1 Samuel 31:8-10
8 Sucedeu, pois, que, vindo os filisteus no outro dia para
despojar os mortos, acharam a Saul e a seus três filhos estirados na montanha
de Gilboa.
9 E cortaram-lhe a cabeça, e o despojaram das suas armas, e
enviaram pela terra dos filisteus, em redor, a anunciá-lo no templo dos seus
ídolos e entre o povo.
10 E puseram as suas armas no templo de Astarote, e o seu
corpo o afixaram no muro de Bete-Sã.
Esse texto retirado das Escrituras Sagradas nos dá uma ideia
da influencia religiosa sobre os negócios políticos. Tudo se tratava de
religião! E toda guerra era travada em nome de alguma divindade.
As guerras transcendiam os campos de batalha, e quando os exércitos
se chocavam, era muito mais que espadas e paredes de escudos. Era uma batalha
entre deuses que exigiam uma porção de território, onde iriam exercer suas influências
sobre os homens.
Quando o exército perdedor sangrava nos vales, a vitória não
pertencia ao país ou ao exército que hasteava a bandeira. A vitória pertencia
ao deus que protegia esse exército.
No caso específico desse texto das Escrituras, Israel perdeu
a batalha. E isso significava que o Deus de Israel havia perdido. Mas não foi o
povo filisteu que ganhou. Os louros e despojos de guerra foram dedicados à
deusa que era adorada na Filístia. Astarote venceu!
Mas quem é Astarote?
Astarote é o nome assumido por uma entidade do reino das
trevas, que no mundo antigo se apresentava como a principal divindade do sexo
feminino. Ela era adorada na Síria, Fenícia e toda a terra de Canaã. Seus
adoradores a cultuava como deusa-lua e era conhecida como uma consorte de Baal,
que nessa antiga mitologia era o deus mais difundido e se apresentava como
deus-sol.
Essa divindade pagã é frequentemente representada na forma
de figura feminina desnuda, com órgãos sexuais rudemente exagerados.
Para construção de suas imagens de escultura e pintura
cuneiforme, sua apresentação era feita principalmente como uma deusa da
fertilidade.
O culto a Astarote era a celebração da fertilidade, sendo
que a parte mais destacada do ritual em sua adoração consistia em orgias
sexuais nos templos e nos altos de montanhas devotados à adoração ao deus Baal.
Nos locais de culto a Baal, o culto a Astarote consistia em sexo ao ar livre,
onde homens e mulheres cultuavam aos deuses, prostituindo-se. A cerimônia
objetivava celebrar a fertilidade usando o sexo como simbologia.
Existe um provérbio antigo que fala acerca do perigo de não se
ser eficiente em matar uma cobra – o perigo da cobra mal matada. Segundo a
sabedoria do provérbio esse ser se volta contra quem o feriu e passa a viver em
função de infernizar e perseguir.
Josué e os Juízes que vieram após ele foram ineficazes em
tomar definitivamente a Terra de Canaã. E por causa da ineficácia da conquista,
a adoração a Astarote sobreviveu e atormentou Israel por longas gerações.
Quando Deus mandou tomar a terra e matar todos os seus
habitantes, não se tratava apenas de tomada de terras e riquezas. Tratava-se
principalmente de limpeza étnica e purificação da terra através da eliminação
da semente da serpente. Ao eliminar os povos pagãos, Israel estava destruindo
todos os falsos deuses que imperavam naquele lugar.
Josué foi o comandante mais pulso firme que existiu, mas ele
sozinho não conseguiu terminar a tarefa, e seus sucessores fizeram acordos ao
invés de destruir.
Assim que Josué morreu, o culto a Astarote foi reestabelecido
com muita força e muitas famílias hebreias trouxeram ídolos pagãos para dentro
de suas casas.
Juízes 2:12-14
12 E deixaram ao Senhor Deus de seus pais, que os tirara da
terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses dos povos, que
havia ao redor deles, e adoraram a eles; e provocaram o Senhor à ira.
13 Porquanto deixaram ao Senhor, e serviram a Baal e a
Astarote.
14 Por isso a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e os
entregou na mão dos espoliadores que os despojaram; e os entregou na mão dos
seus inimigos ao redor; e não puderam mais resistir diante dos seus inimigos.
Israel não cumpriu a lição de casa. Deus mandou eliminar a
todos os pagãos de Canaã, todavia Israel levantou a bandeira da paz e fez
acordos com os pagãos. Isso custou caro não somente ao povo de Israel. A desobediência
dos hebreus custou caro a toda a humanidade, e por causa da ineficiência em
obedecer o comando de Deus, a deusa Astarote e seu amante Baal continuam ativos
no mundo até os dias de hoje. Esses deuses das trevas mudaram de nome, de aparência
e de estratégia, como sempre fizeram ao longo da história. Todavia, nos dias de
hoje eles estão mais fortes do que nunca. Astarote e Baal, usando nomes e aparência
diferentes estão infiltrados na cultura, na política e na religião.
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M.e. César de Aguiar
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