“O problema é este: há muitos
crentes que são tão ignorantes do mundo real como os ateus são ignorantes do
mundo da fé” (Morris West).
A imagem refletida nos espelhos antigos tinham a mesma dinâmica ótica
dos espelhos atuais: assim como hoje, tudo era visto ao contrário.
Nada mudou. Até hoje os espelhos ainda funcionam da mesma forma, sendo
que a diferença entre espelhos antigos e atuais está na qualidade da reflexão.
Os espelhos antigos tinham a nitidez infinitamente inferior aos espelhos de
vidro banhados de mercúrio pelo lado oposto, que temos em abundância no mercado
atual.
Ver uma imagem refletida em um espelho antigo é de fato enxergar por
enigma. Além de tudo aparecer ao contrário, tudo é visto sem nenhuma clareza ou
nitidez.
O texto de Paulo está concordando que o universo é uma figura manchada e
imperfeita da dimensão onde Deus tem sua morada: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a
face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido”
(1Co 13.12).
Segundo o Apóstolo, a maneira como enxergamos o mundo é uma visão
enigmática e imperfeita da realidade.
Lançado em março de 1999, The Matrix (Matrix) é uma produção
cinematográfica estadunidense e australiana, dos gêneros ação e ficção
científica, dirigido por Lilly Wachowski e Lana Wachowski. A produção foi
protagonizado por Keanu Reeves, Laurence Fishburne e Carrie-Anne Moss. Esse
filme fez muito sucesso de bilheteria e até hoje é intrigante àqueles que o
assistem.
Em um momento da película, falando acerca do que é realidade, Morpheus
causa uma revolução no pensamento de Neo: “O que é real? Como você define o
real? Se você está falando sobre o que você pode sentir, o que você pode
cheirar, o que você pode saborear e ver, o real são simplesmente sinais
elétricos interpretados pelo seu cérebro.” Essas palavras de Morpheus estão
perfeitamente alinhadas com a Teologia do Apóstolo Paulo.
“Pela fé entendemos que o
universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi
feito do que é visível” (Hb
11.3). Esse texto de Hebreus nos coloca diante de uma impactante conclusão: tudo
que existe é uma cópia imperfeita do que é perfeito em outro lugar.
A perfeição desse universo sempre foi a real intenção de Deus. Todavia o
pecado causou o caos e estabeleceu a imperfeição em todos os níveis de criação.
O Gênesis fala de cardos, espinhos, trabalho penoso e dores de parto (Gn
3:16-19). Mas entenda que o pecado causou uma catástrofe muito maior que apenas
condenar o homem a capinar o jardim e a mulher sofrer dores de parto.
As consequências da nossa desobediência no Jardim do Éden estão para
além do nível planetário.
O pecado do homem impactou devastadoramente todo o universo.
Por essa razão, não somente o homem, mas também o Planeta Terra e todo o
Cosmo são objetos do tratamento redentor da Cruz de Cristo. “E que, havendo por ele feito a paz pelo
sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas,
tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Cl 1.20).
A missão do Messias é a reconciliação de todas as coisas com o Pai: o
homem, seu planeta, seu sistema solar, sua galáxia, o universo inteiro. Não
somente o mundo visível, mas todas as dimensões de inteligência superior, os
domínios angélicos e as dimensões paralelas.
Para o trabalho de reconciliação, Cristo elegeu a igreja como seu corpo
cósmico e a enviou como ferramenta que o Espírito Santo usa para reconciliar
pessoas, animais, a terra e todo o universo.
“Isto é, Deus estava em Cristo
reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós
a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo,
como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos
reconcilieis com Deus” (2
Coríntios 5:19,20).
Somos embaixadores para o estabelecimento do Reino de Deus.
É através do Corpo de Cristo que a Igreja Invisível irá restaurar cada
coisa em seu devido lugar a nível universal.
Pessoas reconciliadas com Deus podem desempenhar essa tarefa. A Igreja
Invisível tem uma missão cósmica. Todo o universo depende dela.
O universo geme pela redenção do desastre que o pecado causou. “Porque a ardente expectação da criatura
espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à
vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de
que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a
liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme
e está juntamente com dores de parto até agora” (Rm 8.19-22).
Esse mundo é provisório e imperfeito. A responsabilidade da igreja é
tornar nítida a imagem do Criador. É polir o espelho. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a
glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como
pelo Espírito do Senhor” (2Co 3.18).
Deus não criou a imperfeição. Tudo que foi criado foi feito de forma
bela. Nada é mais belo que Aquele que criou todas as coisas.
Deus é o perfeito paradigma da beleza.
Toda a beleza subsiste Nele, e é Ele quem empresta beleza a tudo que há.
Ele é o Belo e não havia nada criado que fosse tão belo quanto Ele.
Para ver a beleza em sua forma mais plena, Deus sempre olhava pra Si
mesmo. E para se enxergar, Deus construiu um espelho de nitidez perfeita. Feito
por Suas próprias mãos Deus chamou esse espelho pelo nome de Adão.
Feito à Sua imagem e semelhança, o homem foi essencialmente construído
para refletir a imagem de Deus.
O único ser criado como capaz de refletir a imagem do Criador é o Ser
Humano. Todavia o pecado comprometeu a fidelidade do espelho. O pecado sujou
onde o Criador Se contemplava todas as tardes, enquanto visitava o homem no
Jardim.
O pecado privou a Deus de Se contemplar todo dia.
A aparência perfeita do homem foi destruída: o espelho foi manchado.
Com o advento do pecado Deus não podia mais ver aquilo que é mais belo
que tudo que existe: a Sua própria imagem, refletida na coroa de Sua criação.
...Continuaremos na próxima aula.
Até breve!
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário