A luz do sol viaja 8 minutos para chegar até nós.
Quando olhamos o sol, o vemos como ele era a 8 minutos atrás. Vemos o seu passado!
Ao olhamos para o céu, contemplamos luzes de estrelas que estão a
bilhões de quilômetros de distância da terra. A luz emitida por elas, mesmo
viajando em impressionante velocidade, quando são captadas por nossas retinas,
milhões de anos já se passaram.
Toda a luz que chega do espaço até nós, foi emitida em um passado muito
distante.
Olhar para o céu a olho nu, não é olhar para o presente. É olhar para um
passado de tempos imemoriais!
Segundo alguns astrônomos, existem no universo estrelas tão distantes,
que suas luzes ainda não chegaram a serem visíveis em nosso planeta, mesmo com
o uso de potentes telescópios.
O universo ficou pronto, mas o que vemos da terra não passa de um pequeno
retrato pendurado numa parede maior que a Muralha da China. O universo inteiro
é a muralha e o que vemos em nossa carta celeste é uma pequena fotografia 3x4.
Ao apontarmos um telescópio em direção a uma galáxia distante, podemos
nos ater à beleza de uma estrela; isso é uma viagem. Muito
mais do que mera contemplação.
Quando olhamos uma estrela pelas lentes de um telescópio, na verdade
estamos viajando no espaço e no tempo para contemplar relativamente o futuro e
o presente daquele corpo celeste; essa visão depende exclusivamente do poder de
alcance do telescópio.
Em relação ao observador da terra, estamos vendo o futuro da estrela. Em
relação à estrela estamos vendo o seu presente. Para o observador na terra, a
distância vencida pela lente do telescópio significa uma viagem no tempo!
Pense nessa experiência: ao olhar o espaço pelas lentes de um poderoso
telescópio, você estará viajando no tempo para testemunhar de perto algo que
aconteceu a milhões de anos da perspectiva do observador na terra.
E se você não usasse a lente do telescópio? Se você viajasse em um
equipamento que acelera a uma velocidade superior à velocidade em que viajam a
percepção das imagens? Certamente você estaria viajando no tempo, enquanto
viaja pelo espaço.
Presente e futuro são percepções que dependem unicamente do referencial
do observador.
Ao viajar numa velocidade superior à velocidade da luz, você estaria se
deslocando no tempo e isso lhe daria a possibilidade de ser uma testemunha
ocular do evento que deu origem ao nosso universo.
Para o Criador, o Passado, o Presente e o Futuro, simplesmente não
existem, pois sob a perspectiva da luz, o tempo e o espaço se deformam até a
absoluta inexistência.
Deus é Luz e por isso, afirmar que o Eterno sabe o nosso futuro é uma
premissa que passa pela doutrina da Onisciência de Deus e se explica pelas
equações da física.
“Que anuncio o fim desde o começo,
e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam” (Is 46:10).
Teólogos livres afirmam que o passado, o presente e o futuro existem e
são estabelecidos de forma simultânea na Consciência de Deus. Para o Criador
não existe a aprisionadora noção de sucessividade.
Os fatos são sucessivos apenas para os humanos que percebem a manifestação
da história sob o véu da realidade.
Nossa limitada consciência está acorrentada aos sentidos e é uma escrava
do tempo. Estamos todos condenados ao tempo e fatalmente condicionados a esta
noção de fatos que se sucedem.
Todavia, quando mergulhamos na experiência dos sonhos, percebemos que o
tempo funciona numa perspectiva alheia ao tic-tac do relógio. O pensamento
também funciona sem um marcador de tempo, entretanto estando sempre limitado
pela sucessão dos fatos.
Afinal no mundo onde forjamos nossas histórias e imagens interiores, os
eventos podem ser retardados ou apressados, repetidos e reinventados, mas
sempre somos um refém do relógio.
As experiências metafísicas dos sonhos e dos pensamentos errantes nos
dão um pequeno sinal do que será a percepção da consciência cósmica, quando o
perfeito nos for revelado, quando por fim, “estando
na luz, como ele na luz está”, transcenderemos a percepção da
sucessividade.
Sem tempo e sem espaço, impossível de ser descrito, isso é o que Deus
tem reservado para nós, os seus.
Cesar de Aguiar
teolovida@gmail.com
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