A cosmogonia de Mênfis era centralizada em Ptah, o deus patrono dos
artesãos, ferreiros, escultores e armadores. Ptah era o arquétipo da habilidade
peculiar que o artesão possui de projetar materiais elegantes a partir de
matéria bruta.
Bem diferente dos outros relatos egípcios, em Mênfis contava-se que tudo
foi criado a partir do poder do demiurgo, sem manipulação do mundo físico.
Segundo Platão, demiurgo é o artesão divino ou o princípio organizador
que, a nível universal, sem tanger a realidade manifestada, modela e organiza
toda a matéria, partindo do caos preexistente, culminando na manifestação por
imitação, de modelos perfeitos existentes dentro do plano eterno.
Na teologia dessa cosmogonia, tudo o que Ptah desejava fazer, pelo poder
de seus pensamentos, eram trazidos à existência. Foi assim que ele criou tudo o
que existe, inclusive os outros deuses.
Aparentemente trata-se de uma cosmogonia simples sem o arrojo das
batalhas épicas e do luxo peculiar à figura dos deuses egípcios. Todavia, a
teologia presente no conceito da criação em Menfis alude à simplicidade da
forma como YHWH criou todas as coisas usando um complexo sistema de forças
naturais e uma espetacular organização atômica.
Naquele tempo, essa semelhança teve um papel importante no sentido de
atender muito bem a demanda de confundir a mente dos homens que não tinham uma
definição clara de quem era o Deus Invisível.
Ptah tinha características que, em tese, o igualavam ao Deus de Israel.
Paulo afirma que “Deus dá vida aos
mortos e chama à existência as coisas que não existem, como se elas já
existissem” (Rm 4:17). Em Hebreus o escritor afirma que “Pela fé compreendemos que o Universo foi
criado por intermédio da Palavra de Deus e que aquilo que pode ser visto foi
produzido a partir daquilo que não se vê” (Hb 11.3). Toda a Bíblia está
cheia de afirmações acerca da criação que nos remete à forma usada para
descrever a criação pelo demiurgo egípcio. “Pois
ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo surgiu” (Sl 33.9).
Shakespeare já havia avisado: "O
diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém". Repetindo a
constatação frente a outras tradições religiosas da antiguidade, percebemos
retalhos da verdade na tradição egípcia. São retalhos significativos que
certificam que eles não possuíam toda a verdade. Possuíam meias verdades. E
meias verdades são mentiras cem por cento.
Acerca dos falsos deuses egípcios, afrontados pelo Grande EU SOU, quando
da libertação do povo de Israel das terras do faraó, a seu tempo profetizou
Jeremias: “Digam-lhes isto: ‘Esses
deuses, que não fizeram nem os céus nem a terra, desaparecerão da terra e de
debaixo dos céus’. Mas foi Deus quem fez a terra com o seu poder, firmou o
mundo com a sua sabedoria e estendeu os céus com o seu entendimento. Ao som do
seu trovão, as águas no céu rugem, e formam-se nuvens desde os confins da
terra. Ele faz os relâmpagos para a chuva e dos seus depósitos faz sair o
vento. Esses homens todos são estúpidos e ignorantes; cada ourives é
envergonhado pela imagem que esculpiu. Suas imagens esculpidas são uma fraude,
elas não têm fôlego de vida. São inúteis, são objetos de zombaria. Quando vier
o julgamento delas, perecerão” (Jr 10:11-15).
O texto bíblico tem uma intenção clara: afrontar os deuses e seguidores
da religião egípcia que ainda existiam nos tempos de Jeremias.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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