus verdadeiro é pleno, não é essa miscelânea de bobagens góspeis da atualidade.

Quem idolatra o falso jesus adora o bezerro de ouro e não o Cordeiro de Deus.




"de fora ficarão os QUE AMAM E COMETEM A MENTIRA".


“AMA E COMETE A MENTIRA” – O Apóstolo Paulo em Romanos 1:18  diz assim:
"A ira de Deus se manifesta do alto do céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a verdade.”

Quem conhece a verdade e permanece na mentira ficará de fora.
Quem conhece a verdade e mesmo assim ensina a mentira, será culpado do sangue de todos que matou.
É muito mais que apenas bater na mentira. Trata-se de dizer e ensinar a verdade do Evangelho. A luz dissipará as trevas. A mentira se dissipará “E CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”.


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M.e. César de Aguiar
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sábado, 8 de outubro de 2016

JESUS E O PAI DE SANSÃO – UM ENCONTRO INUSITADO

O texto bíblico de Juízes capítulo 13 narra uma fantástica teofania. 

Manoá e sua esposa ocupam um papel importante nas páginas do Antigo Testamento. Poucos identificam quem eles eram, mas quando citamos o nome do filho deles, imediatamente eles são contextualizados numa das mais intrigantes histórias do povo israelita. Manoá e sua esposa são os pais de Sansão.

Essa história começa com uma mulher infeliz que deseja ardentemente ter um filho. Ela era estéril, e pela graça da Providência recebeu o contato de um Ser Divino. Esse Ser Maravilhoso lhe abençoou com a dádiva da fertilidade e lhe deu instruções detalhadas acerca da forma que a criação de Sansão deveria ser conduzida.

A mulher de Manoá estava sozinha quando recebeu a visita do Ser Maravilhoso. A Mulher não escondeu o fato de seu marido. De acordo com o recato e submissão comuns às mulheres israelitas, ela foi contou todo o ocorrido.

Aparentemente Manoá não duvidou da honra de sua mulher, mas se duvidou não saiu falando coisas inapropriadas. Antes de acusar a sua mulher Manoá ouviu atentamente o que ela lhe contara e orou pedindo que Deus novamente lhes enviasse aquele Ser para falar com eles.  

A oração de Manoá foi atendida e pouco tempo depois o Ser Divino reapareceu à mulher de Manoá. Novamente na hora da aparição ela estava sozinha, mas dessa vez a mulher se apressou para encontrar e chamar o seu esposo para o encontro.

Na primeira aparição do Ser Divino, a mulher apresenta a Manoá uma descrição da pessoa que havia visto:  “Veio a mim um homem de Deus, cujo semblante era como o de um anjo de Deus, em extremo terrível; e não lhe perguntei de onde era, nem ele me disse o seu nome” (Jz 13.6).

Ela o descreve como um homem possuidor de um semblante divino e que apareceu em meio a um extremo terrível. Segundo a esposa de Manoá, o Ser Divino não fez nenhuma apresentação formal, ou seja, Ele não se apresentou pelo nome! Pense comigo: se fosse um anjo, certamente ele faria uma apresentação mais completa. Um anjo não iria querer correr o risco de deixar uma sensação de dúvida acerca da pessoa que estava ali. Qualquer anjo é inteligente o suficiente para nunca se deixar confundir com o próprio Deus.

A abordagem de Manoá é direta e sem rodeios. Quando Manoá se aproxima do Ser Divino vai logo perguntando: “És tu o homem que falou a esta mulher?”

Manoá o identifica como um homem, mas o tratamento que Manoá dispensa tem o protocolo de tratamento a um Deus. Manoá obtém instruções acerca do filho que viria e de como Sansão deveria ser dedicado à Deus. Diante de toda aquela cena Manoá quer oferecer holocausto àquele Ser.
O Ser Divino dá mostras de uma educação sem precedentes, pois, após realizar sua missão que era entregar a mensagem, Ele ainda concordou em ficar mais um tempo em função de uma celebração de culto. Aquele Ser poderia simplesmente ter sumido, afinal a missão já estava concluída.

Mas não! O Ser Divino fica na companhia de Manoá e sua esposa, colocando apenas uma condição: “Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao Senhor”.

Esse Ser Divino é Jesus!

Alguns poderiam argumentar que não, pois o texto bíblico prossegue dizendo que “Manoá não sabia de que se tratava do anjo do Senhor”.

Por um momento Manoá desconfiou que aquela aparição não se tratava de um anjo. Por isso tentou oferecer holocausto a Ele. E Jesus sabia os pensamentos de Manoá. E Jesus sabia da necessidade de ocultar sua identidade quando efetuava viagens no tempo.

Diante de Manoá Jesus tem o comportamento de um homem. Natural, porque Jesus era homem! Ele não mudava sua aparência quando viajava no tempo. E como homem, Jesus não aceitava nenhum tipo de glória que o remetesse a assumir uma postura de Deus.

Não aceitar o holocausto de Manoá se equilibra com a natureza do Deus encarnado que se esvaziou de sua glória nos céus e se tornou homem! Em seu ministério terreno Jesus nunca recebeu 
holocaustos ou orações diretas, como se fosse Deus. Certa vez ele disse a um jovem: “ninguém é bom, senão Deus”. Embora sendo Deus, Jesus não se apropriava das vantagens de ser Deus.
Manoá é insistente e de forma sutil aborda o Ser divino de uma forma que o deixaria em um beco sem saída. Dentro de seus pensamentos Manoá procura uma resposta acerca da identidade daquele Ser Maravilhoso: “Agora saberei quem é Ele!” Essa é a tônica do pensamento de Manoá.
"Qual é o teu nome, para que te prestemos homenagem quando se cumprir a tua palavra? "
Prontamente o Ser Divino se identifica também com sutileza: “Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso?” O nome que está para além de todo entendimento, conforme traduzido na versão NVI (Jz 13.18). Ele é Jesus! O profetizado por Isaías: “e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:6).

Enquanto Manoá oferecia o sacrifício, Jesus fazia coisas estranhas diante dele e de sua esposa. Outra versão troca a expressão de ‘coisas estranhas’ para “obrou maravilhas”.

O que o Senhor fazia diante de Manoá e sua mulher não é relatado pelo texto. Todavia o que sabemos é que no momento seguinte, quando a chama do altar subiu ao céu, o Senhor subiu junto com ela.
No começo do texto o Senhor aparece de uma maneira fantástica (Jz 13.6). Fantástica também é sua saída de cena.



Uma fenda no tempo se abriu e o Maravilhoso subiu ao céu em meio ao fulgor das chamas e da fumaça emitida pelo holocausto.



A forma e o estilo da abordagem do Ser Maravilhoso conversando com a mulher de Manoá é perfeitamente alinhado com a forma e estilo da abordagem de Jesus para com a Mulher Samaritana (João 4) e com Maria no primeiro momento após sua ressurreição (João 20).

Manoá, protagonista da história, não se convenceu de que se tratava de um anjo, mesmo que o narrador do texto bíblico o denominasse assim! Manoá diz: “Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus”.

E os que tem ouvidos para ouvir também ouvem: Tratava-se do próprio Senhor Jesus.

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M.e. César de Aguiar
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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

JESUS E O PRÍNCIPE – UM TRATADO SOBRE A BONDADE

 
Lucas 18:18-19


 E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?


Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.


Todo ser humano merece credibilidade. Todos merecem a chance de provar que sua existência não é vã no universo.
Acreditamos que a existência humana não se estabelece sem propósito. Todos tem um motivo para estar no universo. Todos tem uma missão a cumprir. Todos tem uma obra a ser executada.

Nos dias da criação Deus criou todas as coisas e estabeleceu leis naturais que manteriam o universo em perfeito funcionamento. Como constatação da qualidade do que fez, Deus chamou de boa toda a obra que era concluída ao final de cada dia. “... e viu Deus que era bom” – essa é a conclusão do final de cada dia de trabalho do Criador (Ver todo o texto de Genesis capítulo 1).

Quando Deus separou a porção seca das águas, Ele viu que era bom (Gn 1.10); quando a terra produziu ervas e árvores frutíferas, Deus viu que era bom (Gn 1.12); quando os luminares foram postos e ajustados em suas órbitas, viu Deus que era bom (1.18); quando os animais marinhos e os que voam foram criados, viu Deus que era bom (Gn 1.21); quando os animais terrestres foram trazidos a existência , viu Deus que era bom (Gn 1.25).
E finalmente quando Deus criou o homem e a mulher, Ele os considerou a coroa da criação. Tudo estava pronto e funcionando de forma perfeita. Foi nesse momento quando precedendo seu descanso sabático, o Criador contemplou tudo que havia feito, e “viu Deus que era muito bom” (Gn 1.31).

“.. viu Deus que era muito bom”!!! Essa é a conclusão natural acerca do conjunto da  obra do Criador. Perceba que as coisas eram consideradas como boas apenas após a conclusão final de cada uma delas. E no fim de todo processo Deus considerou tudo muito bom. Deus não taxou como bom nada antes de se chegar ao fim. Nada foi avaliado como bom antes de estar pronto.

Quando o jovem príncipe se aproximou de Jesus ele tinha isso em mente. O jovem conhecia muito bem as Escrituras e seu objetivo era “pegar” Jesus numa encruzilhada teológica.
Se Jesus se considerasse bom antes de sua obra ser acabada, Jesus estava se colocando no mesmo patamar que o Criador. E dessa forma o jovem poderia tomar Jesus por um blasfemador.
Mas a resposta de Jesus foi perfeita: “Ninguém há bom, senão um, que é Deus.” 

Somente Deus é bom, porque somente Deus terminou sua própria obra.

O homem só poderá ser considerado bom quando sua própria obra estiver concluída.

Nas palavras de Jesus, Ele mesmo ainda não podia ser chamado bom, afinal  sua obra ainda não havia sido terminada. Sua obra estava em andamento e somente após sua ascensão aos céus é que a sua obra poderia ser julgada e somente então ele mereceria o predicado que somente o Pai tinha.

Deus realizou sua obra na criação e se auto proclamou como Bom. Todavia Jesus rejeitou esse predicado porque ainda não havia terminado sua obra. Mas sabemos perfeitamente que após concluída a obra do Mestre, Ele se torna digno de toda honra e louvor de todo o universo. Diante Dele se dobrará todos os joelhos de todos os mundos.

Você que esta lendo esse texto!!! Saiba que seu tempo ainda não acabou. Você está escrevendo sua história e tenha certeza de uma coisa: Você esta sendo avaliado!

Nenhum homem é perfeitamente bom. O ser humano, após concluir toda sua obra na terra, irá se encontrar com o Justo Juiz. Esse encontro definirá se a obra foi boa ou não. A bondade do homem será julgada pelo Único que pode ser chamado de Bom. O homem será julgado por aquele que é o padrão de toda a bondade.

Realize sua obra sabendo que você ainda não é bom. Faça o seu melhor sabendo que quem vai te julgar saberá perfeitamente  fazer o mais perfeito juízo de todas as coisas.

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M.e. César de Aguiar

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terça-feira, 4 de outubro de 2016

A CABALA E A BONDADE DE DEUS


Salmos 107:1 – “LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre”.

Os atributos de Deus são esmagadores!
Deus é Todo Poderoso, Deus é Onipotente e Soberano.

Esses atributos de Deus quando colocados como referência no nosso relacionamento com o Criador tem a propriedade de nos fragilizar. A análise desses atributos de Deus nos faz concluir que somos pequenos, frágeis e dependentes.

Veja bem! Deus é Todo Poderoso e faz acontecer absolutamente tudo que Ele planeja segundo o equilíbrio de Sua personalidade. Em contrapartida nós não conseguimos estabelecer poder nem mesmo sobre o nosso próprio destino de um dia. Acordamos pela manhã e vivemos situações que estão completamente fora do nosso controle e que são totalmente autônomas para mudar o rumo dos acontecimentos. Não conseguimos alterar o resultado das atitudes que tomamos. Não conseguimos mudar o rumo de nada a nossa volta e chegamos ao fim do dia com a consciência de que apenas sobrevivemos a mais um dia de luta. Concluímos finalmente que não temos poder nem mesmo pra decidir se estaremos vivos pelas próximas duas horas.  

Imagine se Deus fosse mal. Imagine se Deus fosse motivado por paixões e desejo de vingança. O resultado é que toda a raça humana seria banida desse planeta. Seríamos fulminados imediatamente a cada erro. Um deus mal seria uma realidade esmagadora!
Mas podemos descansar na bondade de Deus. A Bíblia nos ensina que Deus é um Ser Bondoso. Isso é o mais poderoso anelo para nossa alma: saber que Deus é composto de atributos de força e poder e que também é composto de atributos morais e éticos, nos soa como um conforto sem explicação para a razão da existência humana.

Saiba isso: o Deus Todo Poderoso é também Amor. O Deus Soberano é também Bondade.
Os atributos que falam da bondade de Deus: amor, graça, misericórdia e paciência, é para a humanidade a maior prova de que o Soberano do Universo é digno de toda honra e de toda a glória por parte de sua criação.





Na Árvore da Vida as emanações que falam sobre o Amor e a Bondade de Deus são duas. A Sephiroth Binah (sephiroth número 3) e a Sephiroth Hesed (sephiroth número 4).


Binah é compreensão e Hesed é Misericórdia. A soma de Binah e Hesed dá o valor numérico de 7.
O número 7 é a soma perfeita. 

7 é Netzach. E Netzach é Vitória.


A sabedoria milenar da Árvore da Vida nos ensina que a razão da nossa vitória (Netzach) é o resultado da união mística entre a compreensão (Binah) e da misericórdia (Hesed) do Criador.


Diante de tão profunda revelação nossa vida deve se prostrar em gratidão diante do Deus de Todo o Universo.
A bondade de Deus é a causa da manutenção de nossa existência e a causa da vitória que obtemos sobre a realidade de sobrevivermos nesse universo.


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sábado, 1 de outubro de 2016

A PRIMEIRA MORTE


Gênesis 3:4-5

Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.

Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.




 UMA MEIA VERDADE É UMA MENTIRA 100%.

Eis a primeira sentença da Serpente: “CERTAMENTE NÃO MORREREIS”.
E a mulher comeu do fruto. E a mulher não morreu. A sentença da Serpente parecia ter razão mesmo contrariando a voz do Criador.
Adão passivamente assistiu a tudo isso e constatou que apesar de ter desobedecido a Deus, Eva continuava viva. Aparentemente a Serpente tinha razão. Dessa forma, Adão se orientou pelo que via e não por aquilo que ouviu de Deus.

Esse evento falou forte no inconsciente de Adão. Certamente alguma coisa mudou no seu mundo interior. Para o homem, a partir daquele momento a voz da Serpente era mais confiável do que a voz de Deus.

“- Deus está me escondendo algo. Ele disse que se comêssemos do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal iríamos morrer, todavia a mulher comeu e continua viva. Contra evidências não há argumentos: A mulher comeu e não morreu. Deus nos enganou e a Serpente tinha razão o tempo todo!” A mente de Adão era um turbilhão de pensamentos e considerações humanamente racionais.

O erro de Adão foi não ponderar que a proibição de comer o fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal se tratava de uma regra estabelecida pelo Criador de todas as coisas. Antes de comer do fruto, Adão se esqueceu de que ele era criatura e que Deus, e que Deus era o autor das regras. Adão se esqueceu de ele existia por causa do Criador e não o contrário. Ao dar ouvidos aos argumentos da Serpente, Adão se rebelou contra a Fidelidade e Soberania de Deus.

Ao cometerem pecado e continuarem vivos ficou parecendo que homem e mulher venceram a Deus. Desobedecendo uma ordem expressa do Criador, Adão e Eva declararam que poderiam ficar a sós no universo, pois a voz de Deus não garantia nada. Comendo fruto eles aceitaram a sugestão da Serpente que insinuava que Deus era mentiroso. O pecado era libertador! Libertava o homem de Deus - e parecia que tudo ia ficar impune, já que o castigo imposto por Deus não se estabeleceu.

A sentença que Deus deu para a desobediência não foi cumprida – Deus permitia a impunidade. E por isso Adão comeu sem pestanejar.

Mas o que Adão não sabia era que a sugestão da serpente era uma mentira fantasiada de verdade!

Analise comigo o evento de forma mais profunda! Cave um pouco mais e procure abaixo da superfície a razão que torna as coisas como foram e como são.

DEUS HAVIA DITO QUE O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE. Sim, Deus disse: “no dia que comeres certamente morrerás” (Gn 2.17). MAS NINGUÉM MORREU.

O que Adão e Eva ignoravam eram duas coisas:

a-    Eles não levaram em conta que a morte começa onde começa a vida: NO ESPÍRITO. Assim que comeu, o ESPÍRITO morreu!
O ser humano é uma Alma habitada por dois corpos: um corpo físico e um corpo espiritual. Na mesma hora que o homem pecou, seu espírito morreu.


b-    Homem e mulher também não levaram em conta que: “Um dia para Deus é como 1000 anos”. Adão morreu fisicamente com 930 anos. Todavia o calendário de Deus é diferente do calendário da humanidade. No calendário de Deus, Adão morreu no mesmo dia que pecou.

Deus não deixou ninguém impune. E parte do castigo para o homem foi, por um momento homem e mulher se sentirem superiores ao próprio Deus. Deus é fiel e sua Palavra se cumpre, para benção ou maldição.
Por um momento, homem e mulher pensaram que tinham se elevado acima do nível que estavam. "Estamos livres de Deus e somos senhores absolutos da Criação. Pecamos e Deus não fez nada contra nós". Essa ilusão durou tão pouco! No fim do mesmo dia, Deus encontrou o homem e o fez pagar pelo erro.

"Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna". Gálatas 6:7,8


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M.e. César de Aguiar 
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terça-feira, 27 de setembro de 2016

JACÓ, JESUS E UMA VIAGEM NO TEMPO


“Porque tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada...” (Gn 32. 28-31).


Esta declaração de Jacó é um testemunho oriundo de uma constatação muito complexa.
O Ser com que quem Jacó lutou não é reconhecido como um Anjo, mas como o próprio Deus. As palavras do Patriarca é uma evidência cabal de que Jacó reconheceu que aquele Ser não se tratava de um Anjo, mas do próprio Senhor da Criação.

Essa é uma questão de alta complexidade e mais uma vez as Escrituras parecem se contradizer, pois noutro lugar se diz: “ninguém jamais viu a Deus”. Todavia a suposta contradição é apenas aparente pois existe na profundidade da interpretação um sentido mais inteligente, interessante e revelador.
Os fatos narrados pelo texto bíblico de Genesis capítulo 32 levantam uma complexa questão. Entendemos pelo texto que o Ser Maravilhoso com quem Jacó travou uma luta era o próprio Deus manifestado em forma humana.
Sabemos de forma notória que Deus se manifestou em forma humana somente 1 vez na história, e foi na pessoa do Messias. Dessa forma concluímos que Jacó só poderia ter lutado com o próprio Jesus Cristo.

É nesse ponto que as dificuldades começam a aparecer: sabemos que milhares de anos separam Cristo de Jacó! Então, como é que os dois estavam juntos no mesmo plano físico e temporal. Como Jacó se encontrou com Jesus se eles são de tempos diferentes?
Essa é a pergunta que não quer calar! Um questionamento que exige uma resposta direta e convincente. E com toda certeza responderemos a essa questão nesse artigo, Todavia existe outra pergunta de igual relevância! 

Vamos a ela primeiro!

Porque o Deus Todo Poderoso do Universo teria que travar uma luta corporal com um homem comum e ainda por cima, considerar a luta árdua?

Qual o sentido de tudo isso!??

Vejamos!!!

A história da luta de Jacó com Deus não pode ser um fato isolado e sem sentido! Esse evento épico evoca o sentido mais profundo da Mensagem da Graça.
O Evangelho da Graça tem como ênfase doutrinária a história de Deus Criador se reduzindo à forma de sua criatura humana e se limitando ao espaço e ao tempo com a finalidade de redimir todas as coisas em Si mesmo e para Si mesmo.

Na história da luta de Jacó com Deus devemos observar um fato curioso. Para finalizar a luta Deus feriu a coxa de Jacó e mudou definitivamente sua forma de caminhar.  “E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa” (Gn 32.31)
Muito sugestivo pensarmos na metáfora de que no relacionamento do homem com Deus, Deus sempre vai mudar a forma como esse homem caminha. Mas o significado do texto vai além da necessidade de se produzir uma metáfora de efeito existencial.

Na história de Deus com Jacó, Deus fere o homem na carne. E esse ferimento é aplicado como resultado de um combate físico. Deus pessoalmente fere o corpo do homem.

Na história de Jesus com a humanidade foram os homens que feriram Jesus.
Deus feriu a Jacó e os homens feriram a Deus, no corpo físico, tal qual a compensação “olho por olho e dente por dente”.

Porque Deus feriu Jacó. Os filhos de Jacó feriram a Deus. Lei da retribuição.

A humanidade condenou a Cristo como um criminoso qualquer e dessa forma o homem feriu a Deus na carne, como resultado de uma tortura gratuita, onde o Todo Poderoso não ofereceu nenhuma forma de resistência. Deus permiti-se ferir.
O Deus então ferido, após sua ressurreição dentre os mortos, mantêm no seu corpo as marcas das feridas com que foi ferido na casa de seus “amigos”. 
E assim ele foi assunto aos céus: em carne e com as feridas que o identificam como Jesus Cristo, Homem. Tem um homem no céu que irá manter por toda a eternidade a glória das feridas com as quais foi ferido. 
Para que os santos ao olharem para Ele saibam que o resultado daquelas feridas é a gloria da eternidade, e mais: as feridas são o testemunho vivo de que: "eu estou aqui, mas não mereço estar aqui, afinal, aquelas feridas foi eu quem causou". Graça escandalosa, testemunhando por toda a eternidade.

Zacarias 13.6 – “E se alguém lhe disser: Que feridas são estas nas tuas mãos? Dirá ele: São feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos.”

João 20.26 -28  - “Passados oito dias, os discípulos estavam outra vez juntos, e nessa ocasião encontrava­se Tomé também presente. As portas estavam fechadas mas, tal como antes, Jesus apareceu no meio deles e disse: “Paz seja convosco!” Depois disse a Tomé: “Mete o dedo nas feridas das minhas mãos, e a mão no meu lado. Não continues descrente. Acredita!
 “Meu Senhor e meu Deus!”, exclamou Tomé.

Até aqui entendemos o porque da luta, mas ainda resta uma questão!

Como Jacó e Jesus estavam no mesmo lugar e no mesmo tempo?

A explicação está contida na confirmação de outra “sumida estratégica” de Jesus. 
Dessa vez o Mestre se ausentou de seus discípulos e com a explicação de se retirar para seu momento de solidão, Jesus viajou ao passado e lutou uma noite inteira com o patriarca Jacó.
Notemos a declaração de Jacó: 
“Porque tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada”. 
Essa declaração é assustadora e reveladora e os fatos apontam para uma única explicação que pode fazer sentido no equilíbrio das Escrituras. Trata-se de uma explicação que é muito mais teológica que científica na mesma proporção que é muito mais científica do que teológica.

Pessoalmente eu estou convencido e duvido que um anjo teria coragem de aceitar ser confundido com o Criador. Um anjo não aceitaria essa gloria para sí.
Os anjos temem serem confundidos com Deus, pois sabem que Deus não divide sua glória com nada e ninguém.
Veja o caso de Zacarias. O anjo foi logo se apresentando como anjo (Lc 1.19).  E no caso de Maria, o Evangelista Lucas se incumbiu de dizer exatamente quem era o personagem que iria falar com a mãe de Jesus (Lc 1.26).

Todavia o Ser Maravilhoso que lutou com Jacó aceitou ser chamado de Deus e se apresentou de forma provocadora, ao estilo do próprio Jesus: “Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome?” (Gn 32.29).
Jesus gostava dessa abordagem estilística: “Quem os homens dizem que sou?” (Mc 8.27). Estilos não provam nada, mas atinam o raciocínio quando a revelação de uma verdade inquietante nos atropela.


Enfim, Jesus viajou ao passado e usou seu encontro com Jacó para relativizar o relacionamento do humano com o divino. 

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M.e. César de Aguiar
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