quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

VOYER DA HISTÓRIA

 



A luz do sol viaja 8 minutos para chegar até nós.

Quando olhamos o sol, o vemos como ele era a 8 minutos atrás. Vemos o seu passado!

Ao olhamos para o céu, contemplamos luzes de estrelas que estão a bilhões de quilômetros de distância da terra. A luz emitida por elas, mesmo viajando em impressionante velocidade, quando são captadas por nossas retinas, milhões de anos já se passaram.

Toda a luz que chega do espaço até nós, foi emitida em um passado muito distante.

Olhar para o céu a olho nu, não é olhar para o presente. É olhar para um passado de tempos imemoriais!

Segundo alguns astrônomos, existem no universo estrelas tão distantes, que suas luzes ainda não chegaram a serem visíveis em nosso planeta, mesmo com o uso de potentes telescópios.

O universo ficou pronto, mas o que vemos da terra não passa de um pequeno retrato pendurado numa parede maior que a Muralha da China. O universo inteiro é a muralha e o que vemos em nossa carta celeste é uma pequena fotografia 3x4.

Ao apontarmos um telescópio em direção a uma galáxia distante, podemos nos ater à beleza de uma estrela; isso é uma viagem. Muito mais do que mera contemplação.

Quando olhamos uma estrela pelas lentes de um telescópio, na verdade estamos viajando no espaço e no tempo para contemplar relativamente o futuro e o presente daquele corpo celeste; essa visão depende exclusivamente do poder de alcance do telescópio.

Em relação ao observador da terra, estamos vendo o futuro da estrela. Em relação à estrela estamos vendo o seu presente. Para o observador na terra, a distância vencida pela lente do telescópio significa uma viagem no tempo!

Pense nessa experiência: ao olhar o espaço pelas lentes de um poderoso telescópio, você estará viajando no tempo para testemunhar de perto algo que aconteceu a milhões de anos da perspectiva do observador na terra.

E se você não usasse a lente do telescópio? Se você viajasse em um equipamento que acelera a uma velocidade superior à velocidade em que viajam a percepção das imagens? Certamente você estaria viajando no tempo, enquanto viaja pelo espaço.

Presente e futuro são percepções que dependem unicamente do referencial do observador.

Ao viajar numa velocidade superior à velocidade da luz, você estaria se deslocando no tempo e isso lhe daria a possibilidade de ser uma testemunha ocular do evento que deu origem ao nosso universo.

Para o Criador, o Passado, o Presente e o Futuro, simplesmente não existem, pois sob a perspectiva da luz, o tempo e o espaço se deformam até a absoluta inexistência.

Deus é Luz e por isso, afirmar que o Eterno sabe o nosso futuro é uma premissa que passa pela doutrina da Onisciência de Deus e se explica pelas equações da física.

“Que anuncio o fim desde o começo, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam” (Is 46:10).

Teólogos livres afirmam que o passado, o presente e o futuro existem e são estabelecidos de forma simultânea na Consciência de Deus. Para o Criador não existe a aprisionadora noção de sucessividade. 

Os fatos são sucessivos apenas para os humanos que percebem a manifestação da história sob o véu da realidade.

Nossa limitada consciência está acorrentada aos sentidos e é uma escrava do tempo. Estamos todos condenados ao tempo e fatalmente condicionados a esta noção de fatos que se sucedem.

Todavia, quando mergulhamos na experiência dos sonhos, percebemos que o tempo funciona numa perspectiva alheia ao tic-tac do relógio. O pensamento também funciona sem um marcador de tempo, entretanto estando sempre limitado pela sucessão dos fatos.

Afinal no mundo onde forjamos nossas histórias e imagens interiores, os eventos podem ser retardados ou apressados, repetidos e reinventados, mas sempre somos um refém do relógio.

As experiências metafísicas dos sonhos e dos pensamentos errantes nos dão um pequeno sinal do que será a percepção da consciência cósmica, quando o perfeito nos for revelado, quando por fim, “estando na luz, como ele na luz está”, transcenderemos a percepção da sucessividade.

Sem tempo e sem espaço, impossível de ser descrito, isso é o que Deus tem reservado para nós, os seus.


Cesar de Aguiar


teolovida@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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